Hospital Piedade volta a ser pauta no legislativo

POLÊMICA

A coluna desta semana segue falando da repercussão da polêmica entre os vereadores Nardeli da Silva (DEM), Andreia Zaratini (PSL) e Irani Gorgônio (PSDB), que integram a Comissão de Saúde e Assistência Social da Câmara Municipal de Lençóis Paulista, e membros da diretoria do Hospital Nossa Senhora da Piedade, representada pelo provedor João José Dutra.

TOMA LÁ DÁ CÁ

Como citado na edição anterior, alvo de críticas na sessão do último dia 2, quando vereadores tornaram públicas reclamações que teriam sido feitas por funcionários, o provedor da entidade foi à Casa de Leis para se defender na semana seguinte, utilizando o espaço da Tribuna Livre com autorização do presidente Jucimário Cerqueira dos Santos, o Bibaia (PODE).

RECLAMAÇÕES

A origem do conflito foi o posicionamento contrário à desativação de parte da estrutura de enfrentamento à pandemia, mesmo que a circulação da variante Delta traga riscos reais de uma terceira onda de Covid-19, mas também foram citados problemas como corte de alimentação, demissões e falta de estrutura adequada para descanso de funcionários no período noturno.

MOTIM

Em um discurso acalorado, Dutra rebateu as acusações contra sua administração, resumindo tudo ao descontentamento de um grupo de médicos insatisfeitos com perdas financeiras resultantes da citada desativação parcial da estrutura de enfrentamento à Covid-19, e também relacionando, em dado momento, algumas reclamações a funcionários não muito “dados ao trabalho”.

VEREADOR NÃO MANDA

Se dizendo humilhado e ultrajado e direcionando suas palavras, principalmente, ao trio de parlamentares, deixou claro que não aceita interferência do Poder Legislativo, chegando a sugerir que Andreia Zaratini, que na semana anterior havia classificado sua atual gestão como a pior dos últimos anos, comprasse um hospital para gerenciá-lo da forma como julgasse melhor.

AMEAÇA

Em alto e bom som, ao comentar sobre a administração da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e demais serviços de urgência e emergência assumidos em abril, afirmou que o acordo firmado com a Prefeitura Municipal só tem causado dor de cabeça à entidade e cogitou abandonar a gestão após o vencimento do contrato atual, o que ocorre em março do ano que vem.

EIS A QUESTÃO

Na ocasião, os vereadores envolvidos evitaram o embate e sequer confrontaram – pelo menos de forma contundente – os argumentos levados ao plenário pelo provedor. A postura acabou deixando no ar uma dúvida: Teriam eles concluído que reclamações infundadas foram expostas ao público ou recuado diante da ausência de elementos concretos para levar as acusações adiante?

SEGUE…

A resposta veio na sessão dessa segunda-feira (16), que deixou claro que o impasse está longe de acabar. O primeiro a resgatar o assunto ao se dirigir à tribuna foi o vice-presidente da Mesa Diretora, Nardeli da Silva, que revelou que a Comissão de Saúde e Assistência Social se reuniu para debater o ocorrido e que seguirá trabalhando no caso, porém, sem dar detalhes.

… O JOGO

Sem se aprofundar, se mostrou contrariado com algumas declarações do provedor, concluindo que sua participação resultou em “confissões gravíssimas”, que, pelo tom das palavras, devem ser apuradas de forma mais aprofundada. Por falar em apuração, citou as atribuições do cargo para enfatizar que tem direto e dever de fiscalizar a entidade, que recebe recursos públicos.

BOMBANDO

Outra que resolveu falar foi Irani Gorgônio, que afirmou que desde a semana passada seu celular não parou de tocar, “bombando de reclamações”, como ela própria disse. Sem revelar a origem e o teor das conversas, garantiu que tem tudo devidamente gravado, enfatizando que um mesmo fato relatado por diversas pessoas é um sinal de que algo está errado.

ZÍPER NA BOCA

A única integrante da Comissão de Saúde e Assistência Social que optou pelo silêncio em relação à polêmica foi Andreia Zaratini. Depois de ser duramente confrontada pelo provedor, a vereadora, que, diferentemente dos colegas, exerce seu primeiro mandato, sequer utilizou o tempo ao qual tinha direito para falar de seus requerimentos, indicações e moções.

ECOS

Fora da Casa de Leis, o assunto também tem repercutido bastante e com opiniões diversas, algumas em sintonia com o posicionamento da diretoria do Hospital Piedade, outras em defesa das prerrogativas do Poder Legislativo. Nas redes sociais, também tem se visto declarações de apoio aos médicos, já que profissionais da área acabaram citados no discurso do provedor.

CARTA ABERTA

Inclusive, isso gerou descontentamento por parte de profissionais da linha de frente, que procuraram O ECO para a publicação de uma carta aberta à população nesta edição, na qual enfatizam a dedicação e o empenho de todos na missão de salvar vidas desde o início da pandemia e lamentam, mesmo sem citar nomes ou entrar em detalhes, declarações envolvendo a classe.

SEM VAIDADES

Com a previsão de muitos desdobramentos pela frente, o que se espera é que o impasse não comprometa os serviços em uma área tão importante como a saúde, principalmente em tempos de pandemia. Cada parte deve ter sua parcela de razão, porém, é bem provável que também tenha certa cota de vaidade indiferente aos interesses da população, o que só serve para impedir o diálogo sensato.


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