Corrida eleitoral já tem 12 de olho na sucessão presidencial

CORRIDA ELEITORAL

A coluna desta semana fala das recentes – e importantes – movimentações no cenário nacional, que podem – e devem – trazer alguns desdobramentos interessantes para a corrida eleitoral do ano que vem, principalmente em relação a tão falada bandeira da terceira via, que inúmeros aspirantes ao Palácio do Planalto tentam, a todo custo, tomar para si.

NOVOS PERSONAGENS

A disputa majoritária segue polarizada entre o presidente Jair Bolsonaro, que continua sem partido, mas tem como destino provável o PP, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder absoluto nas pesquisas. Mas faltando cerca de 11 meses para o pleito, o jogo político vai evoluindo e trazendo novos personagens para o centro do tabuleiro.

UNIÃO

Com a fusão entre PSL e DEM, espera-se que um nome “de peso” surja do União Brasil, que nascerá gigante caso seja aprovado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A julgar pelos últimos desdobramentos, quem desponta na disputa para encabeçar a chapa da sigla é Luís Henrique Mandetta, primeiro ministro da Saúde de Bolsonaro, filiado ao DEM.

VAZOU

A favor de Mandetta pesam baixas significativas na lista de possibilidades que ambas as legendas (PSL e DEM) mantinham. No último dia 27, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal, que estava no DEM, oficializou sua filiação ao PSD em evento pomposo realizado em Brasília, no qual já se apresentou como concorrente à sucessão presidencial.

DESISTIU

Outro da lista que seguiu o mesmo caminho foi José Luiz Datena, que, na tarde da terça-feira (2), anunciou a transferência do PSL para o partido comandado por Gilberto Kassab, ex-ministro dos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), que tem montado um time forte para o pleito e convenceu o apresentador da Band a concorrer ao Senado.

PODE?

Outro que se distanciou do radar do partido nessa terça-feira (2) foi o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, que, como Mandetta, deixou o governo Bolsonaro pela porta dos fundos. O ex-juiz federal confirmou, por meio de sua conta no Twitter, que deve se filiar ao Podemos em evento marcado para a próxima quarta-feira (10).

EX-JUIZ

No caso de Moro, que ganhou notoriedade por conta da operação Lava Jato, ainda não se sabe se a decisão visa uma candidatura majoritária ou a disputa por uma vaga ao Senado. Contudo, é certo que a entrada na política, rechaçada por ele próprio inúmeras vezes, corrobora ainda mais com os questionamentos acerca de sua conduta no judiciário.

NO NINHO

Movimentações também vêm dos bastidores do PSDB, que neste mês realiza prévias para escolher seu candidato. O partido tem três aspirantes ao Planalto, o ex-senador Arthur Virgílio, que corre por fora, e os governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que estão no centro das atenções e travam uma briga quente.

FRAUDE

Na segunda-feira (1), a Comissão de Prévias anunciou a exclusão 92 prefeitos e vice-prefeitos paulistas, aliados de Doria, das eleições marcadas para os dias 21 e 28. A decisão foi motivada por denúncia apresentada pelos diretórios de Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Minas Gerais, apoiadores de Leite, que apontaram supostas fraudes em filiações.

CONTRA-ATAQUE

Os excluídos são acusados de alterar a ficha de filiação com data retroativa para participar do pleito, já que só podem votar quem se filiou até 31 de maio. Como retaliação, o diretório paulista também entrou com uma representação para que 32 filiados dos estados citados também sejam impedidos de votar pelo mesmo motivo. O ninho deve pegar fogo.

TETRA

Do PDT, emerge a figura do sempre disponível Ciro Gomes, que já tentou por três vezes (1998, 2002 e 2018) e se prepara para disputar a quarta eleição. Em campanha pelo país há mais de dois anos, agora ele aposta todas suas fichas na experiência de João Santana, ex-marqueteiro do PT, responsável pelas campanhas bem-sucedidas de Lula e Dilma.

SÓ ELA

O MDB também tem novidades, com o anúncio da senadora Simone Tebet como pré-candidata ao cargo máximo do Executivo. O deputado federal Baleia Rossi, presidente da sigla, garante que a oficialização da entrada da única mulher até aqui na corrida eleitoral deve ocorrer ainda neste mês, mas a parlamentar estaria longe de ser unanimidade na legenda.

MAIS UM

Outro senador colocado no posto de pré-candidato é Alessandro Vieira (CIDA), que ganhou notoriedade por conta da atuação na CPI da Covid-19, cujo relatório final foi aprovado no último dia 26, por sete votos a quatro, responsabilizando o presidente Bolsonaro por, pelo menos, nove crimes, e pedindo o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas.

NOVO

Na quarta-feira (3), o Novo, que nas últimas eleições concorreu com o empresário João Amoêdo, apresentou o cientista político Luiz Felipe d’Avila como presidenciável. Com ele, até o momento, 12 surgem como possíveis candidatos. Outros ainda podem aparecer nos próximos meses, mas é certo que nem todos se sustentarão e alguns até podem se unir.


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