Comunidade LGBTQIA+ se une contra Dudu e Mirna

EM PAUTA

Na semana passada, O ECO lançou um debate ao repercutir os discursos homofóbicos proferidos pelos vereadores Leonardo Henrique de Oliveira, o Dudu do Basquete (CIDA), e Mirna Adriana Justo (PSDB), na sessão da segunda-feira (28) da Câmara Municipal de Lençóis Paulista, em pleno Dia do Orgulho LGBTQIA+.

DESCABIDO

Quem perdeu, pode conferir o Politicando #48 no site www.youtube.com/oecotv. Em síntese, Dudu e Mirna se apropriaram da votação do projeto da “Semana de Conscientização e Combate à Pedofilia” para levar posicionamentos contraditórios à Casa, ligando o tema à questão da diversidade sexual.

RESPEITO?

Dudu, após criticar um comercial do Burguer King, no qual crianças, filhas de pais do público LGBTQIA+, falam sobre o tema de maneira pura e sutil, livre de preconceito, disse que o que os pais precisam ensinar aos filhos é o respeito à escolha de cada um, mas usou a palavra “viado” ao se referir a um homem homossexual.

LIGAÇÃO PERIGOSA

Falemos do discurso de Mirna, que associou a pedofilia ao grupo em questão, dizendo que isso tem sido incutido na cabeça das crianças como algo normal, através da ideologia de gênero, enfatizando que de nada vale uma lei de combate à pedofilia se na escola a criança for convencida que isso não é errado.

ORGULHO

O resultado foi uma mobilização de cidadãos indignados, que tomaram as redes sociais em sinal de repúdio. O movimento ganhou força com posicionamentos de diversos formadores de opinião, culminando em uma manifestação realizada na noite da segunda-feira (5), durante o encontro semanal dos vereadores.

RESISTÊNCIA

Diante das ofensas justamente na data criada para celebrar a diversidade e rebater a intolerância, mais de 100 pessoas se reuniram na sede do Legislativo para exigir retratação de Dudu e Mirna e também para cobrar uma postura incisiva dos demais vereadores, visto que ninguém interferiu após as falas descabidas.

NOTINHA

A Câmara Municipal se manifestou em nota publicada na sexta-feira (2) em sua página no Facebook, dizendo que “o posicionamento de cada vereador não reflete a opinião da instituição. Sendo assim, esta Casa de Leis reitera ser contra qualquer forma de preconceito e discriminação, seja de raça, religião, condição social e orientação sexual”.

CTRL C + CTRL V

O texto foi replicado, ainda que tardiamente e quase que padronizado, por oito vereadores, com exceção de Rômulo Pegolo (PP) e Irani Gorgonio (PSDB), que compõem o bloco de oposição com Dudu e Mirna. Cabe ressalva a Andreia Zaratini (PSL), que ficou em cima do muro e se limitou a compartilhar a publicação.

TEMPO

A resposta lenta foi questionada pelos manifestantes, que esperavam uma intervenção imediata, não apenas depois da pressão. E não faltaram justificativas, a mais absurda foi a falta de tempo na sessão. Tempo que sobrou para falar de instalação de placa, poda de árvore, troca de lâmpada e afins.

NÃO DESCEU

Poucos digeriram os argumentos, que só foram menos aceitos que os discursos de Rômulo, Dudu e Mirna: o primeiro por dizer que não considerou a fala dos aliados como preconceituosa e homofóbica, destacando que ambos foram eleitos para expressar suas opiniões e assim fizeram; os outros dois por não terem convencido.

PELA METADE

Afirmando conviver com homossexuais, Dudu negou ser homofóbico e disse acreditar que a base é o respeito, pois, apesar de pensarem diferente, todos são humanos. Se desculpou pelo termo pejorativo, o que foi visto como bom gesto, mas ficou devendo explicações sobre a inclusão da pauta LGBTQIA+ no debate sobre pedofilia.

SEM DESCULPAS

De Mirna, que também disse ter amigos homossexuais, que até frequentam sua casa, em nenhum momento houve pedido de desculpas. O que se ouviu foi um pedido de respeito. Afirmando prezar pela diversidade, como os que ali estavam, resumiu tudo a uma questão de pontos de vista, alegando ter o direito de discordar.

ESQUIVA

Convenientemente, limitou seu discurso a um campo específico, reiterando posicionamento contrário a questões de gênero e educação sexual nas escolas, dizendo que a educação cabe à família e afirmando que seus eleitores pensam igual. Faltou explicar o motivo de tais assuntos terem sido associados à pedofilia.

REPÚDIO

O episódio resultou em uma carta de repúdio com 350 assinaturas, entregue ao Poder Legislativo, mesma carta que, durante a sessão, foi lida pelo psicólogo Rodrigo Caetano, um dos organizadores da manifestação, que gravou um vídeo para exibição no telão. Resta aguardar os próximos capítulos.

ÉTICA E DECORO

Damião Augusto de Oliveira, o Professor Guto (MDB), presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, disse que o tema será discutido com os demais membros, o vice-presidente Rômulo Pegolo e o relator Renato da Silva Gois, o Papa (DEM). O caso pode resultar em uma representação contra Dudu e Mirna.

CONTINUA

Líderes do movimento já levaram o caso adiante e tudo pode acabar na Justiça. Diante da repercussão, tudo é possível. A comunidade LGBTQIA+ conta com o apoio da Comissão da Diversidade Sexual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que publicou uma carta de repúdio em conjunto com diversos órgãos.

REPERCUTINDO

Formadores de opinião também se manifestaram, inclusive o prefeito Anderson Prado de Lima (DEM), que, apesar de nunca ter declarado nada abertamente, não esconde sua orientação sexual. A polêmica já rompeu barreiras e tem ganhado destaque em veículos da imprensa regional, quem sabe, em breve, nacional.

DIVERSIDADE SIM

A comunidade LGBTQIA+ não vai se deixar oprimir como em tempos obscuros e não muito distantes. E ficou claro que ela não está sozinha. Que o episódio faça com que todos entendam que o respeito não pode ser da boca para fora. Ninguém precisa concordar, mas todos são obrigados a respeitar as diferenças.

SIMPLES ASSIM

É importante dizer aos que insistem nos discursos de ódio, que não se prega a valorização de modelo X ou Y de família em detrimento de valores humanos. Não se defende questões ditas como inegociáveis atropelando princípios invioláveis. Está na Constituição Federal e não precisa ser advogado para saber.


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