Comandantes das forças armadas entregam cargos e agravam crise entre governo Bolsonaro e militares

GOLPE

Em 31 de março de 1964, há exatos 57 anos, um famigerado Golpe de Estado derrubava o então presidente da República, João Goulart, empossado democraticamente após a renúncia de seu antecessor, Jânio Quadros, que, por sua vez, havia deixado o posto três anos antes, depois de governar o país por menos de sete meses.

PASSADO SOMBRIO

A data, que marca o início de 21 anos de Ditadura Militar, período mais sombrio da história recente do Brasil, precisa ser lembrada, porém, jamais celebrada, como já tentou impor o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores. O 31 de março é um símbolo de tempos que ninguém, em sã consciência, gostaria de reviver.

SIMBÓLICO

Talvez a data nunca tenha sido tão simbólica, pelo menos não desde a redemocratização do país, conquistada ao custo de muita luta, enfrentamento à repressão e morte, em 1985. Na semana em que o Golpe Militar completa 57 anos, uma mensagem importante é transmitida aos cidadãos brasileiros justamente pelas Forças Armadas.

INDEPENDÊNCIA

Não haverá instrumentalização política das instituições! Ainda que nas entrelinhas dos desdobramentos ocorridos nos últimos dias, os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica demonstraram que o emprego das Forças Armadas não será banalizado, posição consensual entre o alto comando.

DESEJO ÍNTIMO

O que se percebe é que, ainda que dezenas de militares da ativa e da reserva ocupem cargos estratégicos no Governo Federal, muitos no primeiro escalão, a politização das corporações, que fontes de Brasília indicam ser um desejo íntimo do presidente, não é vista como possibilidade do lado de dentro dos quartéis.

SEM CHANCE

Os generais de quatro estrelas, que estão no topo da hierarquia das Forças Armadas, sinalizam que não flertarão com a ruptura constitucional, nem para dar suporte à propaganda governista com apoio declarado aos atos de Bolsonaro nas redes; tampouco para atender a impulsos antidemocráticos de um governo que vê suas bases ruindo.

MENSAGEM CLARA

Para bom entendedor, a mensagem é bastante clara, comprovada pelas saídas, primeiro do ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, em seguida, pelas demissões dos comandantes do Exército, Edson Pujol; da Marinha, Ilques Barbosa; e da Aeronáutica, Antônio Carlos Bermudez.

INSTABILIDADE

O movimento já era esperado diante do cenário de instabilidade, que já existia, mas foi potencializado na segunda-feira (29), quando o general Azevedo e Silva entregou seu cargo. No mesmo dia, após reunião do alto comando das Forças Armadas, toda imprensa já esperava pelo anúncio da saída de Pujol, Barbosa e Bermudez.

TRUQUE

O que se comenta é que, temendo uma repercussão ainda mais negativa do assunto, em meio a sua maior queda de popularidade desde o início do governo, Bolsonaro teria se antecipado ao pedido de demissão simultânea dos três generais, incumbindo o também general Walter Braga Netto de despachar seus colegas de farda.

TENSÃO

Braga Netto, que na reforma ministerial promovida pelo presidente na segunda-feira deixou o comando da Casa Civil para assumir o Ministério da Defesa no lugar de Azevedo e Silva, fez comunicado ainda na manhã da terça-feira, após se reunir com os três comandantes em uma conversa que teria sido bem tensa.

SOLDADO

De acordo com fontes que acompanham os desdobramentos da política nacional, existe um grande temor de que a crise entre Governo Federal e Forças Armadas se agrave a partir dos últimos episódios, principalmente porque Braga Netto seria visto com um ‘soldado de Bolsonaro’ por colegas militares de dentro e fora do Planalto.

…DO CHEFE

Muitos esperam que, diferentemente de Azevedo e Silva, que minou sua credibilidade com Bolsonaro atuando como ferrenho defensor da imparcialidade das instituições, blindando-as de qualquer interferência/influência externa, Braga Netto atenda aos anseios do chefe e faça uma gestão um tanto quanto politizada.

RESISTÊNCIA

Porém, mesmo que na posição de chefe das Forças Armadas ele não tenha problema em fazer manifestações públicas de apoio às ações de Bolsonaro, informações da grande imprensa dão conta que ele encontrará resistência se, a mando do presidente, resolver cobrar o mesmo dos novos comandantes.

DESGASTE

Todos serão escolhidos pelo próprio Bolsonaro, no entanto, o que circula é que todos aptos a ocupar os postos estariam alinhados com a filosofia de seus antecessores. Pelo visto, este será mais um dos inúmeros focos de desgaste dentro do Governo Federal, o que pode aumentar a pressão sobre outras questões sensíveis.

IMENSO DESASTRE

A principal delas é o desastroso combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que coloca o país no pior momento desde março do ano passado, com recordes de mortes diárias, colapso hospitalar, falta de insumos e medicamentos básicos, além da lenta vacinação.

COMPARTILHADO

Neste ponto, é preciso ser justo e destacar que o caos observado de norte a sul do país também tem uma parcela de responsabilidade de governadores, prefeitos e, obviamente, da própria população, pelo menos de parte dela, que insiste em violar as regras, ignorar as recomendações e, com isso, ajudam a nos colocar na beira do abismo.

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