Autoridades se reúnem para discutir sobre aglomerações na região do Itamaraty

PERTURBAÇÃO

A Câmara Municipal de Lençóis Paulista realizou a 18ª sessão ordinária do ano na noite da última segunda-feira (31) e, em meio a diversos assuntos que movimentaram a pauta, um deles acabou ganhando destaque nos discursos proferidos por parte dos vereadores, alguns até de forma mais enérgica. O tema em questão foi a perturbação do sossego na região do Jardim Itamaraty, área nobre da cidade.

AGLOMERAÇÕES

O problema não é novidade no plenário da Sala de Sessões Mário Trecenti, pois já foi exaustivamente debatido em outras oportunidades, inclusive no início deste ano, quando, em defesa dos comerciantes afetados pelas restrições impostas pelo novo coronavírus (Covid-19), parlamentares atribuíam o avanço descontrolado da pandemia às aglomerações promovidas por jovens no período noturno.

PELA MADRUGADA

Na ocasião, o foco dos discursos foi a região do Teatro Municipal Adélia Lorenzetti, outro alvo de constantes reclamações por parte de moradores do entorno, principalmente do Jardim Bela Vista e da Vila Nova Irerê. A vereadora Mirna Justo (PSDB) chegou a afirmar que estava faltando firmeza para conter a prática, que, segundo ela, se iniciava nos finais de tarde e seguia até as madrugadas.

ABUSO

Outro que abordou o tema foi o vereador Renato da Silva Gois, o Papa (DEM), que classificou os abusos como falta de respeito com os próprios familiares que mantinham o isolamento, mas que, muitas vezes, viam o vírus ser levado para dentro de casa. Se dirigindo diretamente aos jovens, chegou a dizer que, caso o problema persistisse, o pedido seria para que a polícia agisse de forma truculenta.

BOMBA

E foi o que acabou ocorrendo no último final de semana, quando policiais utilizaram bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar uma aglomeração de mais de 500 pessoas que se concentrava na região do Jardim Itamaraty. Segundo informações da Polícia Militar, a ação foi tomada depois que algumas pessoas atiraram objetos em direção à equipe que fazia o patrulhamento da área.

REGISTRO

Na sessão da segunda-feira, após o assunto ser levado à pauta pela vereadora Andreia Zaratini (PSL), Mirna Justo exibiu um vídeo postado nas redes sociais por uma pessoa que estava na aglomeração. Nas imagens, aparentemente captadas ao lado do condomínio Spazio Verde, é possível observar diversos carros e motos se evadindo do local em meio à fumaça das armas químicas utilizadas pela PM.

FUNK DO INFERNO

Após a exibição do vídeo, a parlamentar disse aos colegas que, de acordo com moradores do bairro, a movimentação no local persistiu até próximo do amanhecer do dia, do sábado para o domingo. Entre os abusos relatados estão veículos disputando ‘rachas’, motos ‘estralando’ escapamentos, música ensurdecedora classificada como “funk do inferno”, além do uso indiscriminado de álcool e drogas.

BADERNA

Ainda de acordo com ela, moradores estão se sentindo “reféns da baderna”, cobram mais policiamento e afirmam que a PM alega não ter efetivo suficiente para a fiscalização, visto que a cidade toda carece de atenção. Em relação a isso, o vereador Leonardo Henrique de Oliveira, o Dudu do Basquete (CIDA), e o presidente Jucimário Cerqueira dos Santos, o Bibaia (PODE), também subiram o tom.

EFETIVO

Para eles, a fiscalização poderia ter mais resultado se o Governo do Estado de São Paulo atendesse aos inúmeros pedidos que foram feitos nos últimos anos para a área da Segurança Pública, como o aumento do efetivo policial e o envio de novas viatura para a 5ª Cia da Polícia Militar. Ambos não pouparam críticas ao governador João Doria (PSDB), ao qual atribuem a responsabilidade pelo problema.

DEVER DO ESTADO

Dudu disse que a PM precisa ter respaldo para trabalhar e defendeu ações mais enérgicas para resolver o problema. Já Bibaia destacou que Doria não está nem aí para Lençóis Paulista, mas que sua residência, na capital, vive cercada de viaturas. Citou o artigo 144 da Constituição Federal para lembrar que a Segurança Pública é dever do Estado e cobrou que providências urgentes sejam tomadas.

REUNIÃO

Uma reunião para tratar do problema e discutir ações foi realizada nesta quarta-feira (1), no gabinete do prefeito Anderson Prado de Lima (DEM). Além do chefe do Poder Executivo, o encontro contou com a participação de alguns vereadores, do secretário de Segurança Pública de Prefeitura Municipal, Coronel Carlos Alberto Fantini, e do capitão Marcelo Paes, comandante da 5ª Cia da PM.

OPERAÇÃO

Extraoficialmente, a reportagem de O ECO foi informada que operações devem ser feitas nas próximas semanas pela Polícia Militar, com o objetivo de coibir abusos e aglomerações em vias públicas da cidade. No entanto, diante do grande volume de reclamações relacionadas à perturbação do sossego, os detalhes devem ser mantidos em sigilo para não comprometer o resultado das ações.

ATENTADO À VIDA

Vale destacar que, além das queixas relacionadas à perturbação do sossego, casos como os relatados desrespeitam acintosamente o momento pelo qual o país está passando. A pandemia não acabou, pelo contrário, nas últimas semanas os casos ativos de infecção e mortes voltaram a subir. A irresponsabilidade, nesse caso, não é um crime contra a ordem pública, é um atendado contra a vida.

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