O grande reset: é hora de reiniciar

Somos quase 8 bilhões de pessoas. Povoamos a Terra como a areia do mar. Falamos sempre do futuro, sem darmos conta de que somos ele próprio materializado. Somos o 2020 tido lá atrás como futurístico e que agora se aproxima do fim em meio a tantas vidas perdidas pela pandemia. Nos tornamos corresponsáveis por grandes avanços e conquistas, mas inegavelmente culpados pelas recentes catástrofes veiculadas na mídia.

A maioria delas está relacionada às mudanças climáticas, como a escassez dos recursos naturais e o aumento da temperatura global. Todas estão se intensificando com um agravante: somos uma superpopulação mundial na contramão do desenvolvimento sustentável. Prova disso são nossas matrizes de energia que não são totalmente renováveis.

Este tema foi abordado recentemente pela Revista inglesa The Economist. Na capa, uma alusão à energia limpa – ou verde – e suas implicações na geopolítica. Sabemos que o caminho para a continuidade da vida na Terra reside em políticas de desenvolvimento sustentável, que corroboram para o equilíbrio ecológico. Na atual sobrecarga de demanda absorvida pelo planeta, há muito o que se fazer: reciclar resíduos, frear as emissões de CO², investir em tecnologias verdes para o campo e os centros urbanos – como meios de transportes híbridos -, implementar soluções de tratamento e reuso de água potável e, entre outras, mudar nossa matriz energética. Esta última será questão central do próximo Fórum Econômico Mundial, em janeiro de 2021. Chamada de Grande Reset, a pauta se baseia na descarbonização da economia, mas também irá debater temas como a desigualdade social e inclusão.

Muito tem se falado sobre o grande reset em ações de engajamento mundo afora. Se por um lado as grandes corporações estão sendo cobradas por ações sustentáveis, somos a outra ponta da cadeia e precisamos agir com urgência. Assistimos a milhares de hectares de florestas sob um fogo destruidor, que varreu espécies, reservas e até mesmo cidades. A poluição do ar se intensificou em meio a grandes ondas de calor. Algumas regiões do Brasil, por exemplo, sofreram com a estiagem e estão em racionamento de água.

Estes são motivos suficientes para sairmos da inércia para a ação, refletindo sobre o mundo que queremos para as futuras gerações. Somos protagonistas de cada consumo incorreto que agride o planeta e gera impacto ambiental. Se queremos uma sociedade igualitária, com oportunidades e inclusão, a hora de reiniciarmos nosso modo de vida chegou. Somente com o despertar para um padrão ecologicamente equilibrado e consciente poderemos ver a vida, em seu curso natural, se perpetuar. O futuro já chegou, mas antes de usá-lo, é necessário reiniciar.


Saulo Bueno

SAULO BUENO – Casado e pai do Gael, Saulo Bueno atua na área de Administração de Empresas, na qual é formado pela UNIP (Universidade Estadual Paulista, e adora viajar e descobrir novas gastronomias e culturas. Também se dedica à leitura e à escrita, prática que exercita em um blog que mantém na internet e também nesta coluna, na qual aborda diversos assuntos do dia a dia.


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