Anticoncepcional: herói ou vilão?

Olá pessoal! Tudo bem? Estamos de volta com nossa coluna Gineco Sem Neuras, falando dos mais diversos assuntos sobre saúde da mulher. Mande sua pergunta para a gente! Hoje é dia de um dos temas mais perguntados por aqui e também no consultório: vamos falar sobre os anticoncepcionais.

Quando usamos esse termo, estamos nos referindo aos métodos que se utilizam de hormônios, sejam eles na forma de pílula, injeção, adesivos para colar na pele e até mesmo na forma de anel flexível (que é colocado dentro da vagina). Todos eles têm mecanismos de ação bem parecidos, que vou tentar explicar de maneira simplificada aqui.

Os hormônios possuem diversas funções no organismo, citarei algumas das principais: (1) ajudam a regular a menstruação, (2) reduzem o fluxo menstrual, (3) aliviam cólicas menstruais, (4) melhoram oleosidade da pele, (5) diminuem acne, (6) reduzem os pelos, (7) evitam a gravidez, entre outras possibilidades.

Nem todos os anticoncepcionais vão fazer tudo isso sozinhos. Alguns são melhores para reduzir o fluxo, outros melhoram mais a pele e cabelos, outros são neutros e interferem pouco no organismo. Além disso, é importante lembrar que cada um deles também pode ter perfis de efeitos colaterais diferentes, podendo causar inchaço, diminuição na libido, alterações na pele, baixa disposição, interrupção da menstruação e outros tantos efeitos que variam de pessoa para pessoa.

Por isso, é tão importante realizar a consulta com um ginecologista antes de decidir qual método e por quanto tempo usar, bem como a dosagem mais correta para o seu caso específico. Recebo muitas pacientes que iniciaram métodos porque a vizinha recomendou, ou porque a prima usou e disse que foi bom, porém, não é o melhor hormônio para ela e, por isso, acaba não apresentando os efeitos desejados, eventualmente até mesmo piorando a situação.

Além disso, é muito importante lembrar que não são medicamentos isentos de risco. Se fossem apenas efeitos colaterais passageiros, tudo bem. No entanto, algumas mulheres tem maior tendência a desenvolver problemas graves com uso de métodos hormonais, podendo até mesmo ocorrer eventos trombóticos (coágulos nos vasos sanguíneos), acidente vascular encefálico (derrame cerebral), problemas na pressão arterial… Evidentemente, são eventos raros, porém, possíveis.

Mas, então, não podemos nunca usar pílulas? Podemos sim, contanto que sejam bem indicadas para problemas específicos, sob orientação médica adequada e que a paciente esteja ciente dos riscos e benefícios, tomando, assim, uma decisão coerente e segura, em conjunto com o médico. E, caso apresente sintomas indesejáveis, deverá comunicar imediatamente o ginecologista, ou até mesmo procurar atendimento em serviços de urgência e emergência.

Espero ter ajudado a esclarecer algumas questões frequentes que recebo. Aguardo mais perguntas! Até a próxima 🙂


Octavio Legramandi

OCTÁVIO LEGRAMANDI – Formado em Medicina, com especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), Dr. Octávio Legramandi é um defensor incondicional da humanização dos partos e da medicina em geral, principalmente no que diz respeito à saúde da mulher. Nesta coluna, ele aborda assuntos variados e de interesse do público feminino.


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