“Luna Clara & Apolo Onze”, por Adriana Falcão

Minha história com “Luna Clara & Apolo Onze” é um pouco engraçada. Eu devia ter uns onze anos quando li um trecho do livro na apostila da escola. Lembro-me de ter achado tão peculiar e divertido! Guardei o título e a capa na cabeça. Acabou que eu sempre fui postergando a leitura e, parando para pensar, acho que nunca procurei esse livro na biblioteca! Sim, um crime sem justificativa.

Talvez você conheça um site chamado Skoob. É uma plataforma que funciona como uma estante digital para você organizar os livros que já leu e coisas assim. Dentre as funcionalidades, nele existe o Skoob Plus, que é um sistema que permite troca de livros entre usuários. Por esses dias, não é que achei uma pessoa oferecendo o “Luna Clara’? Nem pensei duas vezes! Solicitei a troca e, assim que ele chegou, comecei a leitura.

Tentei explicar a história para uma pessoa, mas que tarefa difícil! Adriana Falcão trabalha a narrativa com muita poesia e ‘vai e vem’, também conhecido como narrativa não-linear. Parece um jogo de pingue-pongue: você vai acompanhando a bolinha e, do nada, alguém rebate com mais força e, ponto! O livro me impactou positivamente, como quando eu era tão novinha. Ah, uma curiosidade: a autora é quem escreveu o roteiro de “A grande família” e “O auto da compadecida”! Pensa se é pouco talento.

Entre muitos percalços, o livro começa com a história de Luna Clara, uma menina que nunca conheceu o pai (Doravante). Sabia pouco sobre ele, mas sabia que a mãe (Aventura) e ele foram muito apaixonados – se conheceram, namoraram e casaram em coisa de três dias! Prepare-se para a grande e, aparentemente, interminável história de amor que você vai encontrar nesse livro. Aventura sempre dizia que, no dia em que se despediu do esposo, ele jurou que se encontrariam em Desatino do Norte, a cidade onde as duas moravam. Luna Clara, pacientemente, esperava todos os dias.

Existem peculiaridades sobre a menina: gosta de conversar com a lua e, desde o dia em que ela nasceu, não chove em Desatino do Norte. Em certo dia, sentada na estradinha na frente de sua casa, Luna Clara vê dois homens se aproximando. Existe algo neles que deixa a menina alarmada: ambos estão ensopados dos pés à cabeça. A chuva estava chegando perto!

De outro lado temos a história de Apolo Onze, o décimo primeiro na linhagem dos Apolo. Era tradição em sua família dar uma grande festa sempre que outro Apolo nascia. Seu pai, Apolo Dez, teve sete filhas e já estava um tanto preocupado. Guardava bastante dinheiro para o dia em que Apolo Onze chegasse. Quando o bebê enfim chegou, a família deu uma festa imensa. Tão imensa que não parou de acontecer até que Apolo Onze dissesse que sairia de casa.

Os fatos parecem desconexos, mas estão muito mais interligados do que se imagina. Página a página, o leitor vê os pontos se conectando. Cercada de poesia e ‘brasilidade’, a história se forma diante dos nossos olhos com um enredo tão diferente que, como eu mencionei anteriormente, chega a ser difícil explicar. É ler para ver!

Por último, ressalto a parte poética de Luna Clara & Apolo Onze. Marquei dezenas de frases que me causaram impacto, tanto pela sensibilidade quanto pelo humor! Destaco algumas delas:

“Será que são sempre tão cheios de beijos os começos das histórias?”

“Vivia cansado e ansioso, ora bocejava, ora fantasiava esquisitices. É que, quando alguém gosta tanto de alguém, corre sempre o risco de ficar imaginando coisas”

“O que faz cada história de amor são justamente seus acasos, seus contratempos, soltos acontecimentos, suas esperanças, seus ventos, seu tempo”

Você conhecia essa história? Espero que, assim como eu, tenha interesse em começar essa leitura que tanto vale a pena.


Mariana Zillo

MARIANA ZILLO – Formada em Produção Editorial pela Universidade Anhembi Morumbi, Mariana Zillo é uma lençoense apaixonada por tudo que envolve a literatura. Coincidência ou não, foi na “Cidade do Livro” que se tornou não apenas uma leitora voraz, mas também uma talentosa escritora. Nesta coluna, ela apresenta suas experiências e percepções sobre este universo encantador.


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