Biografia: O voo da bailarina, de Michaela DePrince

Há duas coisas que me encantam muito ultimamente: histórias reais e a dança, em especial o ballet. Juntando o útil ao agradável, encontrei recentemente no catálogo do Kindle Unlimited a história autobiográfica de Michaela DePrince, uma bailarina nascida em Serra Leoa, na África, em 1995, em meio a uma guerra civil que deixou mais de cinquenta mil mortos e mais de dois milhões de refugiados deslocados para países vizinhos. O livro “O voo da bailarina – de órfã de guerra ao estrelato”, publicado no Brasil pela editora Best-Seller, em 2016, conta com tradução de Sandra Martha Dolinsky. A biografia tem coautoria da mãe adotiva de Michaela: Elaine DePrince.

Nascida com o nome Mabinty Bangura em uma família muçulmana, Michaela perdeu os pais muito pequena e deveria, portanto, ser criada pelo tio, seu único tutor legal. Como você já deve imaginar, não foi exatamente o que aconteceu. Nascida com vitiligo, a menina era considerada pelo tio uma ‘criança do demônio’ que, diferentemente das filhas que havia tido com diversas esposas, dificilmente encontraria um casamento que rendesse um bom dote.

A forma que o tio viu para se livrar da criança foi abandoná-la em um orfanato. Lá, Mabinty era a ‘criança número 27’, a última para tudo, pois as ‘tias’ do orfanato também a consideravam uma criança amaldiçoada. Sendo a última da fila, Mabinty recebia as menores porções de comida, por isso, sofreu de desnutrição e desinteria durante sua estadia naquele lugar. Seu único porto seguro no orfanato era a ‘criança número 26’, uma menina que também tinha o nome de Mabinty e acabou se tornando sua melhor amiga. Ambas dividiam a mesma esteira de palha, que servia de cama.

Aos quatro anos de idade, uma luz surgiu sobre o sofrimento das duas meninas. As crianças 26 e 27 foram adotadas por um casal judeu de Nova Jersey, nos Estados Unidos, e logo ganharam seus novos nomes: Mia e Michaela, respectivamente. Dentre seus pouquíssimos pertences, Michaela levou do orfanato, dentro de sua roupa íntima, uma fotografia que recortou de uma revista: era a imagem de uma bailarina. Quando sua mãe, Elaine DePrince, começou a desfazer uma mala cheia de presentes para as duas meninas, Michaela procurou avidamente por sapatilhas como as que a moça usava na foto, a qual mostrou para sua mãe. Elaine entendeu, mesmo sem que a menina soubesse se comunicar em inglês: sua filha queria ser bailarina e ela faria de tudo para ajudá-la a realizar o sonho.

Assim começa a jornada da renomada bailarina clássica Michaela DePrince, que passou por maus bocados, mas nunca deixou de seguir seu desejo de tornar-se uma bailarina profissional. Muitas vezes, questionou-se se era possível ser uma bailarina negra e tinha vergonha de sua pele manchada na região abaixo do pescoço, bastante visível para quem sempre vestia um collant. Elaine e seu marido Charles, no entanto, sempre fizeram um bom papel encorajando a garota a focar em seu objetivo e esquecer de seu passado.

“O voo da bailarina” é uma história de superação, dedicação e força. Michaela conta histórias tristes e felizes de sua vida e nos enche de inspiração. Sugiro a leitura fortemente e até comprei o livro para as minhas duas professoras de ballet. (Oi, Giovana e Luísa!).

Se ler biografias não é o seu forte, recomendo que, ao menos, assista ao vídeo da palestra de Michaela no TEDx Talks Amsterdam 2014, que está disponível no Youtube com o título de From ‘devil’s child’ to star ballerina. Também existe o documentário de nome “First Position”, o qual ainda não assisti, mas pretendo. Agora, se “O voo da bailarina” lhe interessou, suba na ponta dos pés e boa leitura!


Mariana Zillo

MARIANA ZILLO – Formada em Produção Editorial pela Universidade Anhembi Morumbi, Mariana Zillo é uma lençoense apaixonada por tudo que envolve a literatura. Coincidência ou não, foi na “Cidade do Livro” que se tornou não apenas uma leitora voraz, mas também uma talentosa escritora. Nesta coluna, ela apresenta suas experiências e percepções sobre este universo encantador.


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