Nonagenários que brilham

Mirian Goldenberg, uma escritora que é antropóloga e que desde o ano 2000 estuda a velhice, publicou o livro “A Invenção da Bela Velhice” pela Record. Diz que nesses vinte e dois anos ocorreu uma verdadeira revolução. Os idosos mudaram, não apenas com a administração de sua idade, mas com o engajamento em novas e instigantes causas.

O livro arrola sugestões para a conquista de uma “bela velhice”, tais como fixar um projeto de vida, valorizar as amizades, viver plenamente cada dia, respeitar sua própria maneira de ser e respeitar suas vontades, sem a pressão dos outros. E aprender a dizer não.

A velhice é algo democrático. Todos sabem que um dia estarão idosos. A alternativa a ficar velho é muito ruim: morrer cedo.

Quando ela fala em nonagenários, não há como deixar de pensar nos oito imortais da Academia Paulista de Letras que já chegaram a essa faixa. São eles: Lygia Fagundes Telles, Célio Salomão Debes, Luiz Carlos Lisboa, Paulo Nathanael Pereira de Souza, José Goldenberg, Fábio Lucas, José Gregori e Ruth Rocha.

A intimidade com os livros, a leitura permanente, a escrita constante, o convívio com os amigos, tudo faz com que eles sejam indivíduos bem situados, felizes e bem adaptados à sua faixa etária.

É muito importante conviver com pessoas lúcidas e partícipes, interessadas em acompanhar as profundas mutações que ocorrem numa sociedade complexa como a nossa, atentos à realidade e munidos de vontade de atuar, decisivamente, para oferecer ao Brasil aquilo que o seu talento é capaz de oferecer.

Até há pouco, ainda tínhamos Renata Pallottini, que chegou a completar seus noventa anos em janeiro, mas nos deixou em julho. É animador constatar que uma instituição longeva como a Academia Paulista de Letras, fundada em 1909, é um espaço para a convivência fraterna de personalidades plúrimas, cada qual com sua origem, seu temperamento, suas inclinações e gostos, mas unidas em torno a ideais hoje tão negligenciados, como o cultivo do idioma e a preservação da cultura.

Vida longa aos nossos acadêmicos, cuja imortalidade reside apenas no compromisso que a posteridade tem de cultuar a memória de cada qual, à medida em que o mistério vier a chamá-los para a viagem sem retorno.


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