Por que o tempo passa cada vez mais rápido?

Meu avô, com quase 90 anos, sempre me fala que o que ele consegue entender da Teoria da Relatividade é que o tempo que percebemos é relativo ao tempo passado que já vivemos e, por isso mesmo, temos a sensação que o relógio anda cada vez mais depressa. Isso porque cada novo ano, semana, mês ou dia tem uma proporção menor em relação ao que já foi vivido.

Por exemplo, quando você comemorou seu aniversário de cinco anos, você adicionou, nesse ano, 20% a mais à vida desde que você completou quatro anos. Mas, para quem faz 50 anos, um ano representa meros 2% de vida – quase nada, só mais um para a conta. Basta olhar para o bolo e ver as velinhas: se faltar uma ao cinquentão, capaz até de ninguém notar.

Daí que as lembranças que você tem de toda a sua infância, desde quando começou a lembrar as coisas, com uns três anos, até o início da adolescência, aos onze, são tão grandiosas para um período que durou só cerca de oito anos. Pois é, foram apenas oito anos sendo crianças – mais ou menos o mesmo tempo que passou até hoje, outubro de 2020, desde que você comprou seu primeiro smartphone ou ouviu falar do Instagram, que lhe tira horas de sono enquanto você desliza a tela sem saber por quê.

Juntando isso à repetitividade das coisas (rotinas de trabalho, estudo, casa, etc.) e a consequente previsibilidade (já vivemos inúmeros dias de chuva, tantos outros de sol, pegamos o trânsito cheio ou vazio e sabemos que algum político hora ou outra vai esconder alguma coisa na cueca), temos a impressão de que o tempo é uma constante que nos prende entre nosso nascimento em data e hora sabidas e registradas, e nossa morte em um momento incógnito.

Mas 2020 quebrou muito dessa constante. É um período que, salvo os supercentenários, ninguém jamais passou ou se lembra. Por termos que alterar repentina e bruscamente nossa forma de viver, trabalhar e nos relacionar, a lógica ali da relatividade do tempo do vovô ficou bem confusa, com dias demorando semanas e semanas que duram poucas horas. Mas, enfim, quando nos acostumamos a isso, olha só: já é final de outubro, já passou quase inteiro o ano que começou ontem, já voaram quase todos aqueles meses produtivos que, no Brasil, costumam começar no Carnaval e terminar no Natal.

Ainda, a fragilidade da vida e a certeza da morte nos ficou escancarada, a finitude do nosso tempo se mostrou tão assustadora enquanto acompanhávamos o impensável acontecer em escala global. Nunca nos fez tanto sentido, portanto, aproveitar o máximo nosso tempo, seja com a família, com amigos, no trabalho ou atrás de nossas metas pessoais. Não faz sentido continuarmos perdendo tempo com o que não faz sentido.


Fernando Darcie

FERNANDO DARCIE – Formado em Propaganda pela ESPM-SP, pós-graduado em Comunicação pela Cásper Líbero, especialista em Administração pela King George (Vancouver, Canadá) e MBA em Gestão de Projetos, Fernando Darcie é sócio na startup DoQR e proprietário da FCI Equipamentos Industriais. Apaixonado por viagens, fotografias, padarias e discografias, ele escreve sobre assuntos do cotidiano.


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