Síndrome de Burnout: entendendo o esgotamento profissional

Não é de hoje que nos deparamos, em nosso cotidiano, com pessoas que trabalham demais. Todos nós conhecemos alguém que se excede em sua jornada de trabalho chegando, muitas vezes, a adoecer. No Japão e ao redor do mundo, há inúmeros relatos de jovens que morreram após longas jornadas de trabalho. Um estagiário de uma grande empresa morreu após passar 72 horas trabalhando sem parar. Os japoneses têm um termo para definir essas situações que se chama ‘karoshi’, que significa ‘morrer de tanto trabalhar’.  Mas, afinal, em que momento o trabalho pode se transformar em uma doença?

Em 1974, o psicólogo Hebert Freudenberger descreveu um distúrbio psíquico relacionado a condições de trabalho desgastantes, física e emocionalmente denominada: Síndrome de Burnout.

Esse distúrbio é causado pela exaustão extrema em consequência da relação que o indivíduo estabelece com seu trabalho. Em síntese, podemos dizer que o Burnout é uma condição de esgotamento diante de um estresse crônico.

Esse transtorno tem três dimensões distintas, sendo a primeira a exaustão emocional, que é caracterizada por um profundo esgotamento físico e mental. A segunda dimensão é a despersonalização, onde o distanciamento emocional e a insensibilidade com as necessidades do outro ficam evidentes. A terceira fase é a da redução das atividades profissionais, onde a insatisfação com o trabalho e a perda de sentido nas atividades em que desempenha se faz presente.

Os sintomas dessa síndrome podem ser físicos e psicológicos. Dentre os principais podemos citar: cansaço mental e físico excessivo, irritabilidade, dificuldades de concentração, lapsos de memória, pressão excessiva, dentre outros.

Algumas pesquisas indicam que um em cada três trabalhadores pode apresentar um quadro de esgotamento mental em algum momento de sua vida e que a síndrome acomete 33% da população que tem sintomas de estresse.

Finalmente, se você acredita que pode estar adoecendo, esse é o momento de repensar não somente sua relação com o trabalho, mas também, com sua vida.  Alguns ajustes como: criar espaço em sua vida para atividades prazerosas e, principalmente, atividades físicas; uma boa alimentação, qualidade de sono e uma vida familiar e social enriquecida são fundamentais. Alguns casos mais graves necessitam de ajuda médica e psicológica. Cuide-se para ter sempre uma vida profissional e emocional equilibrada, estável e duradoura.


Fábio Luiz Vicente

FÁBIO LUIZ VICENTE – Psicólogo clínico e neuropsicólogo, especialista em Neuropsicologia pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos da Divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Atua há mais de 20 anos em consultório particular atendendo crianças, adolescentes e adultos. Nesta coluna, fala sobre diversos temas relacionados à Psicologia.

destaques