Depressão e Covid-19: superando os desafios do tratamento

Atualmente, a depressão é considerada uma das doenças mais impactantes e comuns em todo o mundo. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a estimativa é de que 322 milhões de pessoas viviam com depressão em 2015. Entretanto, apesar da grande quantidade de informações a respeito da doença, muitas pessoas acometidas pela depressão ainda são vítimas de muita desinformação e preconceito. O estado de pandemia instalado desde 11 de março deste ano revelou-se um desafio a mais aos que lutam pela superação desse transtorno.

A depressão é um transtorno mental frequente e pode atingir pessoas de todas as idades. Uma pessoa deprimida passa a apresentar um conjunto de sinais, tais como: humor deprimido na maior parte do tempo (tristeza persistente e um sentimento de infelicidade, melancolia, estar “para baixo”), perdas de interesse ou prazer em atividades que antes lhe eram prazerosas, fadiga e cansaço persistente, alterações do sono e do apetite, alterações cognitivas (se queixam de dificuldade de concentração, raciocínio lento e prejuízo na capacidade de tomar decisões, muitas vezes simples). Em casos mais graves, a morte ou suicídio passa a ser um pensamento constante e parece a única solução para aplacar o sofrimento. As causas de uma depressão nem sempre são claras e sabe-se que ela é multifatorial, ou seja, tem componentes genéticos, biológicos e ambientais. 

É possível que as mudanças brutais a que fomos expostos em nosso estilo de vida nos últimos meses, tais como, a redução do contato social, das atividades, fechamento de parques e igrejas e a ampla cobertura de notícias diárias sobre a evolução da pandemia e seus desdobramentos trágicos (mortes, recessão econômica, etc.), se transformem em um fator de estresse adicional aos que no momento estejam deprimidos.

A solidão e a desesperança, que são tão frequentes em pessoas que estejam deprimidas, podem ser agravadas durante a pandemia e trazer consequências muito graves.

Pessoas diagnosticadas com depressão podem precisar de ajuda e apoio para manter seu tratamento atual contra a doença. O suporte de amigos e principalmente da família é fundamental.

Atitudes simples como a de ligar para seu conhecido ou familiar que esteja se tratando de depressão e colocar-se à disposição para conversar sobre seus sentimentos, ou então, colocar-se à disposição para comprar medicamentos ou leva-lo às consultas pode fazer toda a diferença em seu tratamento. 

Finalmente, a depressão não é um sinal de fraqueza, ela é uma doença, tem tratamento e pode ser revertida com ajuda de medicamentos e psicoterapia. Lembre-se, você não está sozinho!


FÁBIO LUIZ VICENTE – Psicólogo clínico e neuropsicólogo, especialista em Neuropsicologia pelo Centro de Estudos Psico-Cirúrgicos da Divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Atua há mais de 20 anos em consultório particular atendendo crianças, adolescentes e adultos. Nesta coluna, fala sobre diversos temas relacionados à Psicologia.

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