Tragédia anunciada – outra vez

A pandemia está prestes a completar dois anos, mas o caos vivenciado por todos desde o início de 2020 parece não ter trazido tanto aprendizado. Entre defensores e opositores da vacinação contra o famigerado coronavírus, que segue se proliferando por meio de variantes cada vez mais nocivas, existe uma parcela concomitante de pessoas que, independentemente das razões, contraria o bom senso ao ignorar as medidas básicas de prevenção ao contágio.

Foi assim no final de 2020, quando uma aparente estabilização momentânea dos índices fez com que muitos dessem às costas às recomendações das autoridades sanitárias. Mesmo sem vacinas, mesmo com a circulação de novas cepas, mesmo com a iminência da explosão de uma segunda onda da pandemia, o que preocupava era a flexibilização das restrições, a reabertura do comércio e das igrejas, as festinhas e confraternizações com familiares e amigos.

O resultado todos conhecem. 2021 começou com o número de infecções em disparada e, como consequência, pouco tempo levou para que o temido colapso hospitalar e a falta de insumos indispensáveis para o tratamento de pacientes com quadros mais graves de Covid-19 aterrorizassem até as menores cidades do país. O abismo em que a saúde pública se encontrava há menos de um ano parecia interminável. Não foi. Mas nem mesmo os tempos de escuridão nos ensinaram.

2021 terminou como começou, com boletins epidemiológicos evidenciando os efeitos da irresponsabilidade a qual uma parcela significativa da população novamente se rendeu. Filme repetido, crônica de uma tragédia anunciada – outra vez. Pelo menos as vacinas que tantos tentaram – e continuam tentando – descredibilizar têm se mostrado eficientes. Apesar da escalada de infecções e superlotação nas unidades de atendimento, poucos têm necessitado de internação.

Até quando a situação ficará dentro do que, relativamente, pode se considerar sob controle não se sabe. É natural que a ocupação hospitalar aumente com o surgimento de novos casos, principalmente pelo fato de que milhares de pessoas não completaram o ciclo vacinal – muitas sequer iniciaram. O contexto atual reforça que o combate à pandemia não depende exclusivamente das ações do Poder Público. Cabe a cada um fazer a sua parte, e para ontem!


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