Saber escolher é uma obrigação

Domingo é dia de todo eleitor ir às urnas para exercer o direito de escolher quais devem ser seus representantes pelos próximos quatro anos. As eleições municipais deste ano, adiadas em mais de um mês em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), repetem um rito de outros tempos, colocando o poder nas mãos dos cidadãos em uma data muito simbólica, em que se comemora a Proclamação da República do Brasil, ocorrida em 15 de novembro de 1989.

A importância da coincidência, porém, não está tanto ligada ao fato ocorrido há 131 anos, mas sim ao ocorrido 100 anos mais tarde. Enquanto que em 15 de novembro de 1889 um golpe de estado destituía o Imperador Dom Pedro II do poder (diga-se, por razões controversas questionadas ao longo da história), em 15 de novembro de 1989, depois de décadas sombrias e amargas de ditadura militar, os brasileiros voltavam às urnas para a escolha de um presidente por voto direto.

O 15 de novembro de 2020 talvez não fique marcado com tanta intensidade, mesmo que este seja o ano que o mundo enfrentou – e ainda enfrenta – a pior crise sanitária de sua história. Mas a liberdade conquistada por todos sempre terá que ser comemorada. Então, que o mesmo sentimento que cada cidadão carregou consigo até as urnas há 31 anos esteja novamente presente. Que o desejo de construir um lugar melhor para viver guie a escolha que cada um fará.

A democracia, exercida em sua plenitude, permite até que se faça a escolha errada, mas a história não costuma perdoar os equívocos cometidos por nós. Mais do que um direito, o voto é um grande dever. Saber escolher é uma obrigação.

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