Não podemos falhar pela segunda vez

Somente o esforço coletivo pode garantir que tenhamos êxito nesta guerra contra o novo coronavirus (Covid-19), inimigo invisível, mas extremamente nocivo, que desde seu surgimento, no final de 2019, já vitimou cerca de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo e levou à morte mais de 2,2 milhões de pacientes.

No Brasil, com 9 milhões de infectados, a pandemia já matou 220 mil pessoas de norte a sul do país, inclusive em Lençóis Paulista, onde 66 dos quase 5 mil pacientes que contraíram o vírus não resistiram às graves complicações da Covid-19 nesta que se tornou a maior crise sanitária da história recente da humanidade.

Enquanto cientistas do mundo todo se mobilizavam para desenvolver vacinas capazes de combater com eficácia o vírus, coube à população fazer sua parte para minimizar o impacto da pandemia. Sem um antídoto contra um mal ainda desconhecido, só a prevenção ao contágio podia evitar uma catástrofe em escala global.

Pode se dizer que o medo, a insegurança e a incerteza, que dominaram a maior parte das pessoas com o surgimento dos primeiros casos, trataram de assegurar certa efetividade ao isolamento social, ao distanciamento pessoal, ao uso das máscaras e do álcool em gel, além de outras medidas de higiene e segurança.

Entretanto, com o passar dos dias, das semanas e dos meses, mesmo com o avanço cada vez mais contundente do número de casos, internações e mortes, a pandemia, inexplicavelmente, deixou de ser motivo de preocupação para uma parcela considerável da população. Mais do que isso, perdeu o poder de causar comoção.

Nem mesmo o sofrimento dos que passaram semanas lutando para sobreviver; nem mesmo o infortúnio dos que foram vencidos pela doença; nem mesmo a dor dos que perderam seus país, filhos, avós, tios, primos, cônjuges e amigos; nem mesmo a angústia dos que ainda temem perder trouxe de volta a empatia, o respeito ao próximo.

A sociedade falhou na primeira vez em que o contexto exigiu esforço coletivo. Ao ignorar as recomendações da ciência, ao desrespeitar as determinações das autoridades sanitárias, cada cidadão criou – e ainda cria – ao seu redor um ambiente propício para a proliferação do vírus. Todos têm sua parcela de responsabilidade.

A comprovação da eficiência de diversas vacinas e a aprovação do uso emergencial de duas delas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), abriram caminho para o início da imunização no Brasil, por enquanto, para os profissionais da saúde, Mas, em breve, para toda a população do país.

Temos falhado na missão de prevenir o avanço. Não podemos seguir falhando quando chegar a hora da vacinação. Só a participação massiva da sociedade pode encurtar o caminho para a tão desejada imunidade de rebanho. Todos precisam confiar nas vacinas. Todos precisam se vacinar, se não por si próprios, por respeito ao próximo.

Para ajudar sensibilizar a população que ainda demonstra resistência às vacinas, seja por medo de possíveis efeitos colaterais ou por não confiar na eficácia das fórmulas disponíveis. O ECO lança hoje, em parceria com a Revista O Comércio, uma campanha de conscientização. Esperamos que, em breve, todos possamos estar livres deste mal. Só depende de nós, mas de todos nós. Já falhamos uma vez e não podemos falhar pela segunda.

Enquanto isso, cabe ao Poder Público garantir que as vacinas possam ser produzidas no país ou importadas para atender à demanda interna, além de assegurar a agilidade do processo e a eficiência da logística. O momento é de menos politicagem e mais diplomacia. Chega de fazer da pandemia um palanque para fins eleitoreiros.

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