Atentado institucional à segurança pública

Em tempos de crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), Lençóis Paulista, com seus aproximadamente 70 mil habitantes, pode ser considerada um verdadeiro oásis em meio a um enorme deserto de oportunidades instalado no estado de São Paulo – e também no restante do Brasil.

Com investimentos que já ultrapassaram, há tempos, a casa dos R$ 10 bilhões, o megaempreendimento do grupo asiático RGE (Royal Golden Eagle), que transformará a Bracell na maior produtora de celulose solúvel do mundo, trouxe para cá uma realidade vivenciada por pouquíssimas cidades na história do país.

Sabendo disso, desde a época em que literalmente abandonou a Prefeitura da capital – antes da metade do mandato – para concorrer ao posto de governador do estado, João Doria (PSDB), sagaz homem de negócios, nunca perdeu uma única oportunidade de ganhar visibilidade a partir do projeto.

Porém, toda atenção que buscou conseguir para si é inversamente proporcional à atenção que Lençóis Paulista tem recebido de seu governo. Um dos maiores descasos tem sido com a segurança pública, que, justamente por conta da dimensão do empreendimento citado, deveria ser tratada com mais responsabilidade.

Por intermédio de lideranças políticas, a cidade já solicitou reforço do efetivo da Polícia Militar, vinda de novas viaturas, agilidade no projeto de reforma da delegacia da Polícia Civil, entre outras questões. Além de nenhum pedido ter sido atendido, o governador agora pretende enfraquecer o trabalho das forças policiais.

Caso nada seja feito, a partir da semana que vem, a delegacia local – como em dezenas de cidades – não funcionará mais no período noturno e aos finais de semana. Como consequência, as ocorrências de maior gravidade precisarão ser atendidas em Bauru, obrigando o deslocamento de policiais que poderiam estar patrulhando a cidade.

Alguém precisa avisar nosso querido governador que a bandidagem não ‘trabalha’ em horário comercial. Não se trata de mera questão administrativa para reduzir gastos da máquina. Tal medida negligente é um atentado institucional à segurança pública de dezenas de cidades.

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