Aonde tudo isso vai parar?

O ECO tem acompanhado desde o mês de março a variação de preços dos principais itens de consumo das famílias lençoenses. Para isso, com o objetivo de fazer com que a pesquisa representasse da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo de boa parte da população local, foi elaborada uma lista com 50 itens a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Desde então, o que tem sido observado mês a mês é uma grande e interminável tendência de aumento de preços, que reflete a dificuldade que muitas famílias estão encontrando na hora de abastecer a despensa. Em dezembro, pela primeira vez, o custo total da lista – a referência é o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas – atingiu a casa dos quatro dígitos.

Em um dos quatro supermercados visitados pela reportagem o valor chegou a ultrapassar o salário mínimo nacional, que é de R$ 1.045,00. Além de expor a ineficiência dos agentes públicos no controle da inflação sobre produtos de primeira necessidade, os números da pesquisa deixam mais nítido que todo mundo já sabe: ninguém vive dignamente com um salário mínimo.

Só para fins de comparação, de acordo com o último indicador divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), referente ao mês de outubro, para viver com qualidade de vida, uma família de quatro pessoas deveria ter uma renda de, pelo menos, R$ 5.005,91. O valor representa 4,79 vezes o valor do salário mínimo pago atualmente.

Pior do que isso é saber que milhões de brasileiros, em meio à crise econômica que só avança, sequer têm tido o ‘privilégio’ de ter tais R$ 1.045,00 depositados em suas respectivas contas bancárias ao final do mês. A curto prazo, nem mesmo os mais otimistas se arriscariam a dizer que há uma luz no fim do túnel. 2021 não deve ser um ano nada fácil.

A nós, meros cidadãos lutando dia após dia para sobreviver, só resta torcer pela chegada de tempos melhores. A quem nos representa, independentemente da esfera governamental, não. A eles, que recebem muito mais do que um salário mínimo ao final de cada mês – alguns de 30 a 40 vezes mais, cabe encontrar as devidas soluções. É hora de deixar a zona de conforto e parar de botar a culpa na pandemia.

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