Ainda é pouco, muito pouco

Há exatos 20 meses, em março de 2020, O ECO iniciou um acompanhamento mensal de preços com os principais itens de consumo, a partir de uma lista com 50 produtos encontrados frequentemente nos carrinhos de compras dos consumidores lençoenses, definidos por meio de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Coincidentemente, poucas semanas depois, com o número de casos de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) aumentando em todo o país, tiveram início uma série de restrições – necessárias – para frear o avanço do contágio e, como consequência inevitável, a quarentena imposta pelas autoridades trouxe reflexos severos à economia.

De lá para cá, todos têm observado uma escalada interminável de reajustes nas prateleiras dos supermercados, o que eleva significativamente o custo de vida, compromete cada vez mais o orçamento doméstico e, obviamente, diminui consideravelmente o poder de compra das famílias de norte a sul do Brasil.

Apesar de ser nítido que os mais pobres sempre são os mais afetados, esta não é uma realidade que se resume a determinadas classes sociais, pois todos convivem com as altas dos alimentos, dos combustíveis, da energia elétrica, da conta de água, entre tantas outras despesas. Viver com dignidade no Brasil está cada vez mais difícil.

A pesquisa de novembro revela uma pequena redução em todos os estabelecimentos visitados, algo que não havia sido observado desde o início desta recente série histórica. Isso pode ser visto como algo positivo, talvez até um leve indício de recuperação, mas os consumidores ainda acham muito pouco para comemorar.

Calejado de tanto levar porrada no bolso, o cidadão brasileiro está um tanto quanto cético em relação a isso, literalmente igual a São Tomé, desejando ver para crer no que virá. Todos torcem para que as coisas melhorem, mas evitam criar qualquer tipo de expectativa para que no fim não reste só a frustração. Quem tem observado os rumos que o país tem tomado deve concordar que errado ele (o cidadão) não está.


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