Dra. Salete tira dúvidas sobre falta de energia para o sexo e relacionamento com pessoa comprometida

Estou com 37 anos e já não tenho mais interesse sexual pelo meu marido, que tem 40. Ele me cobra muito e diz que não gosto mais dele. Nós dois trabalhamos fora e temos um filho de um ano. Estou sem energia. O que posso fazer? P.F.S., 37 anos.

É muito comum um casal que trabalha e vive o nascimento de um filho se distanciar sexualmente. O trabalho consome muitas horas do dia e, depois, a energia que antes era dirigida ao relacionamento, passa a ser sugada pelas necessidades de adaptação à nova condição de pais e toda a aprendizagem que chega com o filhote. Além disso, há consultas, acompanhamentos, gastos inesperados, desejos e conflitos para serem administrados. A gravidez e o primeiro ano de vida o bebê exigem muito mais da mãe que, por sua vez, tem expectativas altas com relação ao ideal que deve atingir, chegando mesmo à exaustão. O homem pode sentir ciúmes, pois, afinal, já não tem a mesma atenção de antes. Muitos casais se perdem completamente devido às expectativas e frustrações sucessivas. Conversar ou buscar ajuda profissional para resgatar a sintonia pode fazer a diferença.

Há cinco meses, estou me relacionando com um homem casado. Me apaixonei, mas estou me sentindo muito mal. Já tentei terminar várias vezes, mas ele insiste em me procurar. Como eu saio dessa? A.F.S., 28 anos.

Aos 28 anos, a mulher vive muitas incertezas no que se refere aos relacionamentos amorosos. Provavelmente, você já namorou e também se decepcionou. Considerando a rapidez com que as trocas de parceria acontecem atualmente, pode não ter tido a oportunidade de sentir algo mais profundo e duradouro. Desta forma, entre alegrias e decepções, chega o homem perfeito (a paixão nos cega), só que casado. Geralmente, o homem comprometido é encantador, porque vive dividido: em casa, a qualidade da presença é mínima, já com sua paixão dá o seu melhor. Ele se torna o mais perfeito em muitos aspectos, pois, na grande maioria das vezes, alega viver uma situação a qual não consegue mudar (filhos, mulher doente, etc.). Muitas vezes, estão atravessando uma crise séria, distanciamento, falta de diálogo e outras tantas questões que acontecem num casamento, que os deixam vulneráveis e infelizes e, nestas circunstâncias, é provável que um ou outro, para adicionar alegria à vida, se envolva com terceiros. É importante você pensar sobre quanto tempo quer ficar nessa história, até porque, vida de amante não é fácil. Há muito sofrimento e frustração. Quem está casado sempre impõe o ritmo dos encontros e todas as demais condições. É estar quase sempre sozinha. Quando isso tudo acabar, acredito que você não sentirá saudades.

Tenho 22 anos e já fiquei algumas vezes com um cara de 58. Ele é legal e eu até gosto da ideia de continuar, mas minhas amigas acham que não pode dar certo por conta da diferença de idade. Devo tentar? J.C.T., 22 anos.

A diferença de idade num relacionamento afetivo sexual é um fator importante a ser considerado. Num primeiro momento, penso que a curiosidade em conhecer um homem com mais de trinta anos de diferença pode ser tentadora. Logicamente, toda a experiência adquirida por ele com as mulheres deixa qualquer garotão de 30 em desvantagem. Além disso, o que pode te pressionar para que considere a possibilidade é o fato de os relacionamentos amorosos de hoje serem muito conflituosos, principalmente devido ao alto índice de traição. Encontrar alguém que se mostre com outra forma de pensar e agir pode fazer a diferença. É claro que ele já passou por muitas fases na vida e pode ser que não tenha o mesmo interesse como você tem por diversões próprias da sua idade. Não vejo problema algum em tentar, mas tenha em mente que você pode sofrer retaliações dos amigos e críticas da família. A reflexão que está em jogo é se você não está com dificuldades em encontrar uma paixão com idade mais próxima que faça se sentir tão especial quanto ele sabe fazer.


Salete Cortez

SALETE CORTEZ – Formada em Psicologia com especialização em Sexualidade Humana pela USP (Universidade de São Paulo) e em Ciência Psicológica pela Universidade do Minho (Portugal), Dra. Salete Cortez compartilha nesta coluna sua experiência de mais de 30 anos na área, publicando suas reflexões e esclarecendo dúvidas dos leitores sobre sexualidade e relacionamentos.


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