Retomada das atividades físicas pós Covid-19

Segundo pesquisas conduzidas ao longo de 2020, complicações cardiovasculares foram observadas em um número significativo de pacientes que desenvolvem a Covid-19, causada pelo novo coronavírus.

Por conta disso, a SBMEE (Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte) se uniu à SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) elaborando a primeira diretriz a respeito do retorno aos exercícios físicos com segurança após a recuperação.

Embora no início da pandemia se acreditasse que as complicações cardiológicas eram exclusivas dos casos mais graves, hoje, já se sabe que mesmo pacientes com sintomas leves ou assintomáticos podem sofrer os efeitos do novo coronavírus no músculo cardíaco.

Ao entrar no organismo, o vírus pode se alojar no coração e destruir as células. Além disso, a própria infecção leva o sistema imunológico a se defender atacando as células infectadas. Infelizmente, dependendo da gravidade e da reação do corpo, tecidos saudáveis do órgão também podem ser destruídos, o que compromete o seu funcionamento.

Esses processos podem levar a uma miocardite, com o surgimento de áreas com cicatrizes e fibroses que estão relacionadas a arritmias. Uma vez que arritmias ocorrem quando os impulsos elétricos do coração não funcionam adequadamente, é possível entender por que o contexto esportivo demanda cuidados. Afinal, são situações que exigem que o corpo faça esforços, aumentando a necessidade de oxigênio e nutrientes.

Recomendações para a retomada dos exercícios

As pessoas que se recuperaram da Covid-19 devem passar por uma avaliação médica antes de retomar os exercícios. O exame mais indicado é um eletrocardiograma. Já nos casos mais graves e para atletas profissionais, é preciso verificar mais detalhes por meio de exame de sangue, teste ergométrico, holter e ressonância magnética.

Uma vez que a pessoa esteja liberada para retomar as atividades, é preciso garantir que isso aconteça aos poucos. O retorno precisa ser gradativo e vale fazer um fortalecimento muscular antes de partir para o treinamento aeróbico, como correr ou andar de bicicleta.

Segundo os especialistas, mesmo se tudo estiver fluindo bem, sem palpitações, falta de ar ou dor no peito, é importante que seja feita uma reavaliação dois ou três meses depois da liberação inicial. Afinal, como os efeitos do novo coronavírus em longo prazo ainda não são conhecidos, é melhor se precaver de todas as formas possíveis.


Daniel Orsi Covre

DANIEL ORSI COVRE – Formado em Educação Física pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), com pós-graduação em Treinamento Desportivo pela Faculdade Salesiana, Daniel Orsi Covre é professor de natação e já trabalha há mais de duas décadas como personal trainer. Apaixonado pela prática esportiva, nesta coluna ele compartilha um pouco de sua vasta experiência na área.


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