Professor Geraldo se despede de Lençóis

Ciclista, conhecido pelas grandes façanhas sobre duas rodas, se mudou nesta semana para o Tocantins

O período de 35 anos foi mais do que suficiente para o ‘forasteiro’ Geraldo Augusto da Silva, de 77 anos, passar a amar incondicionalmente Lençóis Paulista, mas a longa estadia na “Cidade do Livro” terminou nesta semana para o professor aposentado. Natural do município de Santo Anastácio, no oeste de São Paulo, ele partiu de ‘mala e cuia’ para o estado de Tocantins.

Professor Geraldo, como é mais conhecido, chegou a Lençóis Paulista em 1986, acompanhado da esposa Sebastiana, de 71 anos, e dos três filhos, Ellen, Márcio e Ana Paula, hoje com 50, 47 e 40 anos, respectivamente. Carismático e conversador, não demorou a fazer muitos amigos e estabelecer relações que garante que levará por toda a vida, mesmo estando distante.

“Lençóis Paulista foi uma cidade que acolheu muito bem minha família desde o início. Tenho recebido muitas mensagens e manifestações de carinho nos últimos dias, o que me deixa muito emocionado e me faz questionar se eu mereço mesmo tudo isso. Acho que a ficha ainda não caiu direito. Foram anos maravilhosos e vou sentir muitas saudades do lugar e das pessoas”, ressalta.

Questionado sobre o motivo da mudança, ele revela que os filhos foram há alguns anos para o Tocantins, e que a distância de quase 1,4 mil quilômetros sempre foi um incômodo, principalmente por conta dos netos: Lucas, de 23 anos, Pedro, de 17, Felipe, de oito, Gabriel, de seis, e Rafaela, de apenas dois meses, que o casal ainda não teve a oportunidade de conhecer.

“A família é a base de tudo e nossos filhos sempre desejaram que nós estivéssemos mais perto. Como depois de certa idade são eles que mandam em nós, decidimos acatar agora”, brinca o professor Geraldo, que revela que ele e a esposa vão morar na cidade de Gurupi, onde residem as filhas Ellen e Ana Paula – o filho Márcio mora na capital, Palmas, que fica ao lado.

TRAJETÓRIA
Foto: Arquivo pessoal

Professor Geraldo dedicou toda a vida profissional à educação, a maior parte do tempo na escola Esperança de Oliveira, onde foi diretor por 13 anos, entre 1989 e 2002. Também foi professor primário nas escolas Comendador José Zillo, que funcionava na Usina Barra Grande, e Prof.ª Antonieta Grassi Malatrasi. Antes de se aposentar, em 2005, ainda teve uma passagem pela escola Lina Bosi Canova.

Sempre foi ligado ao esporte, mas, por conta do trabalho, só teve tempo para se dedicar a uma prática frequente após a merecida aposentadoria. Desde então adotou a bicicleta como inseparável companheira de aventuras. Começou em 2005, mas foi em 2007 que o hobby se tornou um esporte e a quilometragem das pedaladas quase que diárias passou a ser contabilizada.

Nos últimos 15 anos, pedalou por incontáveis trilhas, estradas, ruas e rodovias de Lençóis Paulista e região. Também já se aventurou em jornadas para outras localidades, como São Paulo, capital, e outros estados. Apaixonado pelo ciclismo, ele já superou a marca de 170 mil quilômetros pedalados, distância suficiente para dar mais do que quatro voltas completas ao redor da Terra.

Foi o responsável pela criação do grupo de ciclismo Vai Idoso, que reúne dezenas de ciclistas que hoje não se limitam à terceira idade, como no início. Também batalhou, junto às autoridades locais, pela instituição do Dia do Ciclista Lençoense, que foi oficializado por lei e é comemorado anualmente com diversas atividades realizadas no último domingo do mês de novembro.

Sempre disposto, ele diz que, mesmo distante dos amigos, não vai abandonar as pedaladas. “A bicicleta foi a primeira enviada na mudança. Dela não me afasto. Minhas filhas já me disseram que muitas pessoas praticam ciclismo por lá. Enquanto eu tiver forças, vou continuar”, revela o esportista, que teve que diminuir o ritmo por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

Para finalizar, professor Geraldo faz questão de agradecer. “Saio de Lençóis Paulista muito agradecido. Sou grato por todas as pessoas que trabalharam ao meu lado, que pedalaram a meu lado, que dividiram comigo cada momento. Sinto que a pandemia tenha impedido que eu me despedisse pessoalmente de todos, mas deixo aqui o meu obrigado por tudo, inclusive ao Jornal O ECO, que sempre me abriu espaço”, completa.

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