“Precisamos abrir as portas para não depender muito de recursos federais”

Presidente da Câmara Municipal de Borebi avalia que empreendedores precisam de incentivo para investir na cidade

A série especial de entrevistas com os chefes dos Poderes Executivo e Legislativo da microrregião de Lençóis Paulista apresenta nesta edição os principais trechos da conversa com o vereador Roger Martins (MDB), presidente da Câmara Municipal da vizinha cidade de Borebi. Exercendo seu segundo mandato consecutivo ele está à frente da Casa de Leis pela segunda vez.

Nascido em Agudos, mas residindo em Borebi desde a infância, Roger Martins tem 38 anos de idade, é casado e pai de duas filhas. Servidor público há 13 anos, ele se lançou na vida pública em 2012, quando tentou pela primeira vez obter uma das nove cadeiras do Legislativo. Candidato pelo MDB, partido ao qual ainda é filiado, ele terminou as eleições daquele ano com 35 votos, ficando como suplente.

Quatro anos mais tarde, em 2016, novamente colocou seu nome à disposição e conseguiu se eleger com o apoio de 52 eleitores, terminando como o menos votado entre os vitoriosos. Presidiu a Câmara Municipal logo em sua estreia como parlamentar, mas se afastou do cargo depois de um ano. Nas eleições de novembro de 2020, conseguiu se reeleger com 93 votos, encerrando o pleito como o terceiro mais votado.

Na sessão solene que marcou a posse dos eleitos para o biênio 2021/2024, realizada no dia 1 de janeiro, foi escolhido pela maioria dos vereadores para regressar à presidência, superando o vereador João Lima de Sousa (PSDB). Tem ao seu lado na Mesa diretora os vereadores Marcos Pontes (MDB), Reginaldo Martins (PV) e Cezar Nunes (MDB) como vice, primeiro e segundo secretários, respectivamente.

Na presente entrevista, realizada na semana passada, na sede da Câmara Municipal de Borebi, Roger Martins resumiu um pouco de sua breve trajetória na política, fez um balanço de sua atuação como vereador, falou da relação entre Poder Legislativo e Poder Executivo e comentou sobre os desafios em tempos de pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Confira abaixo os principais trechos:

O ECO – Você está em seu segundo mandato e, pela segunda vez, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Borebi. O que te trouxe para o meio político e te fez querer seguir carreira nesta área? Fale um pouco de sua trajetória.

Roger Martins – Sempre quis buscar o melhor para a cidade e, por isso, sempre conversava com os vereadores e com os prefeitos para reivindicar algo. Tive alguns pedidos atendidos e isso foi me incentivando. Como sempre estava no meio político, um dia pensei que podia tentar ser vereador. Me candidatei pela primeira vem em 2012 e fiquei como suplente pelo MDB, com 35 votos. Em 2016, busquei novamente uma cadeira e tive êxito. Fui o menos votado entre os nove vereadores, com 52 votos. Assim que assumi, em 2017, fui eleito para a presidência da Câmara, cargo que exerci por um ano, até precisar me afastar por questões particulares. No meu primeiro mandato, lutei muito para conseguir verbas para o município. Tenho ótima relação com alguns deputados, além de vereadores de outras cidades, que também me ajudaram, como o Manezinho (Manoel dos Santos Silva, atualmente vice-prefeito de Lençóis Paulista), que me ajudou a conseguir um campo de futebol society. Creio que fiz um bom trabalho na cidade, ouvindo a população que mais necessita, trazendo verbas, tanto que busquei a reeleição em 2020 e terminei como o terceiro mais votado, com 93 votos, quase o dobro do que tive em 2016.

O ECO – E como está sendo o início de legislatura, novamente como presidente do Poder Legislativo?

Roger Martins – Assumi novamente a presidência e, junto com meus colegas vereadores, pretendo fazer um bom trabalho à frente da Câmara Municipal, defendendo os interesses da população, que é o mais importante. Quero ajudar Borebi junto com o Poder Executivo. Sou do mesmo partido que o prefeito Chiquinho (Anderson Pinheiro de Goes), com quem tenho uma amizade de muitos anos. Pretendo fazer um trabalho com cobrança, mas sempre pensando no melhor para a cidade. Inclusive, já viajamos juntos para São Paulo em busca de recursos. Vamos procurar manter esta parceria pelo desenvolvimento de Borebi. É disso que a cidade precisa.

O ECO – Borebi é uma cidade pequena, com pouco mais de 2,6 mil habitantes, o que facilita o contato da população com os agentes públicos, seja do Legislativo ou do Executivo. Por esta característica de proximidade, presume-se que a cobrança acaba sendo maior. Como é ser vereador em Borebi?

Roger Martins – Eu gosto, porque amo a cidade. Nasci em Agudos, mas estou aqui desde a minha infância. Sou amigo de todos, não tenho inimizade nenhuma. Converso com todo mundo e os que me procuram obtêm uma resposta. Posso não saber na hora, mas sempre busco a informação para dar um retorno. Nós, vereadores, quando somos procurados pela população, temos que agir com verdade e humildade. Borebi tem muita cobrança pelo fato de todos os vereadores serem conhecidos. Todos sabem onde moram os vereadores, onde mora o prefeito. Mas a população é acolhedora, sabe de nosso trabalho e sente confiança. Eu também sou funcionário público há 13 anos e ando pela cidade toda. Conheço todo mundo e sou cobrado por todo mundo, mas sinto que tem aquele carinho especial quando demonstramos o que estamos fazendo. Sempre uso muito as redes sociais para informar a população sobre o que está sendo feito. A cobrança é grande, mas acredito que tem que ser assim mesmo. Sou a favor da cobrança e até sinto falta das pessoas na Câmara Municipal. Na época da eleição, a cidade toda se envolve, mas, no dia a dia, sentimos falta da população para acompanhar o trabalho do vereador. Muita gente é envolvida com a política, mas não sabe como funciona o Legislativo, como é o trabalho do vereador. Todos que estão aqui se dedicam e gostam do que fazem, gostam de representar a população.

O ECO – Ainda estamos em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), com muitos desafios para as administrações municipais, o que envolve tanto o Poder Executivo quanto o Poder Legislativo. Além da questão sanitária, há o impacto econômico, que tem sido grande. Em sua opinião, qual deve ser o maior desafio? A busca pela recuperação deve exigir um empenho maior?

Roger Martins – Vai exigir bastante. Nossa cidade depende muito de recursos do Governo Federal. Em termos de arrecadação, temos empresas que representam em torno de 4% do orçamento. Precisamos trazer mais empresas para a cidade, ceder áreas para quem quer investir. Precisamos abrir as portas para não depender muito de recursos federais, porque, quando o repasse diminui, a cidade sente muito. Este é o desafio que está lançado. Esperamos que a vacina (contra a Covid-19) chegue para resolver o problema da saúde para que possamos focar no problema da economia, que afeta não só os pequenos, mas também os grandes empreendedores. A luta é grande, mas é possível com gestão pública bem feita e apoio da população. Vai ser difícil, mas tenho certeza que vamos conseguiu dar a volta por cima, fazer a cidade prosperar abrindo as portas para novas empresas e trazendo empregos.

O ECO – Em um contexto de baixa arrecadação e queda de repasses dos governos Federal e Estadual, a participação dos vereadores é fundamental para que as coisas evoluam. Com tem sido o contato com deputados federais, deputados estaduais e até mesmo com senadores para viabilizar a vinda de recursos para o município?

Roger Martins – O trabalho do vereador é sempre muito importante para ajudar o prefeito nesta questão. Tenho uma relação muito boa com o deputado federal Ricardo Izar (PP), que ajuda muito o município e a região. Conseguimos muitas emendas nas áreas da saúde, infraestrutura e castração de animais. Precisamos manter esse contato, porque a cidade é pequena e, sem a ajuda dos deputados, não conseguiremos fazer nada. Buscar recursos é uma função que não depende só do prefeito. O trabalho do vereador tem que ser como o de formiguinha, um pouquinho aqui, um pouquinho ali. É muito importante e necessário para a cidade que cada vereador tenha um deputado para representar.

O ECO – O ex-prefeito Antonio Carlos Vaca faleceu no ano passado, vitimado pela Covid-19 em pleno exercício de seu terceiro mandato. É notório que ele deixou um importante legado político. Como tem sido esses meses após sua morte?

Roger Martins – Não foi fácil para quem convivia muito com ele. Quando eu viajava junto com o Vaca para Brasília e para São Paulo via o empenho dele para buscar verbas, o conhecimento que ele tinha, sua relação com os deputados federais e estaduais. Onde ele chegava, todos o conheciam pelo nome. Ele era muito respeitado. Sabia onde estava entrando e nunca voltou com as mãos vazias embora, sempre com uma resposta positiva. Está fazendo muita falta para a cidade, porque deixou um grande legado, mas eu confio muito no Chiquinho. Ele sempre foi envolvido com a política, foi três vezes vereador e é uma pessoa que gosta do que faz. Tive o privilégio de tê-lo como assessor e ele me ajudou muito no começo. Nos últimos anos, sempre esteve ao lado do Vaca, foi vice quando eles perderam a eleição, em 2012. O Vaca tem um legado que ninguém apaga. A história dele vai ficar para os netos e bisnetos, mas é hora de ‘tocar a bola para a frente’, porque a cidade precisa que todos se recuperem do baque que foi a perda dele. Precisamos buscar forças para continuar, porque a população precisa muito de nós. A dona Leila Ayub (viúva do ex-prefeito Vaca) é a vice e também tem muita bagagem na política. É uma dobradinha que deu certo. Torço muito pelo Chiquinho. Acredito que ele vai ser um ótimo prefeito e construir o seu legado também. Mas a cobrança vai existir, até pelo fato de ser amigo, não quero que faça algo errado. Sempre vou cobrar para que ele faça o que é certo. Sei que fará.

O ECO – Para encerrar, quais são suas considerações finais?

Roger Martins – Em primeiro lugar, agradeço pela oportunidade e digo que as portas da Câmara Municipal de Borebi sempre estarão abertas. Agradeço a toda a população de Borebi por ter acreditado em meu trabalho, acreditado que eu podia continuar fazendo o melhor para a cidade. Agradeço a Deus, a meus familiares, amigos, eleitores. Todos podem contar com meu empenho para o desenvolvimento do município. Trabalho com amor, respeito e verdade. Quero sempre fazer o melhor para a população e para a cidade. Contem comigo e com os demais vereadores. Tenho certeza que todos vão representar a população com bastante garra e eficiência.

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