Lista com principais itens de consumo pode custar mais de R$ 1.070

Valor dos produtos mais consumidos pelas famílias lençoenses sofreu reajuste de mais de 20% nos últimos 12 meses

O cenário ainda está muito distante do que pode ser considerado um alívio para o consumidor de Lençóis Paulista, mas a pesquisa mensal realizada pela reportagem de O ECO revela que fevereiro começou com redução de preços nos principais produtos consumidos pelas famílias locais. Três dos quatro estabelecimentos visitados na última quarta-feira (3) estavam comercializando os itens com valores abaixo dos encontrados no mês anterior. Um dos locais, porém, teve aumento.

Entre os estabelecimentos em que a Pesquisa O ECO apontou redução geral no custo da lista de 50 itens considerados como referência para o acompanhamento mensal (confira no box abaixo), o Supermercado 2 foi o que apresentou maior queda de preço, de 2,76%, com o valor dos produtos passando de R$ 1.050,50 para R$ 1.021,48 de janeiro para fevereiro.

O Supermercado 1, que segue oferecendo os preços mais em conta, teve a segunda maior redução do mês, de 1,69%, com o preço da lista caindo de R$ 1.019,27 para R$ 1.002,05. O Supermercado 4, por sua vez, registrou uma variação negativa quase que imperceptível, de 0,14%, baixando o custo total dos produtos em apenas R$ 0,59, de R$ 1.032,99 para R$ 1.031,58.

Na contramão dos concorrentes, o Supermercado 3 foi o único que promoveu aumento de preço na soma dos 50 itens pesquisados. O local, que comercializava os produtos a R$ 1.042,56 em janeiro, aplicou um reajuste de 2,72%, elevando o valor total da lista para R$ 1.070,95, o maior já registrado desde que o jornal voltou a fazer o acompanhamento mensal, em março do ano passado.

AUMENTO FOI DE MAIS DE 20% NO ÚLTIMO ANO

A tendência de aumento de preço dos principais itens de consumo tem sido acompanhada pela reportagem de O ECO desde março de 2019, quando o jornal voltou a publicar mensalmente a pesquisa. Nos últimos 12 meses, em meio a um cenário de grave crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), com muitos trabalhadores perdendo seus empregos ou tendo redução de jornada, as famílias locais viram o custo de vida aumentar a cada mês.

Em março de 2019, o custo total da lista de 50 itens variava entre R$ 839,86 (Supermercado 1), R$ 862,64 (Supermercado 2), R$ 890,43 (Supermercado 3) e R$ 841,70 (Supermercado 4). A comparação com os valores apontados pela pesquisa deste mês, que foram de R$ 1.002,05, R$ 1.021,48, R$ 1.070,95 e R$ 1.031,58, respectivamente, revela altos índices de reajuste no período, de 19,31%, 18,41%, 20,27% e 22,56%, com média de 20,14%

Até a lista com os produtos mais baratos encontrados em cada estabelecimento teve uma alta considerável, passando de R$ 768,32, em março de 2019, para R$ 922,61 neste mês, o que representa alta de 20,08%. Considerando a hipótese de um consumidor que comprava apenas os produtos mais baratos em 2019 optar por fazer suas compras no supermercado de maior preço deste mês, o aumento pode chegar a 39,39%, com o custo indo de R$ 768,32 para R$ 1.070,95.

Com pesquisa, economia pode passar de R$ 148

Também houve redução no custo da relação dos produtos mais baratos encontrados em cada estabelecimento visitado. Em janeiro, os itens mais em conta custavam R$ 941,98. Já neste mês, com redução de 2,06%, o valor da ‘lista baratinha’ chegou a R$ 922,61. Enquanto que no mês passado a economia em relação ao supermercado mais caro totalizava R$ 108,52, neste mês, o consumidor pode poupar até R$ 148,34 observando melhor os preços.

A diferença significativa aumenta ainda mais a importância da boa e velha pesquisa. É o que pensa a dona de casa Maria de Fátima Resende, de 45 anos. “Com os preços subindo cada vez mais, não podemos nos dar ao luxo de dispensar a calculadora. Eu sempre pesquiso para aproveitar as promoções. Fico sempre de olho nos jornaizinhos de ofertas. Também passei a vir mais ao supermercado ao invés de comprar tudo de uma vez”, revela.

A vendedora Maria Cecília dos Santos, de 32 anos, comenta que nunca teve hábito de frequentar mais de um supermercado para abastecer a despensa, mas revela que passou a dar mais atenção aos preços nos últimos meses. “Em casa, como somos apenas eu e meu esposo, nunca gastamos mais do que R$ 600 para comprar as coisas básicas. Mas, de repente, tudo começou a aumentar muito. Em dezembro, nossas compras passaram de R$ 1000”, revela.

O marceneiro Jorge Moreira, de 41 anos, conta que quem tem reclamado da situação são os pais, Nivaldo e Patrícia, que são do grupo de risco e delegaram a função de ir ao supermercado aos filhos. “Desde o início da pandemia, tenho revezado com minha irmã para fazer as compras dos meus pais, mas, como eles sempre foram muito criteriosos com os preços e nós não temos muito tempo de ficar pesquisando onde está mais barato, eles perceberam a diferença. Não estão gostando nem um pouco”, diz.

Entenda como é feita a pesquisa mensal

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de Mercearia, 10 de Açougue, 10 do setor de Hortifrutigranjeiros e 10 de Higiene e Limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.

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