Dos palmeirenses… são-paulinos, santistas, corintianos…

LUGAR DE AMIGOS – Alexandre diz que trabalho no bar é como uma terapia

Muitas das pessoas que gostam de assistir aos jogos de futebol com os amigos já frequentaram o Bar Chopileque em Lençóis Paulista. Talvez nem saibam disso, porque há muito tempo ele não é conhecido por esse nome, mas apenas como o "Bar do Alexandre". Este sim, muita gente conhece. O local, que completa 28 anos de funcionamento em outubro, sempre no mesmo lugar, na Avenida Ubirama, também é ponto de encontro para o pessoal que gosta de jogar sinuca e fazer um churrasquinho. 
O proprietário, Alexandre Luiz Diegoli, de 58 anos, conta que a ideia de abrir o bar não foi sua, e sim de sua esposa, Aparecida Garcia Diegoli, ou apenas dona Cida, com quem é casado há 32 anos e tem dois filhos. Ele lembra que para ter uma renda extra os dois vendiam salgados no Varejão Municipal e foram juntando dinheiro para construir o prédio na frente da casa onde moravam (ainda moram) com seus pais, seo Armando Diegoli e dona Pedrina Isabel Frezza Diegoli, hoje com 88 e 83 anos.
O esforço foi grande e o desejo se concretizou em 1988, quando finalmente abriram as portas. Durante mais de 20 anos, quem cuidava do bar durante o dia era dona Cida, já que Alexandre também trabalhava fora e só chegava ao local depois de seu expediente. Segundo ele, a jornada dupla era complicada, mas o bate papo com os clientes ajudava a esquecer do cansaço.
Aposentado desde 2011, depois de 33 anos trabalhando no setor administrativo da CPFL, agora ele só se dedica ao bar. E não pensa em parar tão cedo. "Até já pensei, mas se eu fizer isso vou ficar doente. Isso aqui serve como uma terapia. Muitos dos clientes frequentam o bar há muito tempo, alguns desde o início, e já se tornaram amigos da gente. Não é só trabalho, é lazer também. Aqui a gente descontrai, bate papo e se diverte”, ressalta.
BAR DE TODOS
Conhecido também como o "Bar dos Palmeirenses", por conta da decoração que remete ao alviverde paulista, o bar ostenta nas paredes as fotografias da ilustre visita de Ademir da Guia, o Divino, um dos maiores ídolos do clube, que esteve no bar em 2014. Porém, Alexandre faz questão de ressaltar que torcedores de todos os times são bem vindos. "Esse nome acabou pegando por conta da torcida Mancha Verde que frequentava aqui em dias de jogos do Palmeiras, mas aqui sempre foi aberto para todo mundo", comenta.
E esse tipo de preconceito realmente parece nunca ter existido ali. O local também sempre foi muito frequentado por são-paulinos, santistas e corintianos, que se reúnem lá para assistir aos jogos. Durante muito tempo, aliás, o bar foi um dos únicos estabelecimentos da cidade com TV por assinatura, portanto, um dos poucos lugares onde era possível assistir aos jogos que os canais abertos não transmitiam.
Um bom investimento, pois apesar de no início a “regalia” ter sido relativamente cara perto dos dias de hoje, o retorno era compensador. "O movimento era muito grande em dias de jogos importantes. Chegava a vender mais de 10 caixas de cerveja e 500 salgados nos dias de maior movimento", lembra.
Mas se o bar é palmeirense apenas na fama, de seu dono não pode se dizer o mesmo. Esse sim é torcedor roxo, ou, melhor dizendo, verde. Lá ele acompanhou várias conquistas do Palmeiras, a mais impactante foi a do Campeonato Paulista de 1993, quando o verdão venceu o Corinthians por 4 a 0. “Fazia 16 anos que o Palmeiras não ganhava um título. O pessoal comemorou bastante”, relata.
Mas também teve o oposto, como em 2000, na decisão da extinta Copa Mercosul, quando, depois de verem o Palmeiras terminar o primeiro tempo vencendo o Vasco por 3 a 0, os torcedores que já comemoravam o título viram os cariocas virarem o placar e vencerem por 4 a 3, com um gol marcado por Romário nos acréscimos. “Nesse dia, o pessoal foi embora sem nem mesmo terminar de tomar a cerveja”, brinca.
Apesar da rivalidade dos torcedores adversários, que muitas vezes frequentavam o bar juntos, um dos motivos de maior orgulho de Alexandre é o fato de no bar nunca ter havido uma briga ou confusão. “Nunca deixei que o pessoal passasse dos limites e eles sempre respeitaram o lugar”, destaca.

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