Cavalos doando a liberdade

RESULTADO – Breno participa das sessões há seis anos e obteve um grande avanço no desenvolvimento (Foto: Elton Laud/O ECO)

O jovem Breno tem nove anos e sofre de autismo, um transtorno de desenvolvimento que o faz viver com algumas limitações, mas que não o impede, porém, de manter sempre um brilho de felicidade no olhar. Quem o vê hoje em dia nem imagina que nem sempre foi assim. Há alguns anos ele sequer andava e pouco interagia com as pessoas e o ambiente ao seu redor. Hoje, as limitações ainda existem, mas os avanços são visíveis, graças a um acompanhamento multi e interdisciplinar realizado pela equipe do Centro de Equoterapia Equus Vita, em Lençóis Paulista.
“O Breno, desde pequeno, teve acompanhamento de diversos profissionais, mas depois da equoterapia o desenvolvimento melhorou bastante. Ele começou com três anos e de lá para cá percebemos muitas mudanças. Até os cinco anos ele nem andava, hoje ele caminha quase que normalmente. Às vezes ele fica um pouco nervoso, agitado, mas gosta bastante dessa interação com os cavalos. Isso tem sido muito importante”, conta a mãe, Renata Isabel Mendes, que acompanha o filho nas sessões toda semana.
O caso de Breno é apenas um exemplo. Em 14 anos de atividades, o Centro de Equoterapia Equus Vita já ajudou a melhorar a qualidade de vida de muitos praticantes, sempre utilizando o cavalo como uma importante ‘ferramenta’ para o tratamento complementar e reabilitação física e mental de pessoas com alguma necessidade especial.
O projeto, que foi idealizado pelo coordenador da Associação Rural de Lençóis Paulista (ARLP), José Oliveira Prado, hoje conta com apoio da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e da Prefeitura Municipal, que, por meio de um convênio, repassa uma subvenção anual para ajudar na manutenção das atividades. O Centro também recebe recursos provenientes da Facilpa (Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Lençóis Paulista), organizada pela ARLP.
A fisioterapeuta Rita de Cássia Bertoletti revela que a equoterapia é indicada a partir dos dois anos de idade e pode resultar em avanços significativos em praticantes com os mais variados tipos de patologia. O objetivo do tratamento é potencializar as intervenções terapêuticas feitas por outros profissionais nas clínicas, de acordo com a necessidade de cada praticante.
“Tratamos pessoas com Paralisia Cerebral, Síndrome de Down, Autismo, Acidente Vascular Cerebral (AVC), Traumatismo Raquimedular, Esclerose Múltipla, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, dificuldade de aprendizagem e até depressão. A partir de uma indicação médica, fazemos uma avaliação para identificar quais as dificuldades de cada pessoa e traçamos um objetivo. Cada praticante tem suas particularidades, alguns se beneficiam mais com a postura, outros com a atenção, o equilíbrio. Depende de cada patologia e da dificuldade de cada um”, explica.
O tempo mínimo de tratamento é de seis a oito meses. Os praticantes recebem acompanhamento, geralmente, durante dois anos, porém, segundo a psicóloga Maísa Campanhoni, existem casos que ultrapassam esse período por necessidade. “Se a gente avaliar que a pessoa pode se beneficiar com a continuidade o tratamento continua. Cada caso é um caso. Já atendemos um senhor com sequelas de AVC por seis anos. Ele chegou na cadeira de rodas e saiu no andador. Teve um avanço muito grande por conta da continuidade”, comenta a profissional, que lembra que alguns pacientes também acabam retornando por conta de nova indicação médica.
A fonoaudióloga Vanessa Coneglian de Góes, que integra a equipe desde a criação do Centro, explica que durante as sessões todos os praticantes são acompanhados de forma multidisciplinar, de acordo com a indicação de cada patologia, e que, além da interação com os cavalos e com o ambiente como um todo, durante a terapia eles recebem diversos estímulos que ajudam no resultado.
“Acompanhamos praticantes que possuem desde alguma limitação física até psicológica. Cada um responde de um jeito e cada caso necessita de algo diferente. Utilizamos muitos materiais pedagógicos para auxiliar no tratamento, para trabalhar a concentração, a atenção, entre outras coisas. Com as crianças, também realizamos atividades mais lúdicas, com fantoches, música, jogos, livros”, comenta.
Atualmente o Equus Vita conta com uma equipe formada por sete profissionais de diversas especialidades, como fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. O Centro atende hoje 42 pessoas, mas tem capacidade para chegar a 50.
SERVIÇO
O Centro de Equoterapia Equus Vita funciona no Recinto de Exposições José Oliveira Prado (Facilpa). O atendimento é realizado gratuitamente, de segunda a quinta-feira, das 7h30 às 11h30, e de segunda, terça e quinta-feira, das 13h às 17h. Mais informações podem ser obtidas diretamente no local com os profissionais, pelo telefone (14) 3263-1411, ou pela página no Facebook: www.facebook.com/equoterapia.equusvita.

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