Arte que faz bem aos ouvidos

OFICINA – Zé Matias começou a criar seus próprios instrumentos há dois anos (Foto: Gabriel Cochi/O ECO)

A próxima quarta-feira (22) marca as comemorações pelo Dia do Músico, data escolhida por coincidir com o dia da padroeira dos músicos, Santa Cecília. Para prestar uma homenagem a todos os músicos de Lençóis Paulista e região, nada melhor que contar a história de alguém apaixonado pela música: José Carlos Matias, de 58 anos.
Nascido em Lençóis Paulista, Zé Matias, como é conhecido, é envolvido com música desde pequeno. Ele lembra que tudo começou aos seis anos, quando ganhou um violão de seu falecido pai, Francisco Matias, e que o acompanhando nos encontros de violeiros que acontecia na cidade viu crescer sua paixão pela arte que faz bem aos ouvidos.
Com o tempo, passou das cordas para os sopros e, em 1991, quando tinha 32 anos, se especializou em saxofone no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, em Tatuí. De lá para cá nunca mais parou de tocar e, como saxofonista, integrou por mais de 16 anos a Orquestra Municipal de Sopros e também fez parte de vários grupos musicais da região.
Atualmente, se dedica à Orquestra de Maracatu Peito Aberto, através da qual acabou descobrindo outro dom: a confecção de instrumentos, atividade que desenvolve há cerca de dois anos. Alfaias, caixas, gonguês e agbes são alguns dos instrumentos produzidos por ele. Tudo começou pela necessidade e pela falta de recursos, mas acabou se tornando uma grande paixão.
Em sua oficina, além de produzir os instrumentos de percussão utilizados pela Orquestra de Maracatu, também faz reparos em instrumentos de sopros e se dedica a produção de instrumentos musicais em miniatura, os quais, inclusive, estão expostos na Casa da Cultura Prof.ª Maria Bove Coneglian, desde a segunda-feira (10).
Apesar de toda a paixão, Matias conta que a música é apenas um hobby. “Fiz muitos cursos em outras áreas também e hoje sou representante comercial de uma empresa que não é na área da música, viver só de música é difícil, a não ser para quem tem a sorte grande de ficar famoso”, brinca o lençoense, que também é presidente da Amalp (Associação de Música e Arte de Lençóis Paulista), criada em 2011.
“Eu sou presidente da Associação porque eu gosto muito de música, mas não vou dizer que é fácil estar envolvido. Não há muitos investimentos voltados a isso, mas a gente vai levando”, explica Matias, que acredita que em uma cidade onde há muitos cantores e instrumentistas formados deveria haver mais incentivo para a música.
Apesar disso, ele não vê sua vida sem a música. “Ser considerado um músico na cidade e veterano no grupo de Maracatu é uma satisfação enorme. A música preenche todos os vazios dentro da gente e se transforma em alegria. A música só faz bem para a vida das pessoas”, finaliza Zé Matias.

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