Casos de violência doméstica aumentam 13% na região
Área de cobertura da 5ª Cia da Polícia Militar já registrou 226 ocorrências apenas neste ano
Casos de violência doméstica aumentam 13% na região
SINAL VERMELHO - No estado de São Paulo, número de ocorrências de violência doméstica teve aumento de 44,9% na quarentena (Foto: Divulgação)
Em meio à pandemia, uma dura realidade, mascarada em muitos lares, tem se tornado mais visível aos olhos da sociedade. O número de casos de violência doméstica vem crescendo de forma substancial no mundo inteiro, principalmente neste período em que diversos países adotaram medidas de isolamento social para frear o avanço do novo coronavírus (Covid-19). 
No Brasil, não é diferente. Segundo uma pesquisa realizada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), só no estado de São Paulo, onde a quarentena foi adotada no dia 24 de março, o número de ocorrências de violência doméstica teve aumento de 44,9%, com o total de atendimento prestados pela Polícia Militar passando de 6.775 para 9.817.
Um levantamento feito pela reportagem de O ECO mostra que Lençóis Paulista, na comparação com o mesmo período de 2019, manteve os índices praticamente estabilizados durante os primeiros seis meses deste ano. De janeiro a junho, a 5ª Cia da Polícia Militar registrou 91 ocorrências, ante 90 no ano anterior. Os dados são mais expressivos quando analisados os demais municípios cobertos pela 5ª Cia da PM (Agudos, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Lucianópolis, Paulistânia e Ubirajara), com aumento de 13%, de 201 para 226 casos.
“É mais delicado analisar esse tipo de crime, pois o que pode acontecer é que os índices mostrem uma falsa realidade. Vale lembrar que muitos casos de violência doméstica são subnotificados, porque há o medo e a resistência da vítima em denunciar. Em outros casos, mesmo quando um policial é solicitado, no local a vítima acaba descaracterizando o registro. Sem contar a dificuldade concreta de contato presencial com as instituições de proteção no período da pandemia”, explica o Capitão Marcelo Paes, comandante da 5ª Cia.
Segundo outra análise feita por ele, muitos casos são denunciados pelas vítimas em outros canais de comunicação, como a própria Assistência Social. “Esse tipo de crime requer um cuidado que vai além da alçada da PM. Envolve todo um trabalho social que inclui outros órgãos municipais e até estaduais”, completa.
Para criar uma comunicação efetiva, desde o mês de maio, Lençóis Paulista conta com o Boletim Social, ferramenta criada pela Polícia Militar para promover a integração com os órgãos de proteção social, como Assistência Social, Conselho Tutelar, Ministério Público, entre outros. O objetivo é realizar a notificação de pessoas em situação de vulnerabilidade ou com problemas sociais constatados durante a atuação da PM.
“Para o Ministério Público, esta medida está sendo importante, porque, assim, nós conseguimos dar um encaminhamento mais efetivo, um atendimento melhor às situações envolvendo pessoas vulneráveis, como as vítimas de violência doméstica, de uma maneira integrada entre os órgãos de proteção e a Polícia Militar”, reforça Dra. Débora Orsi Dutra, promotora de Justiça.
Saiba como registrar casos de violência doméstica
Além do encaminhamento efetivo da Polícia Militar através do Boletim Social, denúncias podem ser feitas pela vítima via telefone, pelo Ligue 180, especializado no atendimento à mulher em situação de violência; pelo Disque 100, para denúncias de violações aos direitos humanos; pelo telefone 190, da Polícia Militar, e pela internet, através da Delegacia Eletrônica disponível no site da Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado de São Paulo (www.ssp.sp.gov.br). Além do registro, as vítimas desse tipo de violência também podem solicitar medidas protetivas sem sair de casa, garantindo sua segurança em relação aos agressores.
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