Materiais escolares podem variar até 149% de um local para outro
Levantamento feito pelo ECO também aponta que produtos mais sofisticados podem ser 32 vezes mais caros que os populares
Materiais escolares podem variar até 149% de um local para outro
SEM PRESSA - Pais que não quiserem gastar demais não podem fugir da boa e velha pesquisa de preços (Foto: Flávia Placideli/O ECO)
O começo de ano marca a volta de algumas dores de cabeça para o brasileiro. Além das contas, impostos e dívidas, o gasto com os materiais escolares dos filhos também é uma das preocupações para os pais. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae), nesta volta às aulas os itens devem estar, em média, 8% mais caros do que em 2019.
Além da inflação, a alta nos preços praticados também pode ter relação com o período em que os pais decidem fazer as compras dos materiais escolares, como alguns que deixam para a última semana e acabam pagando mais caro. Porém, não é o que se vê em uma das principais papelarias da cidade, que já registra grande fluxo de pessoas à procura dos melhores preços.
A dica para economizar continua sendo a boa e velha pesquisa, pois o custo de um mesmo produto pode variar bastante de um local para outro. Para ajudar, a reportagem do Jornal O ECO esteve em três lojas que comercializam materiais escolares em Lençóis Paulista e coletou os valores dos principais produtos que compõe a lista básica das escolas locais.
A maior diferença foi apurada no tubo de cola branca de 40 gramas, da marca VMP, vendido de R$ 1,20 a R$ 2,99, o que representa variação de 149,16%. O segundo lugar ficou com a tesoura sem ponta, da marca Tris, encontrada de R$ 5,99 a R$ 9, com diferença de 50,25%. Já a caixa de lápis de 12 cores, da marca Molin, que custa de R$ 14 a R$ 19,99, apresenta variação de 42,78%.
Outros produtos têm diferenças menores, mas que também devem ser consideradas na hora das compras. O caderno de 10 matérias com 200 folhas, da marca Tilibra, vendido de R$ 9 a R$ 11,20, mostra variação de 24,45%. Já o pacote de papel sulfite branco com 100 folhas, da marca Chamequinho, encontrado de R$ 5,99 a R$ 7, apresenta diferença de 16,86%.
Entre os 16 itens pesquisados, apenas a borracha macia de tamanho médio, da marca Mercur, não apresentou diferença de preço, vendida a R$ 0,50 em todos os estabelecimentos visitados. Considerando que em alguns casos as listas de materiais escolares podem conter mais de 50 itens, a solução para não gastar demais é fazer tudo com tempo e paciência.
Marcas tradicionais podem custar até 3.266% a mais
O gasto com os materiais escolares pode ser bem maior para os consumidores que optam pelos produtos de marcas mais tradicionais. A diferença de preço entre os itens mais baratos e os mais caros encontrados pode ser assustadora. A maior oscilação de valor é do estojo, que pode chegar a 3.266,66%, indo de R$ 3 até R$ 101, dependendo da marca e modelo.
O preço da borracha branca macia de tamanho médio varia até 3.200%, de R$ 0,20 a R$ 6,60. O apontador com depósito, que custa de R$ 0,45 a R$ 11, apresenta diferença de 2.344,44%. O lápis preto nº 2, que pode ser encontrado de R$ 0,30 a R$ 6,60, oscila até 2.100%. Já a mochila, que pode ser encontrada a R$ 20 e a R$ 359, têm variação de 1.695%.
Para atender todos os perfis de público, muitas lojas apostam na variedade. “A inflação atingiu todos os setores, inclusive o de papelaria. Então, diversos produtos tiveram alta nos preços. É fundamental trabalhar com diversas marcas e modelos que consigam atender a todos os gostos e rendas”, destaca Sara Palma Andreoli, proprietária de uma papelaria, que também fala da importância do quesito qualidade.
“Produtos que são de valor médio ao mais alto, por exemplo, não dizem respeito só ao nome da marca, mas também à qualidade e durabilidade, ou seja, alguns produtos de uma marca mais conceituada no mercado podem durar um ano ou até mais, já os mais baratos podem não ter uma estrutura tão sólida/rígida e não finalizarem o ano letivo, dependendo de como ele for usado”, acrescenta a empresária.
Personagens infantis continuam sendo os grandes vilões
Produtos com personagens infantis continuam sendo os grandes vilões da economia para os pais. Segundo o levantamento do Jornal O ECO, os itens com temas relacionados aos personagens populares entre as crianças e adolescentes são os mais caros do mercado, podendo custar quase três vezes mais do que os produtos da mesma marca, sem personagens.
O caderno espiral com 96 folhas, da marca Tilibra, por exemplo, é vendido de R$ 6,20 (simples) a R$ 22,40 (personagem), com variação de 261,29%. O brochura com 96 folhas, da marca Foroni, encontrado de R$ 4,10 (simples) a R$ 10,90 (personagem), tem diferença de 165,85%. Já o estojo de canetinhas com 12 unidades, da marca Molin, que vai de R$ 9,99 (simples) a R$ 19,99 (personagem), oscila 100,10%.
 “Os cadernos que trazem personagens estampados na capa geralmente são de capa dura, possuem folha envelope, trazem uma folha com adesivos do personagem, ou seja, o produto traz agregados que a própria marca exige para que ela tenha um valor de mais conceito no mercado. Então, temos que ser coerentes, o produto é mais caro porque ele realmente vale mais”, ressalta Sara Palma Andreoli.
Expectativa do setor é de aumento nas vendas
Além das lojas especializadas na venda de materiais escolares, Lençóis Paulista tem diversos estabelecimentos que apostam nos itens sazonais para aumentar os ganhos no período. Em ambos os casos, o clima é de otimismo entre os comerciantes entrevistados pela reportagem.
Exemplo disso é Michelly Yu, proprietária de uma loja de variedades que há cinco anos também comercializa materiais escolares. “Neste ano trouxemos mais opções em marcas conhecidas do mercado. Nossa expectativa é sempre muito boa para as vendas”, relata.
Para Sara Palma Andreoli, a projeção de crescimento acompanha o bom momento da economia local. “As redes pública e particular estão sendo muito bem procuradas para a realização de matrículas. Então, estamos preparados para vender mais e atender todas as classes sociais da nossa população”, comenta.
FALA POVO
O que você está achando dos preços dos materiais escolares?
“Todos os itens da lista escolar estão mais caros. Então eu tento sempre comprar o meio termo, nem o mais caro, nem o mais barato. Venho acompanhada dos filhos, para eles escolherem”, Ana Lúcia Duarte Machado, técnica de enfermagem.
 
 
 
 
 
 
"O preço do material escolar está um pouco alto neste ano. Estou realizando uma pesquisa de preços, mas na hora da compra sempre acabo optando pela qualidade”, Kátia Regina Pereira, dona de casa, acompanhada da filha Alícia na foto.
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