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Novo surto de sarampo liga sinal de alerta no Brasil
Infectologista fala sobre a doença e a importância da vacina para a imunização
Novo surto de sarampo liga sinal de alerta no Brasil
ALERTA - Infectologista Dra. Geovana Momo Nogueira de Lima fala sobre o sarampo (Foto: Divulgação)
Considerado território livre do sarampo há mais de duas décadas, o Brasil perdeu o certificado de eliminação da doença concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A decisão ocorreu em fevereiro deste ano, após o país registrar mais de 10 mil casos em 2018, principalmente nos estados de Amazonas e Roraima. A atual situação voltou a ligar o sinal de alerta nas autoridades, já que, segundo balanço epidemiológico do Ministério da Saúde, apenas entre os dias 5 de maio e 3 de agosto foram confirmados 907 casos em três estados: São Paulo (901), Rio de Janeiro (5) e Bahia (1).
Para Dra. Geovana Momo Nogueira de Lima, médica infectologista, o fato de o vírus do sarampo ter voltado a circular no Brasil depois de o país ter erradicado a doença pode ser atribuído a dois principais fatores: a globalização que resultou em um número maior de pessoas circulando entre as nações, e também ao descuido com a imunização, que torna as pessoas mais suscetíveis à doença. “Temos um calendário vacinal no Brasil que imuniza as crianças contra o sarampo aos 12 e 15 meses de vida. Aconteceu que, por algum período, a segunda dose da vacina (aos 15 meses de vida) não estava sendo ministrada nas nossas crianças”, comenta. 
Ainda segundo a infectologista, devido ao surto que atinge diversas cidades dos estados citados, principalmente São Paulo, está em andamento uma campanha que tem como público-alvo os jovens e adultos de 14 a 29 anos, faixa etária que, em algum momento, ficou sem receber a segunda dose da vacina. “A gente preconiza, de 14 a 29 anos, pelo menos duas doses com intervalo de 30 dias. Para as pessoas entre 30 e 49 anos, uma dose da vacina é suficiente. Acima dos 50 anos não se preconiza vacinar porque essas pessoas já tiveram contato com o vírus do sarampo e estão imunes naturalmente ou já foram imunizadas nas campanhas do passado”, informa.
A DOENÇA
O sarampo é uma doença viral, infecciosa que apresenta como sinais iniciais dor de garganta, coriza, congestionamento nasal que evolui para uma conjuntivite. Destaca-se pela presença da vermelhidão na pele, começando pela cabeça e se espalhando por todo o corpo com a formação de pequenas bolhas chamadas exantemas mobiliformes, além de manchas esbranquiçadas na boca. Altamente contagiosa, a doença espalha-se entre a população pelo contato com secreções: saliva, espirro, por meio respiratório ou outros meios, assim como se transmite o vírus da gripe.
“Tem que levar a informação a sério. O sarampo é uma doença contagiosa e perigosa, pode deixar graves sequelas como pneumonia, encefalite, meningite entre outras e pode até levar a óbito. O sarampo é a invasão do corpo humano por um vírus. Deixa principalmente as crianças suscetíveis às sequelas graves, mas também os adultos correm riscos. Lembrando sempre que o sarampo, sim, pode matar e que é preciso se prevenir. É uma doença que é possível prevenir e a prevenção é a correta vacinação”, finaliza a médica.
Panorama do sarampo no Brasil
Segundo balanço epidemiológico do Ministério da Saúde, apenas entre os dias 5 de maio e 3 de agosto foram confirmados 907 casos de sarampo em três estados brasileiros, São Paulo (901), Rio de Janeiro (5) e Bahia (1), mas informações atualizadas na quinta-feira (8) revelam que a doença também já teve casos positivos em pelo menos mais duas unidades da federação, Minas Gerais (4), Santa Catarina e Paraná (1).
Depois de perder o Certificado de Eliminação do Sarampo da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o país, que não registrava casos autóctones desde o ano 2000 (entre 2013 e 2015 ocorreram dois surtos a partir de casos importados, nos estados do Ceará e Pernambuco, com 1.310 casos), se esforça para eliminar novamente a transmissão do vírus, com reforço da vacinação.
Para aumentar a cobertura, o Governo Federal já enviou 12,1 milhões de doses da vacina tríplice viral aos estados com casos registrados. Até o momento, diante do atual cenário epidemiológico do sarampo, não está prevista a realização de campanhas adicionais de vacinação contra a doença, em outros locais, considerando que esta ação já está sendo realizada nas áreas onde há circulação do vírus atualmente. 
Ressalta-se, no entanto, que mesmo em situações de surto, a vacinação de rotina está mantida na rede de serviço do SUS (Sistema Único de Saúde), conforme as indicações do Calendário Nacional de Vacinação e que os serviços de vacinação são estimulados a buscar a sua população não vacinada para a devida atualização.
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