Alimentação infantil: o grande desafio para os pais
Nutricionista dá dicas preciosas para uma nutrição adequada para as crianças
Alimentação infantil:  o grande desafio para os pais
DICAS - Com mais de 130 mil seguidores no Instagram, Dra. Fernanda Monteiro, compartilha informações sobre a alimentação das crianças(Foto:Divulgação)
No mundo de hoje as crianças só faltam nascer falando! Elas surpreendem a todos com suas habilidades e inteligência e aprendem as coisas com muita facilidade. Isso se deve, em parte, a uma série de fatores que contribuem para seu desenvolvimento, que, juntamente com o advento da tecnologia, fazem o aprendizado se intensificar a cada dia. Contudo, não é suficiente expô-los a atividades que estimulem sua capacidade cognitiva. Provê-los de uma alimentação balanceada e saudável também é fator preponderante para que se desenvolvam corretamente, nutridos com as vitaminas e minerais necessários nessa fase tão importante chamada infância.
 
Mas, a pergunta que fica é a seguinte: Como é que os pais podem agir para garantir a nutrição adequada de seus filhos, se a correria do dia a dia faz com que a maioria opte pelos alimentos industrializados? Calma, ainda há uma luz no fim do túnel! Saulo Bueno, articulista do Jornal O ECO, conversou com a Dra. Fernanda Monteiro, nutricionista infantil que desenvolve um importante trabalho nas redes sociais e dá dicas preciosas aos pais. Na entrevista que segue, a profissional, que conta com mais de 130 mil seguidores no Instagram, compartilha um pouco dos desafios e informações valiosas sobre a alimentação das crianças. Confira:
 
O ECO - Doutora, é sabido que casas de avó e tia são sinônimos de guloseimas sem limites, o que, muitas vezes, atrapalha a disciplina alimentar das crianças. Qual sua sugestão para que os pais consigam fazer com que toda a família se comprometa com a alimentação saudável dos pequenos?
 
Dra. Fernanda - Não existe outra alternativa, além de conversar com os avós. Muitas famílias dependem da ajuda deles na rotina e isso precisa ser ajustado quando extrapola o limite. Caso a criança esteja com alterações de exame, sobrepeso ou restrição alimentar por outro motivo, pontuar essa questão é super relevante.
 
O ECO - Geralmente, se associa infância a doces e petiscos salgados, altamente processados. Em sua opinião, os pais podem incluir na dieta das crianças o ‘dia do lixo’, como algumas pessoas dizem por aí? De que maneira?
 
Dra. Fernanda - Não podemos denominar dia livre como ‘dia do lixo’. Pois a criança pode criar uma relação com o alimento pelo fato de chamá-lo de lixo. O dia livre pode ser incluído sem problema algum quando a criança tem uma alimentação equilibrada. Não vai ser o doce da festinha que irá alterar peso ou exames.
 
O ECO - Muitas mães, na correria do dia a dia, optam por snacks, bolinhos industrializados, sucos e achocolatados de caixinha ao montar a lancheira dos filhos. Qual sua sugestão de alimentação para uma lancheira saudável, gostosa e nutritiva para as crianças, levando em consideração praticidade e economia?
 
Dra. Fernanda - A primeira coisa que precisa ser mudada é a rotina de organização. Compras e preparações, congeladas ou não, precisam ser programadas. Quando não existe a programação, os pais optam pelo mais fácil e, na maioria das vezes, o rápido não é saudável. A lancheira precisa ter três grupos alimentares: reguladores, energéticos e construtores, tudo, claro, acompanhado de uma boa hidratação (Confira mais na tabela).
 
O ECO - Em uma escala que vai do ‘pior’ ao ‘altamente prejudicial’, quais os principais alimentos que os pais deveriam banir imediatamente das crianças?
 
Dra. Fernanda - Existe um grupo que considero pior e altamente prejudicial e todos estão na mesma escala: refrigerantes, macarrões instantâneos, biscoitos recheados, sucos de caixinha, salgadinhos industrializados (tipo chips) e gelatinas.
 
O ECO - É possível agradar os pequenos com alimentos nutritivos? Qual sua sugestão para os pais que vão começar essa mudança de hábito do zero?
 
Dra. Fernanda - Tudo precisa acontecer de forma gradativa. Mudanças muito bruscas causam desconforto nas crianças e, na maioria das vezes, temos um efeito catastrófico. Elas podem deixar de comer alimentos saudáveis já incluídos na rotina ou simplesmente não colaborarem em nada na mudança, causando um bloqueio que os pais não conseguem superar. Por isso, a dica é começar com mudanças pequenas e aproveitar alimentos que a criança já come para torná-los saudáveis. Por exemplo, se a criança gosta de comer bolo, comece fazendo bolos mais saudáveis, incluindo ingredientes como farelo de aveia, castanhas, uvas passas e frutas.
 
O ECO - Na hora de escolher os alimentos das crianças no supermercado, o que os pais devem priorizar e levar em consideração?
 
Dra. Fernanda - A primeira coisa é não comprar o que não gostariam que eles comessem. A segunda coisa é priorizar alimentos integrais e os mais naturais possíveis. Ler rótulo precisa ser um hábito dos pais. Depois que eles começam a ler, muitos alimentos industrializados deixam de ser levados para casa. A dica é ler a lista de ingredientes do produto, pois o que está em primeiro lugar é o que está em maior quantidade.
 
O ECO - Quais os riscos que os filhos correm se os pais não fizerem nada em relação a toda essa exposição aos alimentos industrializados?
 
Dra. Fernanda - Não só o Brasil, mas o mundo todo está vendo a formação de uma geração de crianças e adolescentes obesos. Um estudo feito pelo Imperial College London e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que o número de crianças e adolescentes (cinco a 19 anos) obesos em todo o mundo aumentou 10 vezes nas últimas quatro décadas. Se esses números continuarem a crescer dessa maneira, haverá mais crianças e adolescentes obesos do que crianças com desnutrição moderada e grave até 2022. Sem contar as doenças que a má alimentação vem causando, como diabetes, dislipidemias e hipertensão.
 
Agora é hora de colocar as dicas da Dra. Fernanda (Instagram @nutri_infantil) em prática, sabendo que, além de contribuir para o bem-estar das crianças, elas ajudam a preparar cidadãos saudáveis para o futuro. Assim, as chances desses hábitos nutricionais se perpetuarem será maior, contribuindo para a formação de uma geração que lute contra os distúrbios alimentares, contra a imposição que a indústria alimentícia faz aos consumidores e contra as doenças decorrentes da má alimentação. Bom apetite!
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