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Hortifrúti deve ficar mais barato nos supermercados
Isenção de ICMS aprovada nesta semana pode reduzir em até 18% o preço de frutas, legumes e verduras
Hortifrúti deve ficar mais barato nos supermercados
MAIS EM CONTA - Preço dos hortifrútis deve sofrer redução nas próximas semanas e chegar mais barato ao consumidor final (Foto: Flávia Placideli/O ECO)
Os consumidores do estado de São Paulo devem começar a sentir, nas próximas semanas, o impacto da isenção do ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias) dos produtos hortifrúti. A desoneração, aprovada na última terça-feira (29) pelo Governo do Estado, beneficia toda a cadeia de produção e distribuição de frutas, legumes e verduras e deve resultar na redução do preço dos produtos nas prateleiras dos supermercados.
Na prática, a medida zera a alíquota que incidia sobre dezenas de produtos minimamente processados (embalados, descascados, resfriados), que era de 18% para produtores e distribuidores que realizam operações dentro do estado de São Paulo, e de 12%, quando realizadas por fabricantes ou atacadistas. Também foi extinguido o imposto cobrado nas operações feitas com outros estados, que variava de 7% a 12%, e das mercadorias importadas, de 4%.
O decreto que elimina a cobrança do ICMS foi assinado na terça-feira (29) pelo governador João Dória (PSDB), após a autorização do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). A desoneração, que era uma reivindicação antiga do setor, passou a valer nessa sexta-feira (1), mas a redução deve demorar um pouco para ser sentida pelo consumidor final, já que a maior parte dos produtos que chegarão às prateleiras nos próximos dias foi negociada sem a isenção.
Tânia Orsi, gerente de comunicação e marketing do Supermercados Santa Catarina, explica que, por ser recente, a isenção do ICMS deve chegar primeiro aos produtores rurais antes de começar a ser considerada nas transações com fornecedores e varejistas. Como o supermercado negocia diretamente com produtores da região e fornecedores da Ceasa (Central Estadual de Abastecimento) de Campinas, ela acredita que a rede tenha condições de se antecipar aos concorrentes na redução dos preços.
Ainda segundo ela, o impacto deve ser positivo para os consumidores. “Toda empresa varejista procura oferecer o melhor preço possível a seu consumidor. Aqui, no Santa Catarina, fazemos parte de uma rede de compras justamente para conseguir equiparar nossos preços aos dos hipermercados. Tudo depende de uma boa negociação e, com o hortifrúti, temos a mesma política. Todo o desconto que conseguirmos com os fornecedores será repassado aos consumidores”, garante a gerente.
Segundo o decreto, a isenção do ICMS se aplica às operações com hortifrútis como abóbora, alface, batata, cebola, espinafre, banana, mamão tomate, entre outros. Esses produtos podem estar ralados, cortados, picados, fatiados, descascados ou desfolhados. Também é permitido que estejam lavados, higienizados, embalados ou resfriados, desde que não estejam cozidos e não haja adição de quaisquer outros produtos não relacionados, mesmo que simplesmente para conservação.
Expectativa com redução de preços é de aumento de consumo
Não é novidade que no Brasil, independentemente do segmento, a alta carga tributária é uma das maiores queixas de quem produz ou comercializa algum produto. Os impostos são vistos pela grande maioria dos empreendedores como o maior impeditivo para a prosperidade dos negócios. Não por acaso, a isenção do ICMS dos produtos hortifrúti anunciada nesta semana causou boas expectativas.
Para Tânia Orsi, a tendência é que o consumo aumente assim que os preços tiverem redução nas prateleiras. “O brasileiro está cada vez mais atento à relação custo e benefício dos produtos. Ele exige qualidade e espera pagar um preço justo por isso. Sendo assim, se o fornecedor consegue reduzir seu custo, consegue negociar melhor com o varejista, que consegue oferecer melhores produtos com preços mais baixos e quem aproveita é o consumidor”, ressalta.
O otimismo também pode ser observado diretamente na fala de quem trabalha no início do ciclo, diretamente com a terra. Pessoas como Vicente Antônio Felisberto, de 59 anos, que é produtor rural há mais de 20 anos e cultiva verduras e legumes em um sítio localizado na região do distrito de Alfredo Guedes, de onde os produtos saem diretamente para supermercados e outros estabelecimentos da cidade.
“Essa mudança deve melhorar muito as condições para nós, que somos pequenos produtores e trabalhamos com agricultura familiar, porque a retirada do imposto significa redução dos custos, que não são poucos. É claro que gastando menos para produzir vendemos com preço melhor e os produtos chegam mais baratos aos consumidores. Isso é bom para todo mundo”, comenta.
Valdair Caetano, de 44 anos, que produz hortaliças há dois anos em uma propriedade localizada na zona rural de Lençóis Paulista, destaca que a isenção do ICMS dos hortifrútis é um grande avanço, mas que o benefício poderia ser ainda maior se a medida fosse estendida a outros produtos agregados à cadeia produtiva, como, por exemplo, insumos e fertilizantes agrícolas.
“Apesar disso, ele acredita que a queda nos preços ocasionada pela retirada do imposto vai ser facilmente percebida. “Certamente vamos sentir a redução, mas acredito que o impacto no varejo deve ser maior. Com o preço mais barato nos supermercados, a tendência é que o consumo de diversos produtos aumente. Aumentando o consumo tem aumento da demanda de produção. Uma coisa acaba puxando a outra”, comenta.
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