Manezinho deixa presidência da Câmara com economia de R$ 1 milhão
Recursos devolvidos ao Executivo durante sua gestão beneficiaram Hospital e outras entidades
Manezinho deixa presidência da Câmara com economia de R$ 1 milhão
ESCOLA - Manezinho destaca que presidência da Câmara Municipal foi um grande aprendizado (Foto: Divulgação)
O ECO traz nesta edição uma entrevista concedida com exclusividade pelo vereador Manoel dos Santos Silva, o Manezinho (PSDB), de 43 anos, que encerrou seu mandato na presidência da Câmara Municipal de Lençóis Paulista no último dia 31 de dezembro, quando transferiu o cargo ao vereador Nardeli da Silva (MDB). Nascido em Cupira, no interior de Pernambuco, mas radicado em Lençóis Paulista desde os sete anos de idade, Manezinho foi eleito pela primeira vez em 2000 e atualmente exerce seu quinto mandato consecutivo no Legislativo local, tendo como principal marca o bom relacionamento político dentro e fora de Lençóis Paulista, especialmente em São Paulo e Brasília.
Após ficar à frente da Casa de Leis entre 2017 e 2018, ele revelou à reportagem que em seus dois últimos anos de mandato pretende, fora da Mesa Diretora e sem as atribuições do cargo de presidente, focar seu trabalho na busca por recursos para a cidade e nas articulações para a viabilização de importantes projetos, como a conclusão do Centro de Hemodiálise, a implantação de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Hospital Nossa Senhora da Piedade (HNSP) e a sonhada pavimentação da Rodovia Osni Mateus (SP-261), que liga Lençóis Paulista a Águas de Santa Bárbara. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
O ECO - Você está em seu quinto mandato como vereador, mas presidiu a Câmara Municipal pela primeira vez entre 2017 e 2018. O que o cargo trouxe de experiência para sua vida política?
Manezinho - A atividade de vereador, para aqueles que se dedicam, traz um aprendizado a cada dia. Ter presidido a Câmara neste biênio significa, para mim, a realização de um sonho de muitos anos. A experiência é incomparável com qualquer outra que tenha vivido na vida pública. Primeiro, que traz uma responsabilidade enorme. A presidência vai muito além de conduzir as sessões, por incluir administrar a Câmara, zelar pelo patrimônio, receita e imagem do Poder Legislativo, gerenciar conflitos, pessoas, situações adversas. Também é preciso ter uma postura afirmativa e propositiva para deixar sua marca na história da Câmara. Ao terminar o mandato de presidente, olho para trás e percebo que me dediquei muito à atividade, mas aprendi muito sobre administração, relacionamento humano, o papel do vereador na vida da cidade, a responsabilidade que cada um tem para poder dizer que realmente cumpriu o mandado dado pela população.
 
O ECO - Como você avalia sua atuação como presidente do Legislativo?
 
Manezinho - O desafio maior é administrar os conflitos de interesses. Somos 12 vereadores, cada um com uma cabeça diferente, cada um com um projeto de atuação diferente, com missões e estratégias diferentes. Há momentos em que os interesses são divergentes ou até conflitantes. É nesta hora que o presidente tem que ter jogo de cintura para manter a harmonia no Poder Legislativo. Sem essa harmonia, o trabalho não flui e a cidade perde muito. A minha avaliação é que foram dois anos de um aprendizado intensivo de como lidar com as pessoas, seus interesses e suas ambições. Foi uma experiência ótima, cresci muito com os desafios.
 
O ECO - O que mais te marcou positivamente nesses dois anos de mandato?
 
Manezinho - É impossível apontar um momento especial. Veja que, mesmo como presidente da Câmara, não deixei de cumprir meu papel como vereador, como apoiador das boas causas. Foram momentos importantes a criação da Frente Parlamentar pela Pavimentação da SP-261. Com este trabalho, que é uma luta que continua, tive a oportunidade de conhecer e dialogar com vereadores e autoridades das outras cidades da região, descobrindo que temos muitos interesses em comum. Foram importantes também os encontros e audiências para apresentar nossas reivindicações pela pavimentação da estrada de Santa Bárbara. Pude ver que unindo forças somos ouvidos com mais atenção. Tem o trabalho junto ao Hospital Piedade. Quero ser um grande parceiro, porque nosso hospital precisa avançar e a população deseja um hospital mais bem equipado. Por isso estamos nesta luta pelos avanços no centro de quimioterapia, na implantação do serviço de hemodiálise, na luta pela nossa UTI Neonatal. A relação com a Prefeitura é um ponto importante, através da qual pudemos fazer muitos trabalhos: trazer os jogos regionais para Lençóis, recuperar ruas e praças, revitalizar espaços públicos, implantar academias ao ar livre, campo de futebol society, etc. Conseguimos manter aberto em Lençóis o Posto de Atendimento ao Trabalhador, que iria fechar por uma decisão do Governo Federal. Tem outros projetos em andamento, como revitalização de praças nos bairros, recursos para a saúde. Cada momento desses foi e é importante nesta caminhada.
 
O ECO - E o que marcou de forma negativa?
 
Manezinho - Temos que fazer limonada com cada limão que a vida proporciona. Temos que aprender a lição com cada adversidade. Aprendi a lidar melhor com o contraditório, com as opiniões diferentes das minhas. Por exemplo, foram levadas denúncias anônimas ao Ministério Público sobre nossas viagens a São Paulo. Todas as acusações foram derrubadas com provas de que não houve negligência ou mau uso do dinheiro público. Tudo foi provado por A mais B e a denúncia não prosperou, foi arquivada. O resultado do trabalho da gente incomoda algumas pessoas, infelizmente. Enfrentei com serenidade as críticas que recebi. Mesmo as críticas mais duras, as afirmações mais maldosas. Respondi com trabalho e sem desrespeitar os críticos. Sei que muitas pessoas já não suportam os políticos e acham que todos são iguais, que todos são uns folgados que vivem no bem bom com o dinheiro público. Não é nada disso. Posso dizer por mim e por vários dos meus colegas vereadores: a rotina nossa é de muito trabalho, apesar das críticas que recebemos. A maioria, injustas. Outras são maldosas mesmos, atacam o lado pessoal da gente, desrespeitam o ser humano que o vereador também é, nossa família. Mas, vamos seguindo em frente.
 
O ECO - Você se arrepende de ter feito ou deixado de fazer algo?
 
Manezinho - Eu quase não tenho tempo livre. Se posso fazer algo, não deixo para amanhã ou para depois. Não tenho do que me arrepender. Às vezes, acho que dou valor demais para as críticas maldosas. Mas sou um ser humano, né? Também cometo erros, também tenho dúvidas, não tenho respostas para tudo. É aquele negócio: se errou, tente consertar o mais rápido possível. Se ofendeu, peça desculpas e tente preservar as relações. Todo mundo precisa de todo mundo. 
 
O ECO - Seu sucessor é o vereador Nardeli da Silva, que ocupou na sua gestão o cargo de vice-presidente. Qual o maior desafio que você acredita que ele terá nos próximos dois anos?
 
Manezinho - Presidente da Câmara enfrenta desafio todo santo dia, inclusive aos domingos e feriados. O desafio dele é o mesmo que o meu: manter a Casa unida, trabalhando em harmonia, apesar das divergências de opinião de cada colega. Talvez um momento mais complicado que o presidente Nardeli tenha pela frente seja comandar a Câmara durante o período das eleições municipais do ano que vem. Os ânimos sempre se exaltam no período eleitoral. É tenso mesmo! Mas o Nardeli é experiente, tem cinco mandatos, já foi presidente da Câmara. Ele sabe como conduzir os trabalhos e vai tirar todos os desafios de letra. Tenho certeza disso.
 
O ECO - No final de 2017 você anunciou uma economia de R$ 500 mil no orçamento e indicou ao Executivo que os recursos fossem repassados ao Hospital Piedade para o pagamento do 13º salário dos funcionários. Em 2018 a Câmara também conseguiu economizar?
 
Manezinho - A realidade do Hospital em 2017 era diferente da de 2018. Por isso, o foco naquele ano foi na ajuda financeira para o 13º salário, um esforço que tenho que agradecer aos vereadores e servidores da Câmara por termos conseguido. Todas as entidades que atuam com a sociedade precisam de ajuda e este ano o acordo entre os 12 vereadores foi neste sentido, as economias serão redistribuídas também entre outras entidades. 2018 foi um ano difícil, mas conseguimos uma economia que passa dos R$ 520 mil. Já combinamos com o prefeito Prado que o valor será distribuído entre as várias entidades. A maior parte vai para o Hospital, mais da metade. Uma parte para os pagamentos como 13º salário e outra parte para ajudar na construção e instalação do Centro de Hemodiálise. A diferença é que neste ano, a economia da Câmara de Vereadores chegará também para as ações das Legiões Mirins Masculina e Feminina, Apae, Rede do Câncer, Asilo, Ação da Cidadania e Adefilp. Assim, a Câmara vai dando o bom exemplo de economizar e ajudar aqueles que mais precisam.
 
O ECO - O que você espera dos próximos dois anos? Qual será seu foco até o final de seu mandato?
 
Manezinho - Sou o mesmo Manezinho que se elegeu vereador pela primeira vez em 2000, só que com mais cabelos brancos. Sigo fazendo meu trabalho, buscando recursos para a cidade, ajudando Lençóis crescer em todas as áreas que estiverem ao meu alcance. Deixo a presidência da Câmara e sigo com o trabalho de vereador até o final do mandato, trabalho que não deixei de fazer enquanto estava na presidência. Temos grandes projetos em andamento: ajudar o Hospital a implantar a UTI Neonatal e o Centro de Hemodiálise, tem a Frente pela Pavimentação da SP-261, que é um trabalho contínuo. Minha Nossa Senhora, tem trabalho que não acaba nunca.
 
O ECO - Muita coisa vai acontecer nos próximos dois anos, mas, nos bastidores da política local, alguns já arriscam citar alguns possíveis candidatos a prefeito em 2020. Seu nome é um dos citados. Este é o caminho que pretende seguir ou pensa em tentar uma reeleição no Legislativo?
 
Manezinho - Tenho que confessar que mexe com meu orgulho quando ouço isso dos meus amigos, quando as pessoas me falam sobre ser candidato a prefeito de Lençóis. Claro, tenho este sonho no meu coração. Mas meus sonhos eu entrego a Deus e deixo que ele faça acontecer no tempo certo. O futuro a Deus pertence. Se acontecer uma candidatura a prefeito, que seja uma candidatura natural, sem forçar a barra para impor o meu nome. Por ora, vamos trabalhar mais e realizar mais. Não adianta reclamar das dificuldades, tem que enfrentar a situação, trabalhar para realizar tudo aquilo que espera para ser realizado. Lençóis precisa avançar.
 
O ECO - Qual mensagem você deixa para a população lençoense?
 
Manezinho - Minha mensagem é de amizade e serviço. Estou de prontidão para fazer meu trabalho, para ajudar no que for possível. Eu acredito que juntos podemos mais. Então, vamos unir forças naquilo que concordamos para deixar como legado um trabalho bem feito pelo bem comum. Estamos juntos porque juntos podemos mais.
 
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