Dedicação aos idosos
Dona Maria Ângela Trecenti Capoani, realiza trabalho voluntário há mais de 25 anos no Lar Nossa Senhora dos Desamparados
Dedicação aos idosos
DEDICAÇÃO - Dona Maria Ângela Trecenti Capoani se dedica ao Asilo de Lençóis há mais de 25 anos (Foto: Flávia Placideli/O ECO)
Outubro chegou e com ele uma data muito especial, o Dia Nacional do Idoso, comemorado na última segunda-feira (1). Por isso, a semana foi dedicada ao pessoal da melhor idade, em especial aos velhinhos do Lar Nossa Senhora dos Desamparados, o Asilo de Lençóis Paulista, que se mantém graças ao trabalho de pessoas que dedicam tempo, atenção e amor aos internos do local. Pessoas como dona Maria Ângela Trecenti Capoani, que exerce o trabalho voluntário há mais de 25 anos.
“Comecei a visitar os idosos no Asilo depois de passar por um problema nos olhos, que quase me fez perder completamente a visão. Dizem que quando passamos por um problema, acabamos nos apegando à religião. Comigo não foi diferente. Lembro que pedia para Deus que me desse a possibilidade de voltar a enxergar um pouco, que eu iria me dedicar a algo que desse sentido a minha vida e que ao mesmo tempo fizesse bem para alguém”, relata dona Ângela, que começou a ter sinais positivos quando resolveu visitar o Lar Nossa Senhora dos Desamparados. 
Ela conta que quando começou a frequentar o local, por volta de 1992, conversava e se simpatizava com todos, mas dava atenção especial às idosas, pois percebia um sentimento de solidão naquelas mulheres, principalmente pela falta de respostas e de visitas de seus filhos. Comovida com a situação, ela decidiu fazer algo para tentar amenizar a dor e a saudade das internas e passou a escrever cartas com mensagens para os familiares.
Infelizmente, muitas cartas nunca puderam ser entregues para os verdadeiros destinatários, o que fez com que a voluntária decidisse responder por conta própria as postagens. Tudo por um sorriso. “Eu conversava com elas e descobria o que iria as deixar um pouco mais felizes, depois me encarregava de responder. Eu, que sou destra, cheguei a escrever com a mão esquerda para que não reconhecessem minha caligrafia. Às vezes, também pedia para que amigos escrevessem para mim. Fazia isto com muito amor e carinho para ver um pequeno sorriso no rosto daquelas mulheres, que já estavam no fim da vida e sentiam muita saudade de suas famílias e filhos”, recorda emocionada dona Ângela.
Hoje, aos 72 anos, a professora aposentada conta que além das lembranças das histórias vividas por outras pessoas, o local traz a recordação de seu pai, seo Mário Trecenti. Padeiro conhecido na cidade, ele tinha adoração pelo local ao qual também se dedicou como voluntário, levando seus pães para os velhinhos em muitas manhãs. “Durante toda minha adolescência eu lembro que meu pai sempre me convidava para fazer uma visita aos idosos, mas eu detestava aquele lugar. Não queria ir de jeito nenhum. Que ironia, não? Cá estou eu. Não imagino o que teria sido da minha vida sem esse lugar abençoado, suas histórias e as pessoas que por aqui passaram”, ressalta.
Com muitas histórias emocionantes para contar, dona Ângela já fez muito pelo Lar, mas confessa que quando começou a frequentar o local, não imaginava sentir tamanha felicidade e gratidão. “Comecei a frequentar o Lar pensando somente em ajudar, mas, no fim, quem foi ajudada fui eu. Nós precisamos sair de nossas casas, do nosso meio familiar, nem que for por uma horinha, e ajudar de alguma forma essas pessoas que também precisam de nós. Eu sempre digo, é diferente de fazer um trabalho com crianças, por exemplo, com elas a gente é quem ensina os primeiros passos. Aqui, essas pessoas chegam com toda uma história já vivida e acabam por nos ensinar com sabedoria e maestria o que é a vida”, finaliza.
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