Uma aventura pela Rota 66
Motociclistas lençoenses se juntam a outros amigos para cruzar a “Mãe das Rodovias”, no EUA
Uma aventura pela Rota 66
MOTHER ROAD - Rodovia que já foi uma das principais dos EUA hoje é mantida como rota histórica para aventureiros (Foto: Arquivo Pessoal)
Talvez nenhuma outra estrada do mundo guarde tanta simbologia quanto a icônica Route 66, nos Estados Unidos. Inaugurada em 1926, a rodovia que já foi um dos principais corredores de ligação do país, mas hoje é mantida apenas como uma trilha histórica para exploração turística, ficou famosa entre as décadas de 1950 e 1960, por ser a ‘rota de fuga’ dos jovens que deixavam para traz o estilo de vida tradicionalmente conservador do nordeste do país rumo ao estado da Califórnia, um oásis liberal em meio ao deserto de opressão daqueles tempos.
Não por acaso, a estrada que cruza oito estados é objeto de desejo de milhares de aventureiros que viajam ao país para explorar os seus 3,7 mil quilômetros de extensão, que vão de Chicago, em Illinois, até Santa Mônica, na Costa do Pacífico, mais precisamente na região metropolitana de Los Angeles, na Califórnia. Aventureiros como os lençoenses José Carlos dos Santos (Carlão da Consult), e Márcio Ribeiro de Sá (professor Dadá), dois apaixonados por motocicleta que decidiram ‘cair na estrada’.
“A Rota 66 tem todo esse estigma de ser a “Mãe das Rodovias”, a Mother Road, como os americanos dizem. Como viajamos bastante pelo Brasil e também para outros países, sempre tivemos o desejo de um dia encarar essa aventura. Neste ano acabou dando certo”, relata Carlão, que explica que para a viagem se juntaram aos amigos Roberto Lazzuri (Robertinho), de São Bernardo do Campo, e Jefferson Cantarelli (Corujão), que há 20 anos mora em San Diego, nos EUA, e foi o guia do grupo.
A jornada, que se estendeu dos dias 14 a 30 de agosto, começou por Los Angeles, de onde o grupo partiu em motocicletas alugadas para atravessar os estados de Nevada, Utah, Colorado e Kansas, antes de entrar propriamente na Rota 66, no estado de Oklahoma, ponto de início do trajeto de volta pela mística rodovia, passando pelos estados do Texas, Novo México, Arizona e novamente Nevada e Califórnia, até o “End of the trail”, no píer de Santa Mônica.
Além dos inúmeros pontos de parada em bares e restaurantes à beira da estrada, no melhor estilo dos filmes norte-americanos como “Easy Rider”, de 1969, Carlão destaca da viagem o cenário único. “É um visual diferente do nosso, com paisagens lindas e uma atmosfera maravilhosa. Coisas que você está acostumado a ver apenas no cinema ou nos desenhos, como em um trecho no Vale de Lucerne, que lembrava muito o desenho do Papa-Léguas, com aquelas montanhas de pedra enormes”, comenta.
Apesar da empolgação sobre duas rodas, o motociclista destaca que a aventura também teve seus momentos complicados por conta das altas temperaturas, já que a viajem foi realizada bem no meio do verão do Hemisfério Norte. A pior parte, para ele, foi durante a passagem pelo Arizona, onde um trecho da Rota 66 estava fechado e o grupo precisou fazer um desvio e enfrentar a ‘hostilidade’ do Deserto do Mojave.
“A extensão que nós pegamos foi terrível. Fazia 45 graus com sensação térmica de 50. Sofremos uma desidratação e passamos muito mal. Eu me lembro que antes de começarmos, o filho do Jefferson dizia que nós estávamos loucos e que aquilo não era para nós, todos na casa dos 60 anos. Não demos importância para isso até a travessia do deserto. A gente se acha forte, se cuida, mas depois percebe a limitação. Em aventura como essa você tem que ser cuidadoso para não entrar em fria”, ressalta Carlão.
De volta à rotina após a experiência inesquecível, o lençoense comenta que a próxima aventura já tem destino e data. Membro do Motoclube Road Bikers, que tem integrantes no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Peru, ele e os amigos viajam em novembro para Assunção, no Paraguai, onde, no dia 15 daquele mês ocorre a segunda convenção mundial do motoclube. “Pegar a estrada faz parte de nós. Tenho moto desde os 14 anos e não consigo me imaginar não fazendo isso. A sensação de liberdade é única”, finaliza Carlão.
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