Um brinde ao empreendedorismo
Aloísio Paccola e Érico Hypólito contam um pouco sobre a trajetória da Ubirama Bier, microcervejaria genuinamente lençoense
Um brinde ao empreendedorismo
UBIRAMA - Aloísio Paccola e Érico Hypólito começaram a fazer cerveja por hobby e hoje comercializam para diversas cidades (Foto: Elton Laud/O ECO)
Ontem (3) foi o Dia Internacional da Cerveja e nada melhor do que celebrar a data contando um pouco da história de dois lençoenses que de tão apaixonados por essa bebida consumida em todo o mundo decidiram produzir a própria. Tudo começou de forma despretensiosa em 2014, mas os amigos Aloísio Paccola, de 49 anos, e Érico Hypólito, de 39, ‘mergulharam de cabeça’ no negócio e transformaram o que era apenas um prazeroso hobby em uma promissora atividade, fundando a Ubirama Bier, microcervejaria artesanal genuinamente lençoense.
A ideia surgiu nos corredores do Senai (Serviço Nacional da Indústria) de Lençóis Paulista, onde ambos trabalhavam. Apreciadores de cerveja artesanal, eles lembram que na época tinham dificuldade em encontrar rótulos diferentes na cidade e que isso, aliado à curiosidade de saber o que tornava essas cervejas tão diferentes das ‘comerciais’, motivou a empreitada. Da primeira conversa até a primeira brassagem levou menos um mês, tempo suficiente para que os dos fizessem um curso básico e reunissem os equipamentos e insumos necessários para a produção.
“Compramos algumas coisas, juntamos outras que tínhamos em casa, encomendamos um kit pronto de insumos para fazer a primeira, uma American Pale Ale (APA). Foi tudo muito improvisado, com uma panela e um daqueles fogareirinhos de camping. No final das contas, a receita rendeu 22 garrafas. Cada um ficou com metade, mas em dois dias já tinha acabado tudo”, lembra Paccola. “É lógico que a gente não tinha o conhecimento e a experiência que tem hoje, foi tudo meio atrapalhado. A cerveja ficou bem alcoólica, porque a gente não tinha um controle muito rigoroso do processo, mas ela ficou aceitável, tomável’, e foi o que nos motivou a fazer a segunda, depois a terceira e assim por diante”, completa Hypólito.
Cerca de um ano e meio depois da primeira brassagem, os amigos decidiram investir um pouco mais em equipamentos, mas ainda apenas como hobby, porém, no meio do caminho ambos acabaram perdendo o emprego e decidiram apostar na ideia e partir para a profissionalização e legalização da cervejaria. “A decisão não foi fácil, na situação que o país estava em 2015 você decidir ‘meter a cara’ e abrir uma indústria não era simples. Deu um certo receio, mas resolvemos arriscar. Fomos atrás de especialização, fizemos diversos cursos e começamos a reformar o prédio (onde funciona a cervejaria), que é da família do Aloísio”, comenta Hypólito.
O processo foi demorado. Reforma do prédio, abertura da empresa, laudo do Corpo de Bombeiros, registros na Prefeitura, licenças na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), inspeção do Ministério da Agricultura. Tudo levou vários meses para ficar pronto. Completamente legalizada há cerca de um ano e meio, Ubirama Bier produz atualmente cerca de 1 mil litros de cerveja por mês e tem clientes em diversas cidades da região e até de outros estados. O estilo mais vendido é o Pilsen, mas eles também produzem India Pale Ale (IPA), American Pale Ale (APA), Weiss, Russian Imperial Stout (RIS) e English Pale Ale (EPA).
Com novos projetos em mente, os sócios comemoram o crescimento do segmento de cervejas especiais no país e planejam uma expansão para breve. O público cresceu bastante nos últimos três anos, mas, segundo Paccola, ainda há muito espaço para o crescimento do mercado, que ainda representa apenas 1% do consumo total de cerveja no Brasil. “Há quatro anos existiam cerca de 30 microcervejarias registradas, hoje são bem mais de 400. Antes também era difícil encontrar lojas de insumos e agora você acha produtos para comprar até em Bauru. A gente percebe que está havendo um consumo maior, que as pessoas estão percebendo que cerveja artesanal é um produto diferenciado que vale a pena apreciar. Isso nos motiva bastante”, ressalta.
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