Caminhoneiros dizem que paralização continua até solução definitiva
Após cinco dias de greve, classe avalia proposta do Governo como insatisfatória e se mostra determinada a continuar
Caminhoneiros dizem que paralização continua até solução definitiva
NADA MUDA - Cerca de 700 caminhoneiros permanecem no bloqueio na Rodovia Marechal Rondon, em Agudos (Foto: Elton Laud/O ECO)
A greve dos caminhoneiros iniciada na última segunda-feira (21) em 24 estados e no Distrito Federal chegou ao seu quinto dia nessa sexta-feira (25) e a paralisação deve continuar até que o Governo Federal apresente uma solução definitiva para o problema e atenda às principais reinvindicações da categoria. É o que garantem os mais de 700 profissionais concentrados na altura do quilômetro 318 da Rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Agudos.
A reportagem do Jornal O ECO esteve no local na tarde de ontem (25) e conversou com diversos caminhoneiros que avaliam como insatisfatória a proposta apresentada pelo Palácio do Planalto, que na noite da quinta-feira (24), em reunião com representantes de diversos sindicatos, pediu uma ‘trégua’ de 15 dias, prometendo, entre outras coisas, manter por 30 dias a redução de 10% no preço do diesel nas refinarias, anunciada na quarta-feira (23) pela Petrobras.
“Aqui só tem pai de família, trabalhador. Carregamos o país nas costas e estamos pagando a conta da corrupção. Se não derrubar essa política da Petrobras o movimento não acaba. Não adianta congelar o preço por 30 dias e falar que depois vai ter um aumento quinzenal. Em dois meses volta tudo como estava. Enquanto não resolver o problema nada muda. Queremos uma solução definitiva”, relata Sidnei Correa, de 38 anos, que mora em Bauru e está concentrado no local desde o início da greve.
A categoria reivindica diversos pontos como a do corte total do PIS/Cofins sobre o diesel e a gasolina - o projeto passou pela Câmara dos Deputados, mas não tem previsão de votação pelo Senado -, o fim da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a criação de um frete mínimo nacional, o fim da tarifa de pedágio sobre o eixo suspenso em caminhões vazios e a redução no valor dos pedágios para a categoria. Segundo os grevistas, o prazo para um acordo é até segunda feira (28) e, após a data, outras medidas podem ser adotadas, como o bloqueio total das rodovias.
Em todo o país, existem mais de 200 pontos de bloqueio, como o de Agudos e de outras cidades da região Centro-Oeste do estado de São Paulo, como Santa Cruz do Rio Pardo, Ourinhos, Santa Maria da Serra, Assis e Cabrália Paulista. Todos os locais têm recebido constantemente doações de água e alimentos, levadas pela população que apoia a causa.
A lençoense Tatiana Alcântara, moradora de Lençóis Paulista que esteve no local para levar água e refrigerante, acredita que a mobilização pode resultar em benefício para toda a população, mesmo que a greve traga eventuais transtornos. “É impossível continuar com o Brasil do jeito que está. Decidimos apoiar, porque não é apenas a questão do combustível. Tudo está ligado. Eles são a classe que tem mais força para conseguir lutar contra isso, porque sem eles rodando tudo para. Vão faltar coisas no supermercado, nos postos de combustível, em todo lugar, mas apenas assim algo pode mudar”, ressalta.
Postos de combustíveis registraram grandes filas na quinta-feira
Por conta da greve dos caminhoneiros e da iminência da falta de combustível nos postos, diversas cidades da região de circulação do Jornal O ECO registraram grande movimentação durante toda a quinta-feira (24).
A gasolina chegou a ser vendida a R$ 4,99 em um dos postos, mas, apesar do preço alto, o combustível chegou a esgotar em diversos estabelecimento. Alguns lugares registraram fila de cerca de 400 metros, nos dois sentidos de circulação.
Na tarde de ontem (25), muitos dos postos estavam com as reservas esgotadas. Nos lugares onde ainda era possível encontrar combustível os preços variavam bastante: gasolina entre R$ 4,19 e R$ 4,86; etanol entre R$ 2,69 e R$ 2,95; diesel entre R$ 3,64 e R$ 3,86.
Supermercados adotam racionamento de produtos
Uma das questões que mais têm causado apreensão entre a população é em relação ao desabastecimento de produtos nas prateleiras dos supermercados. Não por acaso, algumas lojas da cidade também registraram um grande fluxo de clientes em busca de diversos produtos para abastecer a dispensa.
À reportagem, Tânia Orsi, gerente de marketing do Supermercados Santa Catarina, revelou que a situação está normalizada devido ao abastecimento do estoque da rede, mas, segundo ela, caso a greve continue, produtos dos setores de hortifrúti e laticínios vão começar a faltar nas prateleiras. “Por conta da situação, para garantir que todos possam comprar o que necessitam, limitamos a compra a cinco unidades de cada produto.
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