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Uma relação de amor incondicional
Leitor assíduo, José Florindo Coneglian já doou mais de 15 mil livros para a BMOL
Uma relação de amor incondicional
PAIXÃO - Amante da literatura, José Florindo acredita que a leitura transforma vidas (Foto: Divulgação)
Todos os anos, de tempos em tempos, José Florindo Coneglian, de 64 anos, cumpre um ritual iniciado há mais de duas décadas. Reúne os últimos exemplares lidos e destina à Biblioteca Municipal Orígenes Lessa (BMOL), em Lençóis Paulista, sua cidade natal. Apaixonado pelos livros e também pela biblioteca, o cirurgião dentista aposentado se tornou um doador por acaso, no entanto, acabou se tornando o maior doador, enriquecendo o acervo do local com mais de 15 mil exemplares.
Os primeiros livros foram doados há mais de 20 anos e depois de saber o bem que havia proporcionado não apenas ao local como também aos seus frequentadores, o lençoense, hoje radicado em São Paulo, capital, se sentiu realizado e nunca mais parou. “Não me lembro a data, mas eu estava lendo a biografia de Mozart, e, como já conhecia um pouco da história e não concordava com certos pontos abordados no livro, não gostei. Certa tarde, passando pela Biblioteca, resolvi deixar essa biografia toda romantizada e fantasiada lá. Depois de certo tempo, eu voltei ao local e lá estava o livro. Descobri que ele havia sido lido por diversas pessoas e me senti bem em saber que o que não havia me agraciado tinha servido para alguém”, comenta.
Leitor assíduo, ‘seo’ Florindo sempre foi cercado por muitos livros, que ocupavam vários espaços de sua casa, mas, a partir daquele dia, cada exemplar lido passou a ter um destino diferente de suas estantes. “Se eu tinha tantos livros e nunca lia duas vezes a mesma obra, por que não doar todos para a Biblioteca de minha cidade e contribuir, de certa forma, para a formação de novos leitores”, explica.
Assim foi. O lençoense nunca mais parou de doar livros, comprados, ganhados, autografados, todos eles hoje têm como destino a Biblioteca Municipal Orígenes Lessa, que, segundo ele, tanto foi útil em sua vida, contribuindo para sua formação pessoal, profissional e, acima de tudo, humana.
Foi lá que seu gosto pela leitura começou na adolescência e se desenvolveu, até os 20 anos, quando deixou a cidade para morar em Presidente Prudente, onde foi cursar a faculdade de odontologia. Mesmo com a rotina acadêmica obrigando a leitura de livros específicos, nunca abandonou os romances, ficções e biografias de diversos autores que ele já teve a oportunidade de conhecer pessoalmente, como Adélia Prado, uma de suas preferidas, da qual já doou três coleções completas autografadas para a BMOL.
“O livro cria esses vínculos todos, o de você com o autor, com o universo de personagens e ideias e também com pessoas que compartilham o gosto por uma mesma obra. Além disso, eu gosto mesmo é dos debates literários sobre a obra e, de preferência, com o próprio autor, que no final sempre autografa o livro para mim e, às vezes, caso o debate tenha sido bom, até me faz uma dedicatória”, brinca.
Para ‘seo’ Florindo, o ritual da leitura revela uma relação analógica com os livros que nem mesmo as facilidades da internet, downloads e bibliotecas virtuais conseguiram o abalar. Fiel aos tradicionais, feitos de papel e tinta, ele tem convicção de que o livro deve ser lido, grifado, cheirado, sentido e autografado pelo seu autor, se lhe couber a oportunidade.
“A literatura é um mundo absurdo. Em cada escritor, cada forma de escrita, cada história você encontra um universo diferente e através disso aprende a compreender melhor a natureza humana. As biografias e memórias fornecem relatos de vidas que muitas vezes nos ajudam a compreender a nossa. As lições de cada livro podem ser transpostas para a vida real. É como se você pudesse viver outras vidas através dos livros”, finaliza.
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