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Orígenes Lessa: um caçador de livros
Em busca de doações para a BMOL, lençoense fez campanhas entre os amigos escritores, os quais homenageou com nomes de ruas
Orígenes Lessa: um caçador de livros
CARAVANAS - Orígenes trouxe para Lençóis Paulista alguns dos principais nomes da literatura brasileira em 1983 e 1986 (Foto: Acervo/BMOL)
Desde o primeiro contato com a biblioteca batizada com seu nome, Orígenes Lessa não mediu esforços para torná-la cada vez melhor. Sentia, como ele próprio andou dizendo algumas vezes, uma dívida de gratidão com sua cidade. Não que tivesse, pelo contrário, mas fez de tudo para retribuir a homenagem recebida reunindo tudo que pudesse agregar algum valor cultural ao espaço que aprendeu a amar como mais ninguém.
Dono de um círculo de amizades invejável, formado principalmente - e obviamente - por escritores, não fazia cerimônia alguma para pedir a todas as pessoas que conhecia doações para a BMOL. Não por acaso, durante os 23 anos em que se dedicou à nobre causa, até o dia de sua morte, em 1986, o acervo do local passou de 16 mil obras para mais de 50 mil superando o número de habitantes, que na época era de pouco mais de 35 mil.
A insistência e seu poder de convencimento eram tantos que alguns de seus amigos escritores chegaram a doar suas bibliotecas particulares quase que completas, o principal deles Antônio Houaiss, aquele mesmo, do dicionário, que se desapegou de algumas centenas e títulos.
A bibliotecária Marli Ferrante Montoro, que começou a trabalhar na BMOL em 1980 e foi a fiel escudeira de Orígenes até sua morte, lembra que depois que o escritor foi eleito para Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1981, as doações eram cada vez maiores e que, de tempos em tempos, precisava ir de caminhão para o Rio de Janeiro para buscar os livros.
“Orígenes vivia com a Maria Eduarda (esposa) em um apartamento pequeno e quando eu ia para lá tinha livros por todos os cantos, tudo separado para a Biblioteca. Além das coisas que ficavam lá, algumas vezes a gente saía com o caminhão indo na casa de cada escritor para fazer a coleta”, lembra ela, que acabou ficando tão próxima, que participava com Orígenes do chá das 17h da ABL sempre que ia visita-lo.
“Nos conhecemos quando eu fui para o Rio de Janeiro para traçarmos um plano de trabalho para a Biblioteca e nos entendemos de imediato. Ele passou a me considerar como uma filha. Foi a pessoa mais humilde que eu conheci e todos tinham muito respeito por ele não apenas porque escrevia muito bem, mas porque era uma grande pessoa”, ressalta.
A ávida ‘caça aos livros’ resultou no episódio mais marcante da cultura local. Bom publicitário que era, Orígenes teve a brilhante ideia de estimular que os amigos continuassem doando livros homenageando-os com nomes de ruas em Lençóis. Segundo Marli, coincidentemente, na época estava sendo criado a Cecap e a avenida principal já havia, inclusive, sido batizada de Orígenes Lessa.
O lugar não poderia ser outro. Foi assim que, com o aval do então prefeito Ideval Paccola, cada rua do bairro recebeu o nome de um escritor. Para apresentar o lugar aos amigos, o Orígenes organizou em julho de 1983 a primeira Caravana Literária, na qual muitos dos que puderam comparecer fizeram questão de posar para fotos em suas ruas.
Em março de 1986, quatro meses antes de sua morte, o lençoense ainda organizou outra Caravana, maior ainda do que a primeira, com quase 50 escritores, entre eles o então presidente da República, José Sarney, também membro da ABL. Foi nesse encontro que o escritor Pedro Bloch, um dos amigos mais próximos de Orígenes, sugeriu o título de “Cidade do Livro”, oficializado por decreto no ano seguinte. Na mesma Caravana, o ilustrador Ciro Fernandes presenteou a Biblioteca com a criação de sua logomarca, mantida até hoje.
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