Muito mais do que palavras
Apaixonado pela poesia, Eduardo Darcie conta um pouco de sua história ligada à arte
Muito mais do que palavras
POR AMOR E VOCAÇÃO - Eduardo Darcie resolveu dedicar a vida à arte (Foto: Arquivo Pessoal)
Não é de hoje a necessidade do homem de expressar seus sentimentos em palavras. A poesia, falada ou escrita, talvez seja o instrumento que melhor descreva o amor, o ódio, a alegria, a tristeza, a empolgação, a angústia, enfim, a condição humana, desde os aspectos mais íntimos e profundos de cada ser até as questões de ordem social.
No Brasil, os primeiros poemas surgiram pouco depois do descobrimento, quando os jesuítas usavam versos para catequizar os índios. De lá para cá muitos foram os poetas que fizeram história no país, como Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Manoel de Barros, entre tantos outros.
O Dia Nacional da Poesia é comemorado em 14 de março, em homenagem a outro grande poeta, um dos maiores nomes do movimento romancista brasileiro, Castro Alves, que nasceu no estado da Bahia, em 14 de março de 1847, e ficou conhecido como ‘poeta dos escravos’.
Lençóis Paulista, Cidade do Livro, terra de Orígenes Lessa e, em breve, Capital Nacional do Livro, obviamente, não poderia deixar de ter representantes nesse grupo. Anônimos ou não, por aqui existem diversos poetas espalhados pela cidade, um deles, é Eduardo Darcie, de 32 anos, que posta, quase que diariamente, seus relatos poéticos em sua página no Facebook.
Arquiteto por formação, tatuador por vocação e poeta por paixão, ele sempre esteve ligado à arte em geral. Sua biografia explica parte da história, especialmente os primeiros passos de sua ainda recente trajetória na literatura. E ela começou onde tudo se começa, na escola.
“A primeira vez que escrevi uma poesia foi quando tinha oito anos de idade, e estava na segunda série. Precisei escrever para a professora e não sabia como começar. Queria fazer bem bonito e acabei copiando a letra de uma música da banda Engenheiros do Hawaii. Entreguei e nunca fiquei sabendo se ela descobriu ou não que não era de minha autoria, só lembro que todos na sala gostaram”, conta.
Depois desse episódio, Darcie conta que teve outro desafio na escola em que ele acabou utilizando do mesmo recurso, mas dessa vez para criar uma paródia autoral. Ele lembra que ficava encabulado e indignado ao ler poesias e se perguntar como é que os autores conseguiam escrever tão bonito e que daí veio a busca e o interesse pela poesia.
Depois disso, ele conta que sempre teve lampejos de escrita, mas só voltou a escrever poesia mesmo com uns 20 e poucos anos. “Comecei a ler meus pensamentos e ‘recebia’ as poesias prontas. Foi quando combinei comigo mesmo de levantar e escrever na madrugada porque quando eu me acordava não lembrava mais de nada”, comenta.
Darcie se embrenha nas palavras para curar as feridas, para tatuar cicatrizes e amansar os monstros que rugem no peito. Ele diz que sua inspiração é quase sempre e que, por isso, não se considera um escritor ou poeta, mas “apenas um cara que gosta de escrever”. Ele fala do amor, da eternidade, do ser, de seu interior, exterior, do mundo ao redor, das pessoas que o compõe, do universo e o que refletem dele e para ele. “Eu escrevo tudo o que está aqui dentro, mas, não sei como tudo acontece. Só vai acontecendo”, relata.
A paixão pela poesia e pelo desenho, fez com que Eduardo passasse a viver só da arte e ele já perdeu a conta de quantas poesias já escreveu, mas diz que passam de 300. Delas, musicou umas 30, pois também é apaixonado pela arte musical e acredita que em sua vida uma coisa sempre esteve ligada a outra e que sem elas não faria sentido.
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