Sem salários, funcionários da Eliz-Line entram em greve
Paralisação foi total e, além do transporte público, afetou empresas de Lençóis e região
Sem salários, funcionários da Eliz-Line entram em greve
BRAÇOS CRUZADOS - Funcionários da Eliz-Line paralisaram totalmente o serviço nessa terça-feira (6) (Foto: Elton Laud/O ECO)
Lençóis Paulista viveu um dia de transtornos ontem (5). Um grande número de pessoas que utiliza diariamente o transporte público teve que recorrer a outros meios para conseguir chegar ao trabalho, à escola e demais compromissos, já que, com os salários atrasados, funcionários da empresa Eliz-Line entraram em greve. A paralisação, que havia sido antecipada pelo Jornal O ECO na edição do último sábado (3), ainda afetou as empresas Zilor, Ambev e Paschoalotto, que também precisaram encontrar outras alternativas para que seus colaboradores conseguissem chegar ao trabalho.
A movimentação na frente da garagem da empresa começou por volta das 5h. Segundo informações de alguns funcionários, houve, inclusive, a tentativa da retirada de alguns ônibus da garagem durante a madrugada por um grupo de indivíduos supostamente orientados pelos proprietários da empresa. O grupo acabou desistindo e deixando o local depois que a Polícia Militar foi acionada. Por volta das 8h, os cerca de 50 funcionários que estavam no local se mostravam dispostos a manter a paralisação até que a situação fosse resolvida.
A reportagem conversou com vários funcionários, que preferiram não se identificar. Segundo um deles, além dos salários de janeiro - o restante dos salários de dezembro (60%) foi depositado na segunda-feira - a empresa estaria devendo benefícios como cesta básica, vale-refeição e férias. Um dos funcionários relatou, inclusive, que estava com medo de ser preso, já que há dois meses não paga a pensão alimentícia dos dois filhos.
Segundo outro colaborador, que também não quis revelar o nome, os depósitos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo do Serviço) de boa parte dos funcionários estariam atrasados desde 2015 e muitos estariam dispostos a entrar na justiça em busca dos direitos.
A situação precária dos veículos e as péssimas condições de trabalho oferecidas pela empresa também foi uma reclamação constante. “Queremos trabalhar, mas precisamos de uma garantia que no mês que vem vamos receber nosso salário e que teremos condições de trabalhar com segurança”, disse um deles à reportagem.
SINDICATO
Para José Pintor, presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Transportes Rodoviários, Urbanos e de Passageiros de Lençóis Paulista (Sindcovelpa), que acompanhou toda a movimentação pela manhã, a greve é legítima, pois a empresa, há tempos, não tem cumprido com as obrigações trabalhistas e, apesar de ter se comprometido a regularizar a situação até a noite de segunda-feira (5), novamente ignorou o acordo com os funcionários
“Essa é uma situação complicada que não vem de agora, já vem se arrastando há muito tempo. A empresa foi vendida e ninguém tem contato com os novos proprietários, ninguém nem sabe quem são. Ontem (na segunda), um representante se reuniu com os funcionários e garantiu que pagaria os salários do mês de dezembro e janeiro, mas novamente isso não foi cumprido. Eles resolveram se juntar e protestar e estão no direito deles”, destaca Pintor.
Outra empresa deve assumir o serviço em caráter emergencial
Logo pela manhã, por meio de nota encaminhada pela assessoria de comunicação, a Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista informou que, diante da paralisação, membros do setor jurídico e do departamento de trânsito foram até a Eliz-Line para a formalização de um termo de suspenção do contrato de concessão, o que permitiria a realização de uma contratação emergencial de outra empresa do ramo para a regularização da situação em até 48 horas.
De acordo com o diretor jurídico, Rodrigo Favaro, não houve contato com nenhum representante da empresa, mas o contrato foi suspenso compulsoriamente. “Estivemos pela manhã na garagem, porém, não conseguimos localizar nenhum dos novos representantes da empresa. Fizemos então a suspensão do contrato, que já era previsto caso os funcionários entrassem em greve. Agora estamos tomando todas as medidas cabíveis para contratarmos outra empresa que assuma o serviço na cidade”, explica.
A reportagem do Jornal O ECO apurou que, no final da tarde de ontem, o prefeito Anderson Prado de Lima (PSB) e alguns de seus diretores estiveram reunidos com representantes de uma empresa que teria condições de assumir o serviço temporariamente. O encontro, porém, não havia terminado até a conclusão desta matéria.
Empresa é alvo de diversas reclamações
Conforme publicou o Jornal O ECO na edição do último sábado (3), a Eliz-Line, detentora da concessão do transporte público desde outubro 2009 e explorando o serviço desde março de 2010, tem sido alvo constante de reclamações por parte dos usuários. Os problemas parecem ter se agravado no segundo semestre do ano passado, quando as queixas sobre a falta de ônibus em funcionamento, atrasos, superlotação, falta de combustível, ônibus quebrados, entre outras coisas, começaram a chegar com maior frequência à Prefeitura, por meio do canal direto da Ouvidoria Municipal.
Das 16 linhas que haviam sido criadas inicialmente, a reportagem apurou que apenas oito estariam em funcionamento. Segundo funcionários, durante o mês de janeiro, em alguns dias apenas cinco ou quatro linhas tinham ônibus circulando. Diante das queixas, entre os dias 12, 15 e 16 a Prefeitura Municipal realizou uma intensa fiscalização para averiguar os problemas e acabou constatando diversas irregularidades, que resultaram na aplicação de uma multa de R$ 125 mil, no dia 19 de janeiro.
A empresa Eliz-Line presta serviços do transporte coletivo para o município e também faz o privado para as usinas e outras empresas da região. O fretamento atende sete cidades (Agudos, Macatuba, Pederneiras, Bauru, Quatá, Rancharia e Bariri) e, com a paralisação todos os empregados que dependem do transporte foram prejudicados. A população acaba sendo a maior prejudicada.
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