Sem salário, funcionários da Eliz-Line ameaçam greve
Caos no transporte público pode resultar na perda da concessão pela empresa, que já foi multada em R$ 125 mil
Sem salário, funcionários da Eliz-Line ameaçam greve
CAOS - Eliz-Line foi multada em R$ 125 mil após fiscalização comprovar diversas irregularidades (Foto: Gabriel Cochi/O ECO)
Reclamações recorrentes dos usuários em relação a qualidade do transporte público em Lençóis Paulista e o descumprimento de diversos pontos estabelecidos no contrato de concessão firmado com a empresa Eliz-Line fizeram a Prefeitura Municipal dar um ultimato à empresa, que explora o serviço desde 2010. Multada em R$ 125 mil após uma fiscalização comprovar diversas irregularidades, a empresa tem até a próxima sexta-feira (9) para se manifestar e anunciar medidas para melhorar a qualidade do serviço, do contrário, pode até ter o contrato rescindido.
Detentora da concessão do transporte público desde outubro de 2009 e explorando o serviço desde março de 2010, a Eliz-Line tem sido alvo constante de reclamações por parte dos usuários. Os problemas parecem ter se agravado no segundo semestre do ano passado, quando as queixas sobre a falta de ônibus em funcionamento, atrasos, superlotação, falta de combustível, ônibus quebrados, entre outras coisas, começaram a chegar com maior frequência à Prefeitura, por meio do canal direto da Ouvidoria Municipal.
No dia 27 de dezembro, o então gerente geral da empresa, Rogério Dardengo, chegou a se reunir com o prefeito Anderson Prado de Lima (PSB) e alguns diretores da Administração para tratar do assunto. Na ocasião, além de se defender das reclamações, alegou que a empresa enfrentava dificuldades financeiras por conta de questões como o aumento no preço dos combustíveis, queda no número de passageiros e quantidade de usuários que utilizam o transporte gratuitamente - segundo dados extraoficiais, mensalmente, mais de 80 mil pessoas utilizam o transporte público em Lençóis Paulista, dos quais 25 mil seriam passageiros isentos da tarifa (idosos, deficientes, etc.), mas se comprometeu a trabalhar para a melhoria do serviço.
Porém, no início deste ano, de acordo com informações obtidas pela reportagem, a empresa foi vendida para outro proprietário que, até o momento, é desconhecido não apenas pela Prefeitura Municipal como pelos próprios funcionários. A reportagem tentou contato com a empresa por diversas vezes, nessa sexta-feira (2), porém, as ligações não foram atendidas. Um funcionário que pediu para não ser identificado informou que o escritório permaneceu fechado o dia todo.
Após ser multada, empresa pode perder a concessão do serviço
De acordo com o diretor Jurídico, Rodrigo Favaro, diante da continuidade das reclamações no início de janeiro, nos dias 12, 15 e 16 a Prefeitura Municipal realizou uma intensa fiscalização para averiguar os problemas e acabou constatando diversas irregularidades, que resultaram na aplicação de uma multa de R$ 125 mil, no dia 19.
Caso os problemas não sejam solucionados, a empresa pode sofrer novas sanções, que vão desde a aplicação de uma nova multa até a própria perda da concessão do serviço. “Estamos aguardando para ver qual será o próximo passo. O prazo para a empresa se manifestar é de 15 dias úteis, que termina na próxima sexta-feira (9). Até agora não obtivemos nenhum retorno e não conseguimos contato com nenhum representante, nem na própria sede da empresa”, revela.
José Denilson Nogueira, diretor de Suprimentos, explica que, apesar da vigência do contrato firmado entre a Prefeitura e a Eliz-Line ser de 20 anos, com validade até 2029, é passível de rescisão em caso do descumprimento de pontos nele estabelecidos, como o que vem ocorrendo. “Quando há alguma reclamação a empresa é notificada por escrito para que se manifeste e apresente sua defesa. Caso exista algum problema, inicialmente existe a previsão de multas e advertências, que são penas gradativas dependendo da gravidade do problema. Se as multas não forem suficientes para que a empresa regularize a situação podem resultar em uma rescisão de contrato”, ressalta.
Sem salário há dois meses, funcionários podem entrar em greve na terça
A reportagem do Jornal O ECO apurou que funcionários da empresa estariam com os salários de dezembro atrasados e ameaçam entrar em greve caso não recebam até a próxima terça-feira (6). Um trabalhador, que pediu para não ser identificado confirmou que a situação é precária na empresa e que os funcionários estão mesmo dispostos a cruzarem os braços se tudo não for resolvido.
 “O salário está atrasado há dois meses, vamos esperar até a terça-feira (6), se não nos pagarem, entraremos sim em greve. Não queríamos parar de trabalhar, mas, nessas condições, não tem como”, comenta o funcionário que ainda revela que existem poucos ônibus rodando na cidade e que a maioria apresenta problemas mecânicos, mas que não tem dinheiro para comprar peças e consertá-los.
Segundo o diretor jurídico da Prefeitura, Rodrigo Favaro, caso ocorra uma paralisação, o desfecho do caso deve mesmo ser a revogação da concessão, o que obrigaria a Prefeitura a realizar a contratação emergencial de uma empresa para manter o serviço até um novo processo de licitação. “Se isso realmente ocorrer, a Prefeitura terá que assumir esse serviço através de um contato emergencial com outra empresa do ramo, porém, isso pode levar alguns dias”, revela.
“Já tive que ficar mais de duas horas esperando o ônibus”, diz usuário
Na tarde de ontem (2), a reportagem do jornal O ECO esteve no terminal rodoviário e conversou com algumas pessoas que fazem uso diário do transporte público, que confirmaram que os problemas com as linhas dos ônibus, horário e até mesmo a impaciência de alguns motoristas têm causado revolta em quem necessita dos serviços da Eliz-Line.
“Mesmo estando em uma cidade em que a demanda é pequena, o transporte público deixa a desejar. Falta de ônibus, atrasos nos horários são problemas que enfrento todos os dias para chegar em meu trabalho”, explica Daniel Vaz, de 36 anos, assistente administrativo que utiliza diariamente o transporte público para ir de sua casa, no Núcleo Habitacional Luiz Zillo, até o seu trabalho, que fica no Centro da cidade.
Pedro Alves Borges de Souza, de 64 anos, que está trabalhando como pedreiro no Jardim da Cruzeiro e utiliza todos os dias o circular para chegar até sua casa no Jardim Grajaú, é outro que não suporta mais o caos no transporte público. “Eu chego atrasado em meu trabalho quase todos os dias. Já tive que ficar mais de duas horas esperando o ônibus”, reclama.
A doméstica Maria de Lourdes, de 48 anos, que utiliza o ônibus todos os dias para vir do Jardim Ibaté até o Centro da cidade. Também se diz descontente. “De uns tempos para cá o número de ônibus e de linhas para os bairros da cidade é precário. Eu chego a ficar mais de uma hora esperando o ônibus passar no ponto”, lamenta.
 
comentários 0 Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Ainda não há nenhum comentário para a matéria. Seja o primeiro!

Todos os direitos reservados © Jornal O ECO 2018 - oeco@jornaloeco.com.br - telefone central: (14) 3269-3311

desenvolvido por Natus Tecnologia