Saberes enquadrados
Renan Luis, professor de português com mestrado em estudos da linguagem tem sua pesquisa baseada em histórias em quadrinhos
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MESTRE - Renan Luis Salermo já apresentou seu trabalho em diversas universidades de todo país (Foto: Arquivo Pessoal)
Professor de português com mestrado em estudos da linguagem, Renan Luis Salermo, de 27 anos, atualmente doutorando pela Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, comemora no próximo dia 30, o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos (HQs), as quais fazem parte de seu estudo em que traz a importância do pensamento visual no processo do ensino e da aprendizagem. 
O pesquisador que, durante o doutorado vem estudando a recente produção do quadrinho nacional e as experiências artísticas criadas nesses textos, tem sua pesquisa intitulada na “Leitura semiótica do quadrinho brasileiro contemporâneo”, onde ele busca observar as novas práticas de leitura desses textos para depois traçar algumas estratégias pedagógicas de leitura visando o ensino e interpretação destes.
Salermo conta que nunca foi um leitor assíduo de quadrinhos, pelo contrário, na infância lia um pouco das HQs da Turma da Mônica e só. Porém, sempre esteve ligado à arte e às imagens e, durante o curso de Letras, começou a participar de um grupo de pesquisa que estudava textos com imagens - quadrinhos, infográficos, animação e telenovela. A partir daí passou a se interessar pelos quadrinhos, principalmente os produzidos recentemente no Brasil.
“Foi a partir desse contato que eu fiz a pesquisa de mestrado acerca do quadrinho Cachalote (2010) e, agora, no doutorado, investigo Campo em Branco (2013) e Quando meu pai se encontrou com ET fazia um dia quente (2011)”, explica.
Um pouco ou muito nada comum, estudar quadrinhos para Salermo é uma diversão. Poder fazer das HQs uma parte de seu trabalho, com o compromisso cientifico de entender estes textos como parte da cultura nacional, para ele, é muito interessante. “O número de trabalho vem crescendo, mas ainda é muito pouco se comparado aos estudos de literatura e de cinema, por exemplo”, destaca Salermo, que, por isso, acredita na importância de seu trabalho.
É exatamente isso que o motiva a estudar e entender esse mundo. Sem dúvida, são essas ideias já muito solidificadas que começaram a aparecer nas avaliações como a do Enem e os outros vestibulares quando pedem para os candidatos lerem as imagens. No final da pesquisa, ele quer contribuir também com as estratégias pedagógicas de leitura dos quadrinhos e de outros textos com imagens. 
O lençoense entrega sua pesquisa em fevereiro de 2019 e pretende continuar investigando os quadrinhos e pensando sobre a prática de leitura e significação desses textos e como professor de português espera colaborar com os alunos na sua interpretação 
Sempre muito antenado e em busca de novas experiências, ele foi convidado em agosto pelo Espaço Cultural Cidade do Livro para ministrar uma palestra voltada à Leitura e Visualidade em HQs.
“De maneira geral, eu acho que nós, leitores brasileiros, não lemos muito quadrinhos. Para nós, os quadrinhos ficam na infância e fazem parte da leitura da infância. Na maioria das vezes, quando falamos em quadrinhos pensamos na Turma da Mônica e nos gibis ou mesmo em cultura nerd, com os heróis e as batalhas. Para mim, essa marca geral atribuída aos quadrinhos não representa estes textos na totalidade. Além de ser um texto que pode exigir níveis de leitura e complexidades que contribuem para a formação dos sujeitos, na maioria das vezes, esses quadrinhos desconhecidos abordam temas que me interessam mais e que colaboram com a formação dos cidadãos”, finaliza.
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