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O estrangeiro
Deficiente visual, Eder Pires de Camargo está lançando seu sétimo livro
O estrangeiro
ESCRITOR - Doutor em Física, Eder Pires de Camargo já está em seu sétimo livro, “Estrangeiro” (Foto: Flávia Placideli/O ECO)
É possível que apenas quem conviva com algum tipo de deficiência perceba o mais pleno significado da palavra superação e talvez somente essas pessoas que necessitem romper barreiras cotidianamente entendam sua real dimensão. Aprender a lidar com as limitações, para os que se deparam com um novo desafio a cada dia, é o caminho para a vitória. Disso, o lençoense Eder Pires de Camargo, deficiente visual, entende bem.
Atualmente com 45 anos de idade, ele conta que começou a ter perdas gradativas da visão aos nove anos, mas que hoje, com cegueira total, mostra que perdeu a capacidade de enxergar, porém, não a visão de futuro. “É muito importante a relação que existe entre a dificuldade e a oportunidade. Perder a visão aos nove anos me proporcionou isso”, revela.
Com um currículo extenso, Camargo é doutor em Física e leciona na Universidade Estadual Paulista (Unesp) da cidade de Ilha Solteira, onde reside há 12 anos. Ele, que cursa pós-doutorado, acredita que toda sua dedicação para com os estudos tem sido uma forma de defesa de sua própria cegueira visual, mas não intelectual. “Essa é uma vitória de alto custo, de cego leitor, cego escritor, esse foi um meio que encontrei para dar o troco à vida”, diz.
Com marcas boas e ruins dentro de si, ele acredita que a cegueira o salvou quando foi obrigado a se reinventar em um mundo visual. Contudo, admite que as conquistas não fazem o doutor esquecer das dificuldades que enfrenta todos os dias por conta da deficiência. Ele lembra que sempre as pessoas o perguntam “Como você calça o sapato?” ou “Como você escova os dentes?” e que isso o deixa bem irritado.
Mas, em meio a todas as dificuldades e preconceitos vividos, ele destaca a importância da dedicação, em especial na trajetória acadêmica. “Eu precisei driblar todas as dificuldades. Por exemplo, eu compro um computador na loja e eu não posso usar na mesma hora. Eu preciso ir atrás de pessoas para instalar um programa necessário para leitura. É como um livro. Eu saio da loja ou da biblioteca e cheiro o livro, mas só fica no cheiro, porque eu não vou poder chegar em casa e folhear. Eu vou ter que pedir para alguém escanear, passar para o computador para depois ler”, relata.
Camargo, que desde muito cedo gostava de estar dentro da biblioteca e perto dos livros, lançou no final de 2017, em meio às suas viagens, dentro dos aeroportos, rodoviárias e hotéis em que ficou hospedado, o seu sétimo livro, batizado de “Estrangeiro”, do qual se orgulha muito. 
O lençoense conta que com o livro, escrito com a ajuda de seu computador com voz, atingiu o seu objetivo central de expor as mais variadas nuances da vida de um homem que se orgulha de ser cego e de ter chegado à livre-docência em ensino de Física - titulação acima do doutorado - aos 43 anos, sem utilizar a visão.
“Em meu livro confesso a dureza de ter perdido a visão, mas também a beleza de ser cego. Por isso, hoje tenho orgulho em reconhecer que a cegueira me proporcionou experiências sociais positivas e negativas sem as quais não perceberia, por exemplo, ‘a singeleza do canto do sabiá’, finaliza o escritor.
Além de toda sua dedicação à intelectualidade, o professor conta que gosta de fazer tudo o que as pessoas ‘normais’ fazem e que, por isso, no final do ano participou pela terceira vez da Corrida de São Silvestre (artigo na página A6). Para ele, essa é umas das formas para se inserir no mundo de quem enxerga, que não deixa de ser o seu mundo também.
GRANDE MOMENTO 
Pela sua história de superação, o lençoense foi um dos escolhidos para conduzir a Tocha Olímpica dos Jogos do Rio de Janeiro no revezamento ocorrido em 2016
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