Prado de Lima quer apoio da sociedade para tirar moradores das ruas
Programa Acolhe Mais foi apresentado na última quarta-feira (20) aos representantes dos clubes de serviço
Prado de Lima quer apoio da sociedade para tirar moradores das ruas
AÇÃO CONJUNTA - Prado de Lima pediu ajuda aos representantes dos clubes de serviço para o programa Acolhe Mais (Foto: Divulgação)
A Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista quer acabar de vez com um dos problemas de ordem social que mais tem se agravado nos últimos anos: o crescimento descontrolado do número de moradores em situação de rua. Para isso, o prefeito Anderson Prado de Lima (PSB) espera contar com a ajuda de todas as esferas da sociedade. O primeiro passo foi dado na última quarta-feira (20), quando os detalhes do programa Acolhe Mais, desenvolvido pela equipe da Diretoria de Assistência Social, foram revelados aos representantes dos clubes de serviço da cidade.
O evento, que além do prefeito contou com a participação da vice, Cintia Duarte (Rede), do diretor de Assistência Social, Ney Góes, e dos representantes do Rotary Club Lençóis Paulista, Marcelo Maganha, do Rotary Club Cidade do Livro, Maria Isabel Lini, e do Lions Clube, Francisco Adão Blanco, foi realizado no Espaço Cultural cidade do Livro.
Segundo Prado de Lima, na ocasião foi solicitado o apoio dos clubes de serviço para equipar todo o local que irá abrigar o projeto, desde o mobiliário até itens como utensílios domésticos e materiais de cama, mesa e banho. O programa Acolhe Mais funcionará no imóvel da antiga Casa Mãe Piedade, que foi cedido pela Igreja Católica. Para a adequação da estrutura será utilizada uma verba de R$ 100 mil conquistada pelo vereador Ailton Aparecido Tipó Laurindo (PMDB) junto ao deputado federal Baleia Rossi (PMDB).
“Ficamos satisfeitos com a reunião, porque todos mostraram abertura e disposição para ajudar resolver esta situação. Este é um problema da sociedade. O poder público tem que agir e a Prefeitura vai fazer isso com o apoio da sociedade civil, do meio empresarial, das entidades filantrópicas, comunidade evangélica e católica e clubes de serviço, da polícia, do Ministério Público”, destaca o prefeito, que acredita que apenas o trabalho conjunto pode resultar em uma solução.
“Não podemos permitir que um município como Lençóis Paulista, com uma comunidade forte, caridosa e humana não tenha um trabalho como este, sem um olhar voltado para uma questão que é de todos. Com certeza este projeto tem uma significação amplificada na sociedade para a resolução deste problema e vamos fazer isso todos juntos. Todos poderão trabalhar de forma conjunta com um objetivo único que é a de transformar o programa Acolhe Mais em um modelo para o Brasil e eu não tenho dúvida que Lençóis Paulista vai ser protagonista nesse cenário”, conclui.
Projeto terá capacidade para atender até 50 pessoas
De acordo com o diretor de Assistência Social, Ney Góes, o programa Acolhe Mais terá capacidade para atender até 50 pessoas, com alojamentos separados para homens, mulheres e famílias, caso houver necessidade. O local também contará com cozinha, refeitório, lavanderia, sanitários, vestiários e diversas salas destinadas a atividades socioeducativas, projetos culturais, oficinas de artesanato e cursos de capacitação, que serão desenvolvidos em parceria com as demais diretorias.
O projeto contará com apoio permanente de psicólogos, assistentes sociais e orientadores sociais do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e também da Diretoria de Saúde. Para o local também serão designados servidores municipais como agente administrativo, agente de conservação e limpeza, cozinheira, auxiliar de cozinha e vigilantes.
Ney Góes revela que a previsão é de que todo o trabalho de estruturação do local seja feito entre janeiro e fevereiro e que tudo esteja pronto para entrar em funcionamento em meados do mês de março.
O próximo passo será a apresentação do programa aos empresários do setor alimentício e de varejo do município. Com um custo mensal de manutenção com alimentação e produtos de higiene e limpeza estimado entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, a Prefeitura Municipal espera contar com a colaboração permanente da classe empresarial para manter o projeto.
“Sucesso do programa depende de uma mudança de postura da sociedade”, diz Ney Góes
A Diretoria de Assistência Social estima que atualmente cerca de 50 pessoas vivam em situação de rua em Lençóis Paulista, o que está de acordo com a capacidade de acolhimento do programa Acolhe Mais. O levantamento tem como base o serviço de abordagem social feito pelos técnicos do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).
Ney Góes diz acreditar que, com o projeto em funcionamento, o problema social será reduzido drasticamente na cidade. “A gente já conta com o serviço de abordagem social pelo qual tentamos fazer com que essas pessoas voltem para suas famílias ou aceitem o encaminhamento para a internação quando é o caso de dependência química e de álcool. Hoje, muitas pessoas nos procuram querendo sair dessa situação, mas não temos para onde mandar. A partir do momento que o projeto estiver em funcionamento vamos intensificar essas abordagens”, pontua.
CAMPANHA
Um dos pontos vistos como fundamentais para que o Acolhe Mais dê certo é a participação da sociedade no sentido de se criar mecanismos para coibir a permanência das pessoas nas ruas. Góes explica que muitas pessoas, com a ilusão de estarem ajudando o próximo ou fazendo uma boa ação doando comida ou esmolas, contribuem para o agravamento do problema.
“Precisamos criar obstáculos para que essas pessoas fiquem nas ruas, o que significa parar de ajudá-las a se manterem nessa situação. Muitos acham que estão ajudando fazendo uma caridade dando dinheiro e comida, mas, ao invés de promover a autonomia, a emancipação e a independência desses indivíduos, estão afastando mais eles das famílias”, comenta o diretor, que acrescenta ainda que toda ajuda dentro do projeto é válida e bem-vinda.
“O sucesso do programa depende de uma mudança de postura da sociedade. Se uma das pontas estiver solta e se todos não abraçarem a ideia não vai dar certo. O primordial nisso tudo é o engajamento. Hoje temos muitos trabalhos voluntários e pessoas desenvolvendo atividades voltadas a isso, só que tudo de forma isolada. Precisamos todos direcionar os esforços ao programa Acolhe Mais.
comentários 0 Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Ainda não há nenhum comentário para a matéria. Seja o primeiro!

Todos os direitos reservados © Jornal O ECO 2018 - oeco@jornaloeco.com.br - telefone central: (14) 3269-3311

desenvolvido por Natus Tecnologia