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Ensino Médio Integral ainda divide opiniões
Mudanças que serão implantadas no ano que vem são vistas como um avanço por profissionais, mas alguns pais ainda questionam
Ensino Médio Integral ainda divide opiniões
NOVA ESCOLA - Vera Braga terá apenas Ensino Médio Integral em 2018 (Foto: Gabriel Cochi/O ECO)
O Jornal O ECO antecipou no mês de agosto a informação que a Escola Estadual Prof.ª Vera Braga Franco Giacomini, localizada no bairro Cecap, em Lençóis Paulista, passaria a ter Ensino Médio Integral a partir de 2018. Passados quase quatro meses, a alteração no sistema de ensino está prestes a ser concretizada, mas o assunto ainda causa divergência de opiniões e tem gerado uma série de debates.
A mudança, que foi proposta pela Secretaria de Estado da Educação e aprovada pelo conselho escolar, composto por professores, funcionários, alunos e pais de alunos da escola, visa o cumprimento da Meta 6 do PNE (Plano Nacional de Educação) do Ministério da Educação (MEC), que pretende, até 2024, implantar o ensino integral em 50% das escolas públicas do país, atingindo, pelo menos, 25% de matriculas nesta modalidade.
A medida é vista como um avanço por profissionais que atuam na área da educação, como Gina Sanches, dirigente regional de Ensino de Bauru, que na ocasião do anúncio defendeu o modelo citando como exemplo escolas que, a partir da mudança, conseguiram melhora significativa nos índices educacionais.
Para a dirigente, nos exemplos já conhecidos, a aprovação do novo sistema tem resultado em uma maior dedicação, tanto por parte dos alunos como dos próprios professores. “É um trabalho diferenciado que, por consequência, tem um resultado diferenciado. Isso é uma tendência para o futuro, até por conta das diretrizes da educação”, disse Sanches.
“O objetivo do ensino integral é o protagonismo juvenil”, diz coordenadora
A direção da escola também aprova a mudança e destaca que ela trará muitos benefícios. A diretora, Elza Marli Galassi Carpanezi, diz que entende a apreensão dos pais que têm filhos no ensino fundamental e terão que matriculá-los em outras escolas, mas enfatiza que, os mesmos terão a oportunidade de voltar no ensino médio para uma escola de qualidade.
“Nós que trabalhamos com educação sabemos da necessidade de melhorar o Ensino Médio para que os alunos da rede pública tenham mais chance de entrar em uma faculdade de qualidade. O ensino médio de tempo integral trará uma formação diferenciada. É nisso que estamos apostando e é para isso que iremos trabalhar”, ressalta.
Para a coordenadora da escola, Léa Tamar Marques, além de melhorar os níveis de avaliação do ensino médio e possibilitar que os alunos da rede pública tenham as mesmas oportunidades dos que se formam nas escolas particulares, o novo modelo de ensino estimula o protagonismo dos alunos.
“Hoje, infelizmente, temos uma escola que não garante a qualidade de ensino de forma a permitir o acesso mais facilitado à universidade. Acreditamos muito neste projeto para mudar essa realidade. O objetivo maior da escola de ensino médio de tempo integral é o protagonismo juvenil. Queremos formar pessoas com uma cultura diferenciada”, ressalta.
As educadoras explicam que, além das 12 disciplinas que compõem a Base Nacional Comum Curricular, que são língua portuguesa, matemática, história, geografia, biologia, física, química, sociologia, filosofia, educação física, artes e inglês, os alunos matriculados no Ensino Médio Integral terão na grade de ensino uma série de atividades que têm como objetivo possibilitar uma formação diferenciada.
Entre os exemplos estão aulas práticas em laboratórios nas disciplinas de biologia, química e física; atividades complementares com foco em temas como o mercado de trabalho e a preparação para a vida acadêmica; aulas eletivas em diversas áreas como robótica e informática; atividades que estimulem a criação e organização de eventos culturais e esportivos com a supervisão dos docentes; elaboração de projetos tutoreados com a proposta de modificar a realidade da comunidade na qual os alunos estão inseridos; entre outras coisas.
Além das mudanças na grade curricular, o ensino integral contará com profissionais atuando em sistema de dedicação plena e exclusiva e com avaliação contínua de desempenho. Para a implantação do novo modelo, a escola passará por diversas adequações nos laboratórios, cozinha e demais instalações para receber um limite máximo de 300 alunos. Como os alunos permanecerão o dia todo na escola, das 7h às 16h, as refeições serão servidas e produzidas no local.
Pais se dividem em opiniões contra e a favor
Atualmente a escola Vera Braga conta com o Ensino Fundamental II (do 6ª ao 9º anos) e o Ensino Médio, mas deve manter, a partir do ano que vem, apenas o Ensino Médio Integral. Os alunos do Fundamental e também os do Médio que optarem por continuar na modalidade atual ou que precisem estudar no período noturno (que não será mais oferecido), serão transferidos para outras escolas, como Prof.ª Antonieta Grassi Malatrasi, na Vila Mamedina, e Dr. Paulo Zillo e Virgílio Capoani, no Centro.
Segundo informações obtidas pelo Jornal O ECO, a mudança afetará diretamente cerca de 450 alunos do Fundamental - incluindo os que ingressariam no 6º ano, vindos do 5º ano da EMEF Prof. Edwaldo Roque Bianchini, também na Cecap - e quase 100 alunos do Ensino Médio. As vagas, segundo a Diretoria Regional de Ensino, serão garantidas para todos os alunos, mas a mudança deixou alguns pais descontentes.
O LADO CONTRA
A aposentada Cristina Carvalho, moradora da Cecap, é uma das que são contra a mudança. Com um filho prestes a concluir o 2º ano do Ensino Médio, ela revela que por conta de cursos que ele faz no contraturno escolar não será possível ele permanecer na escola. “Para o meu filho será apenas um ano, mas eu também penso nas outras mães com crianças pequenas estudando na escola Bianchini, que terão que colocar os seus filhos para estudar em escolas muito mais longe de suas casas”, relata.
Vilma Aparecida Gomes, moradora do Jardim Itapuã, está nessa situação. Sua filha de 11 anos está concluindo o quinto ano e iria para a escola Vera Braga no ano que vem, mas teve que ser matriculada na escola Dr. Paulo Zillo. “Eu sou contra a mudança, assim como a maioria dos pais com quem eu converso. É complicado você saber que seu filho que estudaria aqui no bairro vai ter que se deslocar para tão longe todos os dias. Vou ter que mudar minha rotina para levá-la, porque não confio em deixar ela ir sozinha”, lamenta.
O LADO A FAVOR
Outros país aprovam a mudança e acreditam em uma melhoria significativa na qualidade do ensino. Ione Moura Paes, moradora do Jardim Itapuã, espera muitos benefícios para a formação de seu filho, que vai para o segundo ano em 2018. “Eu entendo que existam alguns pais que são contra, mas eu acho que pode ser algo muito proveitoso. Eu morava em São Paulo e lá já existem essas escolas há algum tempo e a concorrência é sempre muito grande porque o ensino é diferenciado e de qualidade”, ressalta.
O projetista José Adilson Cabral, morador da Cecap, que também tem uma filha prestes a entrar para o 2º ano, vê a mudança como uma grande oportunidade. “Eu acredito que será uma mudança muito positiva. Nossos filhos vão poder se dedicar o dia todo aos estudos, aproveitando o tempo ocioso que eles têm participando de atividades extracurriculares que podem suprir outras necessidades e desenvolver outras habilidades. Vejo isso como uma oportunidade de melhorar a formação”, pontua.
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