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Ritmo de Peito Aberto
Orquestra de Maracatu difunde a energia do batuque nordestino
Ritmo de Peito Aberto
MARACATU - Fundada há quatro anos, Orquestra de Maracatu Peito Aberto carrega no DNA a cultura nordestina (Foto: Divulgação)
Poucas coisas representam tão bem as tradições nordestinas como a música e a dança. Diversas manifestações culturais que tiveram origem durante o período de colonização, trazidas ao país pelos escravos africanos, acabaram se difundindo por todo o território nacional. Em Lençóis Paulista é possível destacar o maracatu, que surgiu em Pernambuco entre os séculos XVII e XVIII carregando consigo um certo apelo religioso (que se mantém até os dias de hoje em algumas localidades), mas que também ganhou notoriedade pela dança e pelo ritmo contagiante dos tambores.
Fundada em 2013, a Orquestra de Maracatu Peito Aberto é coordenada pelo educador musical José Santos, de 33 anos, um lençoense de nascença e nordestino por natureza, que deixou a cidade de Cupira, em Pernambuco, ainda na barriga da mãe, grávida de seis meses. Sob a batuta do ‘maestro dos tambores’, ela representa com propriedade as raízes nordestinas e, em certo ponto, as próprias raízes brasileiras, já que somos um povo formado pela miscigenação de etnias, sobretudo a africana.
Santos, que é professor na Casa da Cultura Prof.ª Bove Coneglian, explica que a orquestra foi criada a partir de uma ideia que surgiu em Tatuí, cidade do Conservatório Dramático e Musical Carlos de Campos, onde se formou bateria e percussão erudita antes de concluir a graduação em educação musical pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
A Peito Aberto iniciou suas atividades em 2013, com a participação de poucas pessoas, mas hoje já conta com cerca de 20 integrantes e realiza várias apresentações na cidade e região, sempre cativando o público com uma musicalidade bem peculiar. “Em todo lugar que a gente toca o pessoal se interessa bastante. As pessoas que não conhecem ficam curiosas e se contagiam com o ritmo”, ressalta Santos, que diz que trabalhar com o maracatu tem sido uma grande experiência.
“A orquestra começou como uma ideia pequena e vem ganhando proporções cada vez maiores, o que nos deixa muito felizes. Estamos podendo usar o maracatu como ferramenta de ensino mesmo. E o mais legal é que conseguimos reunir uma diversidade muito grande de pessoas, de gêneros, idades, pensamentos. Essa mistura é algo muito legal”, completa o professor, que na orquestra convive com pessoas com idades que variam dos nove aos 56 anos.
Um ponto interessante destacado por Santos é que os instrumentos são confeccionados pelo próprio grupo. Alfaias, caixas, gonguês e agbes, ganham forma pelas mãos de alguns integrantes, como José Matias, que mantém em sua casa uma oficina de instrumentos. No local, sua esposa, Adriane Matias, também produz todo o figurino utilizado pelo grupo, que ainda conta com a colaboração do artista plástico Antônio Marcos da Silva, responsável pela criação dos bonecos utilizados nas apresentações.
As luas, nome utilizado para descrever as letras utilizadas no maracatu, também são, em sua grande maioria, de autoria própria, como explica Santos. “Trabalhamos com uma letra mais voltada para a diversidade. Fazemos uma grande mistura de tudo, na verdade. Usamos o maracatu como uma base do nosso trabalho e misturamos vários ritmos brasileiros dentro disso”, conta o músico que ressalta que o maracatu vai muito além do ritmo propriamente dito.
“Eu confesso que a batida em si e a energia que os tambores têm é o que acaba te prendendo inicialmente, mas o histórico do ritmo de resistência ligado ao período da escravidão também me chama muita atenção. Tem toda uma questão simbólica que retrata outros tipos de cultura, mas que mostra que isso é nosso também”, finaliza.
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