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Envelhecer com Qualidade
por Nádia Placideli. Ela é gerontóloga e doutoranda em saúde pública
Aposentaria e a velhice
Atualmente muito tem se discutido sobre as mudanças relacionadas às regras para aposentadoria no Brasil, Depois da Medida Provisória nº 676 (regra 85/95),  que em 2015 foi aprovada e depois convertida em lei, no ano passado, os cidadãos foram surpreendidos com a PEC 287/2016, que trata da reforma da previdência, definindo uma nova idade para aposentadoria - 65 anos, tanto para os homens como para as mulheres -, que encontra-se em proposição para análise do senado.
Tais mudanças e medidas do governo justificam-se pelo envelhecimento populacional, que, consequentemente, resulta em um aumento cada vez maior de pessoas idosas e menor de indivíduos economicamente ativos, tornando-se uma equação desfavorável para a previdência no Brasil. Desta forma, se faz necessário que estratégias adequadas sejam pensadas para suprir as demandas advindas a curto, médio e longo prazos quanto a este tema.
A maioria dos indivíduos trabalhadores passa muitos anos sonhando com a tão almejada aposentadoria, com planos para este período: executar novas atividades, realizar a viagem esperada, comprar um carro novo, passear com a família, fazer o curso que tanto gosta, entre outras coisas.
Aos leitores, gostaria de sugerir uma reflexão: será que é necessário esperar pela aposentadoria para realizar tudo aquilo que sonha fazer? Será que ser um aposentado é o mesmo que estar em férias eternas?
Quanto à segunda indagação, estudos sobre a satisfação com a vida e as atividades executadas após a aposentadoria, realizados no mundo todo, têm demonstrado que a maioria, principalmente no Brasil, não se planeja para a aposentadoria e acredita que a vida sem a rotina do trabalho representaria o descanso pleno. Entretanto, depois de menos de um ano sem a rotina do trabalho acabam se incomodando, até adoecendo com a ociosidade e a diminuição da rede social.
A aposentadoria marca a proximidade da velhice e socialmente traz consigo estereótipos, como o de uma pessoa que não tem mais valor para a sociedade, o que reflete um grande mito. Isto pode implicar em adultos e idosos aposentados uma série de problemas, como, inclusive, uma depressão, que por sua vez pode resultar na diminuição do convívio social ou até mesmo no isolamento completo. A inatividade, no geral, é preocupante e um agravante para a diminuição das capacidades físicas e cognitivas nos indivíduos envelhecidos.
É sabido que os idosos cada vez vivem mais. Estima-se que o brasileiro, por exemplo, após adentrar na velhice tenha aproximadamente 21,8 anos de sobrevida no geral. Desta forma, torna-se necessário haver preparação para a aposentadoria oferecida por empresas, setores públicos municipais e estaduais, para que os indivíduos possam aprender a se planejar quanto à rotina de atividades que pretende realizar durante aposentadoria.  
Além disto, neste contexto, é necessário que o país disponibilize opções de empregabilidade aos indivíduos aposentados que queiram continuar no mercado formal de trabalho, bem como em caráter de voluntariado. É importante que se valorize essa população, no sentido de todas as gerações serem beneficiadas.
Assim, deixo-lhes a seguinte proposição: preparemo-nos para a aposentadoria, para que possamos desfrutá-la da melhor maneira possível e com uma rotina de atividades que possa nos tornar pessoas melhores a cada dia de nossas vidas.
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