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Envelhecer com Qualidade
por Nádia Placideli. Ela é gerontóloga e doutoranda em saúde pública
Porque as famílias institucionalizam seus membros idosos?
Já é sabido dos leitores dessa coluna e demais pessoas que a população de idosos no nosso país aumenta exponencialmente, e que a fase de vida velhice, representa um grupo de indivíduos muito heterogêneos entre si, ou seja, com muitas características diferentes, devido às transformações, declínios, ganhos advindos do próprio processo de envelhecimento.
Ressalta-se dentre os principais impactos ocasionados pelo envelhecimento populacional e aumento da população de idosos, as mudanças nas estruturas e dinâmicas familiares, que muitas vezes são pegas de surpresa quanto a suprir as necessidades de seu(s) membro(s) idoso(s).
Um fato importante no contexto das famílias desempenharem os cuidados necessários aos seus membros idosos, é que as mulheres reconhecidas, ao longo da história, como cuidadoras universais, agora estão inseridas no mercado de trabalho, dobrando ou triplicando sua jornada de trabalho, muitas vezes impossibilitando-a de suprir as necessidades de cuidados de seus familiares, dentre ele o idoso. E o encurtamento das famílias, cada vez compostas por menos pessoas.
Á medida que os idosos vão tornando-se mais longevos aumenta a probabilidade da instalação e desenvolvimento de diversas patologias, principalmente as doenças crônicas não transmissíveis, bem como doenças degenerativas, que são as maiores geradoras de dependência e perda da autonomia nos idosos, que requerem então, maiores cuidados.
As famílias diante do seu membro idoso que agora necessita de cuidados cada vez mais complexos, após diversas tentativas no rearranjo da dinâmica familiar (principalmente quanto disponibilidade de tempo e condições financeiras) encontra como única e última solução em seu contexto social a institucionalização de seu membro idoso.
Estudos desenvolvidos nessa temática demonstram que a maioria das famílias ao decidir pela institucionalização do idoso reconhece isto como uma condição mais adequada para suprir os cuidados necessários ao idoso, para proporcionar melhor qualidade de vida e bem-estar.
Desta forma pergunto-lhes porque as famílias institucionalizam seu membro idoso? A resposta é por variados motivos, por exemplo, pela incapacidade da família prover os cuidados necessários aos idosos, devido à rotina de vida, falta de membros disponíveis a assumir todo o cuidado, ou sem condições psíquicas e físicas para desenvolvimento de cuidados, ou por falta de motivação, apreço, por não sentir-se responsabilizado a assumir cuidados a este membro familiar. Este último item mencionado, é uma questão difícil, mas que merece discussões na nossa sociedade atual, pois muitos estigmas estão envolvidos na compreensão da relação família, idoso e institucionalização.
Quanto a isto destaco, durante este artigo que foi utilizada a terminologia institucionalização de idosos e não asilamento de idosos, pois os termos asilamento e asilo, não têm sido considerados os mais apropriados ao uso, devido aos estigmas envolvidos com tais terminologias, e que possam contribuir para alguns preconceitos da sociedade com as famílias que optam pela institucionalização de seu membro idoso, até os dias atuais. Desta maneira, toma-se a utilização mais adequada do termo Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), tratando-se de diversas modalidades de residência e estadia para idosos.
Poderíamos nos alongar em diferentes vertentes de discussão envolvendo este tema: os motivos pelos quais as famílias institucionalizam seu membro idoso, todavia não cabe aqui todo esse debate.
O propósito desse artigo a você leitor é gerar reflexão no sentido de iniciar o rompimento de possíveis estigmas quanto à institucionalização de idosos pela família, pois é necessário conhecer com profundidade os reais motivos para tal atitude, bem como nos atentar que as políticas públicas e as leis destinadas aos idosos no contexto brasileiro, colocam-nos que deve haver a contribuição do tripé Família, Estado e Sociedade na garantia de direitos e cuidados aos idosos.
Assim acredito que enquanto Sociedade podemos iniciar nossas contribuições a partir do conhecimento e rompimento de estigmas sobre este tema, enquanto Estado é necessário caminhar na busca de instituir equipamentos adequados na atenção ao idoso, em diferentes modalidades, a fim de apoiar a família nesse cuidado e a Família ter claro o reconhecimento dos vínculos e responsabilidades perante ao idoso, mesmo institucionalizado.
 
Nádia Placideli- Gerontóloga
Contato: E-mail: nadiaplacideli@hotmail   
Associação Brasileira de Gerontologia- ABG 341
Mestre em Saúde Pública – FMB UNESP
Doutoranda em Saúde Pública – FMB UNESP
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