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Papo Reto
por Zé Santos, que é músico, educador musical e professor de percussão
Raro é algo tão difícil de se ter...
Numa manhã de domingo acordei com um desejo enorme de agradecer tudo àquilo que ainda irei viver, foi com muito carinho no “Paradão” que tudo aconteceu, com fundo musical nobre e inesquecível o melhor que já ouvi, pois se tratava de uma roda de pássaros que pareciam compor um samba, desses que candeia e iluminam tudo, compor aquela manhã só quem tem inspiração e não tem medo de se perder no presente desconhecido, flores mortas pelo chão generosamente contrastavam e abriam caminho para aquelas que escolheram aquela linda manhã para desabrocharem pro mundo, colorindo e perfumando o que eu classificaria de cenário perfeito para se encher da certeza que amor um dia chega...
Não, não basta ter só inspiração!
Para conhecer, se desprender, doar-se, é necessário chorar sorrindo, afinal é o que a vida nos encarrega de cumprir, lidar com isso da melhor forma é uma preciosidade nos tempos modernos e certamente faz toda diferença para se viver melhor. 
Pensar em diversas formas para lidar com a vida me fez recordar de (Clarice Lispector) em seu conto “Perdoando Deus”, onde profundamente nos faz refletir.
“Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.”
Vivenciar e exercitar as várias facetas do que julgamos ser o amor esta ligado diretamente com a liberdade em nos percebermos, enquanto tudo passa, numa sensação de que tudo esta à toa, e quase sempre optamos por ficarmos numa boa, mesmo que inquietos e intranquilos com aquilo que é físico, sentimos, sofremos, somos medrosos e ao mesmo tempo valentes diante daquilo que julgamos fraco. O que o mundo nos mostra atualmente é uma sociedade sem inspiração, egocêntrica, sem o menor senso entre superioridade ou igualdade, discutir o preconceito racial de forma leviana dizendo que: Um branco ao ser chamado de branco tem o direito de processar quem o ofendeu, impor direitos iguais para brancos e negros. Isso prova o desinteresse e a busca pelo modismo de que tudo é preconceito, essa desconstrução da história e de fatos provoca uma indignação em quem acredita numa sociedade mais justa com aquilo que deveria ser justo. Deve-se levar em conta anos de segregação e exploração do simples direito de viver, direito que todos os Deuses concedem pela existência humana na fé cristã. Só acho que falta compromisso com aquilo que acreditamos ser melhor para todos. 
Como falarmos de amor se não contrastarmos o turbilhão de emoções que o acompanha, desejos, lagrimas, vida, esperança, desencontros e lamentos daquilo que não aconteceu, mas deveria ter acontecido porque eu não me julgo feliz. Agradecer aquilo que ainda vamos viver é ter a certeza de estarmos no caminho certo para dias melhores, e que viver vale muito à pena, o grande sentido de vivenciar um amor com liberdade, seja numa terça ou numa manhã de domingo, é se permitir corrigir a matemática daquilo que afirmamos ser exato. Por isso agradeço todos os dias à saudade do futuro que viverei, esse é o grande barato de existir e experimentar o raro, afinal “raro” é algo tão difícil de ter.
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